quinta-feira, 12 de junho de 2008


CLÓVIS ROSSI

De ódio e de princípios

SÃO PAULO - O grande psicanalista Luiz Inácio Lula da Silva decreta que a CPMF foi derrubada por "ódio" daqueles que não querem que as coisas dêem certo.

Alguma razão até tem. Em ódio não creio. É um sentimento forte, grande. Para o mal, mas grande e forte. A política brasileira é pequena demais para comportar sentimentos fortes. Torcida contra, aí, sim, acredito. É tudo o que uma oposição sem projetos pode fazer.

O problema nessa psicanálise de botequim é que o psicanalista não tem autoridade moral para criticar quem quer que seja. Primeiro, porque Lula, quando oposicionista, também era contra a CPMF. Ódio? Torcida para não dar certo?

Pior que isso. Como confessou, em entrevista a jornalistas brasileiros em Madri (setembro de 2007, Hotel Palace), Lula mudou de posição em relação à CPMF pelo seguinte: "Você não governa com principismo.

Principismo você faz no partido quando pensa que não vai ganhar nunca as eleições. Quando vira governo, governa em função da realidade que tem".Ou, em linguagem mais sincera, às favas com os princípios. Só servem para atrapalhar a "realidade".

Tem-se, então, que se trata do roto falando do esfarrapado, como se dizia antigamente. Neste como em toneladas de outros temas da política contemporânea. Os "princípios" vigentes são os de fazer negócios, em Brasília ou no Rio Grande do Sul, em São Paulo ou na Cooperativa Habitacional dos Bancários, batizada de "uma organização criminosa" com objetivos "político-partidários" pelo promotor José Carlos Blat.

Preciso lembrar quem, antes, já foi rotulado de "organização criminosa"? É da mesma família dos que só tinham princípios quando na oposição.

PS - Saiu a inflação de maio. A maior para o mês desde 1996. Também não preciso repetir a coluna de ontem, certo?

crossi@uol.com.br

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