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Reação a tarifas deve ser racional
Ainda que seja um dos principais atingidos pela medida assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, qualquer reação do Brasil à medida deve ser amplamente estudada. Todos os possíveis reflexos precisam ser considerados para evitar perdas ainda maiores para o país.
O Brasil foi o segundo maior fornecedor de aço para os EUA em 2024, superado apenas pelo Canadá. Será bastante prejudicado pelas tarifas anunciadas nesta semana, por conseguinte. Além disso, há os efeitos indiretos. Com os EUA mais protecionistas, o mercado brasileiro passa a ser mais cobiçado pelas siderúrgicas estrangeiras, como as da China.
O tarifaço de Trump começa a valer no dia 12 de março. Ainda há, portanto, um prazo de um mês para buscar abrir um canal de negociações produtivo e tentar reverter ou ao menos amenizar a barreira comercial. É tarefa para a diplomacia profissional do país, com o auxílio do próprio setor, em contato com a clientela norte-americana.
Do governo federal saem notícias de que se estuda, com cautela, a reação mais adequada. Fala-se em medidas de reciprocidade, e não exatamente de retaliação. Dependeria ainda de uma análise de como os demais países e blocos atingidos - incluindo aliados históricos como Canadá, União Europeia e Coreia do Sul - responderiam às tarifas norte-americanas.
Mas não deve ser descartada inclusive a hipóteses de a melhor estratégia ser não sobretaxar qualquer bem ou serviço. Diz-se que a atitude de Trump, com a pretensão de proteger a indústria local, é um tiro no pé por elevar a pressão inflacionária nos EUA. Revidar com um disparo que saia pela culatra não é o plano mais consequente.
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