quinta-feira, 14 de agosto de 2008



14 de agosto de 2008
N° 15695 - LUIZ PILLA VARES


Porto Alegre merece esta obra

Vou resistir à tentação de escrever sobre a Olimpíada. Tanto já foi dito que resta muito pouco, quase nada, de original. E, além do horário proibitivo, são poucos os esportes que me empolgam. Basta, portanto, apropriar-me do espírito da crônica de José Geraldo Couto, da Folha de S. Paulo do último sábado:

não é porque no iatismo tem uma bandeirinha do Brasil que eu vou ficar torcendo. Acho muito chato iatismo. E também o hipismo, o levantamento de peso, o tiro ao alvo. Então vamos para outra.

Sou um mal-humorado durante todas as manhãs. Faça chuva ou sol radiante, sou um mal-humorado incorrigível durante as manhãs, creio que por causa de uma rinite que me persegue há anos. Mas, numa bela manhã, cheia de sol, temperatura agradável, fomos visitar a Fundação Iberê Camargo em seu novo prédio, de frente para o Guaíba.

E foi só chegar diante da obra que o meu mau humor desapareceu. As formas leves e ousadas proporcionam uma idéia de vida que não dá lugar para o mau humor. E logo começamos a pensar sobre o poder da arte, a capacidade que a criatividade do espírito humano tem em nos conduzir a uma outra realidade, a da imaginação sem limites.

Pois é isso o que nos oferece o prédio da Fundação Iberê Camargo, um projeto notável do arquiteto português Álvaro Siza, prêmio Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza em 2002.

A impressão que se tem olhando o prédio de fora só se acentua quando percorremos o interior, caminhos que em suas linhas retas e em suas leves sinuosidades nos dão sempre uma magnífica sensação de liberdade espiritual. O prédio revolucionário abriga as obras de um dos artistas plásticos mais importantes do século 20.

Sempre tive profunda admiração pela obra de Iberê Camargo, admiração que só aumentou com o transcorrer do tempo e com a serenidade necessária à contemplação que a idade tem o poder de ampliar. Assim, saí da visita plenamente recompensado, com o espírito calmo, certo de que Iberê tinha, afinal, um prédio à altura de seu trabalho.

E de que Porto Alegre tinha conquistado uma obra extraordinária, que faz o milagre de reconciliar a cidade com o seu rio, de oferecer a imagem de beleza que possui a Capital – que, sem dúvida, merecia a fundação que hoje se incrusta em sua paisagem, tornando-a ainda mais bela e mais Porto Alegre. Ora, a Olimpíada...

Bem, Grenal deu empate..Tudo igual - Uma ótima quinta-feira para todos nós

Nenhum comentário: