terça-feira, 6 de janeiro de 2026

 Transportadores gaúchos não confiam no cenário econômico em curso

Estado de conservação das rodovias traz impactos econômicos e ambientais para transportadoreslinkedin sharing button
JC
Semestralmente a Confederação Nacional do Transporte – CNT realiza a pesquisa “Índice CNT de Confiança do Transportador”. A última amostragem teve o apoio da Fetransul, em sondagem realizada entre 24/11/25 e 14/12/25, aqui no Rio Grande do Sul.
O levantamento apontou que o cenário econômico tem um índice de aprovação de 38,8%, revelando tecnicamente a desconfiança do empresário gaúcho. Os fatores dessa instabilidade são o ceticismo político e a insegurança jurídica agravados pelos potenciais efeitos de aumento da carga tributária, a partir da implementação da reforma e descontrole de gastos públicos. Soma-se a isso a retração da demanda dos embarcadores de cargas devido ao consumo estagnado. Compõem ainda esta incerteza o preço do frete, que não tem acompanhado o aumento do custo dos insumos (pneus, peças e diesel).
Outro aspecto que se agrega é a insuficiência de infraestrutura apropriada e falta de perspectivas da realização de investimentos em projetos de longo prazo. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 avaliou 8.813 quilômetros de rodovias pavimentadas no estado (5.566 quilômetros sob jurisdição federal e 3.247 quilômetros sob jurisdição estadual).
Dessa extensão total, 72,9% foram classificadas em Estado Geral Regular, Ruim e Péssimo, bem acima do resultado para o Brasil, de 62,1% da extensão total classificada nessas categorias. O estado de conservação do pavimento das rodovias traz impactos econômicos e ambientais para os transportadores: a CNT estima aumento do custo operacional de 37,2% no estado em relação a um pavimento classificado como ótimo. Completa este quadro de insegurança a falta de mão de obra qualificada para o setor.
Além do cenário econômico, a pesquisa mede as expectativas para as atividades das empresas nos próximos seis meses. No RS, 50,7% dos transportadores expressam confiança, configurando uma estratégia de resiliência interna. Todavia, quando se apura o conjunto das medições do Índice CNT de Confiança, o percentual é de 46,7% no RS, apontando conclusivamente que falta confiança.

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