AGOSTO, MÊS DO DESGOSTO?
publicado em
recortes por Francisco Fernandes Ladeira
Ao contrário do
promulgado pelo senso comum, agosto não é, definitivamente, o mês do desgosto.
Como o mês está tradicionalmente associado ao azar, as pessoas tendem a lembrar
com maior ênfase dos fatos negativos. Ou seja, podem ocorrer trinta dias bons e
um ruim em agosto, mas o pior dia será sempre o mais lembrado.
Diz o dito
popular que agosto é o mês do desgosto. De acordo com os historiadores, esta
superstição começou com os romanos, durante a Idade Antiga. Segundo uma
crendice da época, no mês de agosto um grande dragão cruzava o céu de Roma
expelindo fogo pelas ventas.
Já uma lenda
cristã diz que 24 de agosto é o “Dia do Diabo”, data em que as portas do
inferno estariam abertas. Segundo uma tradição portuguesa, não era aconselhável
às mulheres casar no oitavo mês do calendário, porque nesse período os navios
das expedições colonizadoras saíam à procura de novas terras. Assim, casar em
agosto poderia significar solidão ou até enviuvar. Portanto, “casamento em
agosto, casamento de desgosto”. Na Argentina não é recomendável lavar a cabeça
em agosto, sob o risco de estar chamando a morte. No país vizinho, por causa do
frio e das intensas ventanias, o oitavo mês é associado à aparições de
assombrações que arrastam correntes.
Realmente, para o deleite dos supersticiosos, muitos fatos negativos, como o início dos conflitos entre católicos e protestantes na França (Noite de São Bartolomeu), a erupção dos vulcões Vesúvio e Krakatoa (que mataram milhares de pessoas) e o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki ocorreram no mês de agosto. Na História do Brasil, agosto está associado ao suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas.
Por outro lado, importantes acontecimentos, como a aprovação da Declaração dos Direitos Humanos (durante a Revolução Francesa), a fundação da Cruz Vermelha e a Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade (marco na luta pelos direitos civis dos negros estadunidenses) também ocorreram em agosto. Nada mau para um mês considerado de má sorte por muitos.Em suma, ao
contrário do promulgado pelo senso comum, agosto não é, definitivamente, o mês
do desgosto. Como o mês está tradicionalmente associado ao azar, as pessoas
tendem a lembrar com maior ênfase dos fatos negativos. Ou seja, podem ocorrer
trinta dias bons e um ruim em agosto, mas o pior dia será sempre o mais
lembrado. Em contrapartida, na Alemanha, agosto (principalmente as
sextas-feiras) é o mês preferido para os noivos marcarem seus casamentos.
Sendo assim, o
dito popular “agosto é o mês do desgosto”, como toda forma de superstição, não
possui respaldo na realidade. Portanto, maniqueísmos à parte, agosto é um mês
como qualquer outro, nem melhor nem pior.
Nenhum comentário:
Postar um comentário