
12 de agosto de 2008
N° 15692 - PAULO SANT’ANA
Inter trabalhará pelo Grêmio
Eu acho sublime que 60 mil famílias que se beneficiavam com o Bolsa-Família tenham espontaneamente se desligado do programa, declarando que tiveram aumentada a sua renda e não achavam justo continuar a receber o benefício.
É caso de pessoas humildes e pobres que vêem modificada a sua situação salarial e pedem desligamento do Bolsa-Família por entender não estarem mais presentes em suas vidas algumas circunstâncias desfavoráveis que as levaram a receber R$ 122 mensalmente para atenuar suas dificuldades.
São diversos os motivos do gesto que se pode chamar de altruístico porque poderiam ocultar que sua vida mudou e continuar a receber o benefício injustamente.
Entre as causas, pode-se dar exemplos magníficos: uma mãe de quatro filhos que tinha como renda apenas R$ 200 mensais, assim que conseguiu um emprego em uma revenda de carros, comunicou ao Bolsa-Família que renunciava ao benefício, em Belo Horizonte.
Uma desempregada residente em Guarulhos (SP), mãe de um filho de oito anos, passou a receber o benefício de R$ 75. Assim que conseguiu emprego de empregada doméstica, sua patroa assinou sua carteira de trabalho e ajudou-a a inscrever-se num curso de auxiliar de enfermagem. Declarou então: "Fui salva pelo Bolsa-Família, mas agora não estou mais precisando de ajuda. Então pedi desligamento do benefício".
E por aí se vão 60 mil dos que pediram desligamento do programa, entre as cerca de 11,7 milhões de famílias que se beneficiam do Bolsa-Família.
Além disso, as auditorias do programa flagraram 2,7 milhões de famílias que não necessitavam mais do benefício e foram desligadas por não terem notificado as mudanças para melhor em sua vida econômica.
As auditorias do programa, em consórcio com as prefeituras, mantêm estreito controle da vida das pessoas beneficiadas. Além da transparência das famílias, cada vez mais o cotidiano delas é observado pelas auditorias, que são capazes de avaliar, por exemplo, se uma criança saiu da escola, se algum membro da família conseguiu emprego, legitimando a ajuda somente para os realmente necessitados e desligando os que obtiveram progresso em seus ganhos de trabalho.
O chefe do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Neri, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, se entusiasma: "Sei que o pobre brasileiro é muito humilde e já soube de casos exemplares de pessoas que devolveram o cartão. Mas esse número de 60 mil devoluções aponta um grau espetacular de civilidade. É surpreendente".
Começa no fim de semana próximo o segundo turno do Brasileirão. Para o Grêmio, será uma parada dura, pois, de todos os candidatos ao título, o time de Celso Roth terá de enfrentar fora do Olímpico o Cruzeiro, o Palmeiras, o Flamengo o Vitória e o Internacional. Somente receberá em casa o São Paulo.
Em compensação, com o Internacional acontece exatamente o contrário: vai ser emocionante ver o Internacional trabalhando para o Grêmio no Beira-Rio, enfrentando ali exatamente os que podem tirar o título do Grêmio: Cruzeiro, Palmeiras, Flamengo e Vitória.
O Inter só joga com um grande inimigo do Grêmio fora de casa.
Já dá para quase afirmar que sem a ajuda do Inter o Grêmio não chega ao título. Deve ser incômodo para os colorados.
Isso vai dar muito o que falar por aqui até dezembro.
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