sexta-feira, 15 de agosto de 2008



15 de agosto de 2008
N° 15696 - DAVID COIMBRA


Como o ping-pong mudou o mundo

No começo dos anos 70, Mao Tsé-tung decidiu que a China deveria reatar relações com os Estados Unidos.

Tratava-se de um movimento diplomático tão impensável quanto explosivo: o país comunista mais fechado do mundo abrir-se-ia para o campeão do capitalismo democrático. Na verdade, era uma forma de emparedar a União Soviética, numa daquelas encipoadas tramas da Guerra Fria. Um xeque-mate do velho Mao.

Pois sabe o que o Grande Timoneiro usou para aproximar os dois países?

O ping-pong.

Mao convidou a seleção americana de ping-pong para atravessar o mundo e vir enfrentar a chinesa em um amistoso. Os americanos entenderam o sinal. O desafio foi aceito e, logo em seguida, Henry Kissinger fez uma viagem secreta a Pequim, a fim de conversar pessoalmente com Mao Tsé-tung.

As tratativas redundaram na famosa visita de Nixon à China. O presidente americano chegou, e com ele um pelotão de jornalistas sequiosos para desvelar os mistérios do Império do Meio. Alguns segredos de fato ficaram a descoberto e foram levados para o Ocidente.

Durante a viagem, um dos jornalistas ficou doente. Foi tratado com acupuntura, curou-se e, ao voltar para casa, relatou a experiência em seu jornal. Foi assim que a acupuntura tornou-se popular no lado de fora da Grande Muralha.

É evidente que outros mistérios Mao escondeu direitinho. Num dos passeios de Nixon pela cidade, ele e a comitiva de repórteres cruzaram por um espelho d’água e se encantaram ao ver grupos de jovens que passeavam de mãos dadas, escutavam música em rádios a pilha e brincavam com barquinhos, tudo muito bucólico.

Os ocidentais se foram suspirando, mas um fotógrafo que havia esquecido uma de suas câmeras teve de voltar correndo ao lugar. Flagrou os adolescentes em fila, devolvendo os rádios e os barquinhos a funcionários do governo, que, ao som de apitos, os faziam marchar como soldados.

Coisas da China.

Mas o que quero dizer com isso é que cobrir a Olimpíada chinesa e não assistir ao campeonato de ping-pong é como... sei lá, comprar a Playboy com a Carol Castro na capa e só ler a entrevista.

O ping-pong, malfadadamente batizado por seus próprios praticantes de tênis de mesa, é levado muito a sério por aqui. E nem é porque teve essa casual importância política nos anos 70. É porque o ping-pong é o esporte mais popular deste país de milhões de milhões. Todo mundo joga e torce por ping-pong, na China.

Por isso, fui ao torneio olímpico de ping-pong nesta quinta-feira. E foi aaadmirável, como diria o Professor Ruy.

Os chineses construíram um ginásio inteiro só para o ping-pong olímpico, na Universidade de Pequim. É a primeira vez que isso acontece nos jogos – antes o ping-pong dividia espaço com outras modalidades. O ginásio tem capacidade para 7,5 mil espectadores. A pista, ou seja lá como se chame o local em que acontece o jogo, tem espaço para oito mesas. As oito estavam ocupadas. Uma delas pela equipe brasileira.

Via-se que os chineses estavam felizes nas arquibancadas. Eles aplaudiram até os fuwa, os bichinhos que simbolizam a Olimpíada de Pequim. Em cada competição os bonecos dos fuwa entram dançando e fazendo micagem. Cada boneco tem um chinês dentro, é óbvio. Um chinês que sofre com o calor do verão pequinês, coitado.

Mas o ping-pong. Os chineses torcem muito, no ping-pong. Gritam aquele jia you deles, fazem óóó para os lances bonitos e alguns, incrível!, até levantam de emoção nas arquibancadas. Achei que estávamos jogando bem, mas nossa seleção, com o Hugo Hoyama e tudo, perdeu para a da Suécia e foi desclassificada.

Os chineses venceram. Jogam um ping-pong feroz, agressivo e inteligente, que, como diria o Maurício Saraiva, explora os lados do campo. No caso, da mesa.

Somos uns ingênuos táticos no ping-pong, foi o que concluí. Ainda jogamos o ping-pong romântico. O ping-pong-arte, alegre, irresponsável. O Wianey está certo: só venceremos no ping-pong se jogarmos com mais volantes. Abram os olhos: o ping-pong do Brasil precisa de volantes!

A italianinha

A nadadora Federica Pellegrini usa a franja toda para um lado (foto). Quando ela está de touca não se consegue ver este detalhe. Mas quando tira, como tirou para receber a medalha de ouro dos 200 metros livre, o que se viu foi uma italianinha charmosa, que subiu sorrindo no posto mais alto do pódio.

Sempre sorrindo, mas com os olhos marejados, Federica cantou o hino italiano em posição de sentido, até que, aos acordes tantos, não agüentou de contentamento e começou a bater palmas. Cantava e marcava a melodia batendo palmas. Todo o Cubo d´Água, italianos, chineses, americanos e brasileiros, todos a imitaram. Uma mulher bonita não precisa de muito para comover uma multidão.

Aprendendo com os chineses

O taoísmo tem uma fórmula para recuperar e tornar longevos homens que estejam sentindo declinar a sua energia masculina. É preciso fortalecer o yang (a essência masculina) com o yin shi, que é a água do yin, ou secreções vaginais, de jovens mulheres.

Como tomar o remédio? Simples: o homem deve manter relações sexuais com o maior número possível de jovens sem jamais ejacular. Assim ele absorverá o poder das secreções das suas parceiras e se fortalecerá e viverá muito e sempre feliz, feliz, feliz.

Palavras de Confúcio:

“O homem superior é comedido em palavras, mas não em realizações”

“Quem não conhece o valor das palavras jamais compreenderá os homens”

“O homem realizado procura o que existe dentro de si. O homem frustrado procura o que aparece nos outros”

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