sábado, 17 de janeiro de 2026


17 de Janeiro de 2026
PARA VER - Ticiano Osório

"Ato Noturno" (2025), em cartaz nos cinemas, é o terceiro filme dos diretores e roteiristas Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. Na trama, um ator em ascensão e um candidato a prefeito mantêm um romance às escondidas

Um suspense erótico em Porto Alegre

Em cartaz nos cinemas de Porto Alegre desde quinta-feira, o suspense erótico Ato Noturno (2025) é o terceiro longa-metragem assinado pelos diretores e roteiristas Filipe Matzembacher, 37 anos, e Marcio Reolon, 41. Os três filmes da dupla porto-alegrense competiram em um dos principais festivais do mundo, o de Berlim.

O título de estreia, Beira- Mar (2015), foi exibido na mostra Fórum da Berlinale. Na trama, que se passa durante o inverno, dois jovens viajam ao litoral do RS: Tomaz (Maurício Barcellos) acompanha Martin (Mateus Almada), que precisa buscar documentos na casa de parentes. Na jornada, os dois amigos tentam se reaproximar enquanto lidam com emoções e experiências típicas da idade.

Tinta Bruta (2018) concorreu na mostra Panorama e recebeu o prêmio Teddy, que é destinado ao melhor filme com temática LGBTQIA+. Conta a história de Pedro (Shico Menegat), um jovem que tenta sobreviver, em meio a um processo criminal, à partida da irmã e única amiga e aos olhares que recebe sempre que sai na rua. Sob o codinome Garoto Neon e com o corpo coberto de tinta, ele faz performances eróticas no escuro do seu quarto para milhares de anônimos ao redor do mundo, pela internet. Ao descobrir que outro rapaz (Bruno Fernandes) de Porto Alegre está copiando sua técnica, Pedro decide ir atrás dele.

Ato Noturno também foi selecionado para a mostra Panorama. Ambientado em Porto Alegre, o filme acompanha um ator, Matias (interpretado por Gabriel Faryas), e um político, Rafael (Cirillo Luna), que vivem um caso em sigilo enquanto buscam ascender em suas carreiras.

Matias, que recém estreou um espetáculo teatral no qual divide cenas com seu colega de apartamento, Fábio (Henrique Barreira), persegue a oportunidade de estrelar uma grande série que vai ser gravada na capital gaúcha. Rafael, apoiado por empresários e escudado pelo chefe de segurança, Camilo (Ivo Müller), é candidato a prefeito e vem subindo nas pesquisas eleitorais.

Os dois personagens precisam ser discretos, mas há um elemento extra e explosivo de tensão: o tesão pelo sexo em lugares públicos de Porto Alegre. Pode ser no Parque da Redenção, por exemplo, ou em um morro da cidade. As cenas combinam sedução e ameaça, características realçadas pela direção de fotografia de Luciana Baseggio, pela montagem de Germano de Oliveira e pela trilha sonora de Arthur Decloedt, Thiago Pethit e Charles Tixier.

O elenco inclui Kaya Rodrigues, Larissa Sanguiné, Antônio Czamansky e Gabriella Grecco.

Produzido por Jessica Luz e Paola Wink, sócias da Vulcana Cinema, com Matzembacher e Reolon, Ato Noturno conquistou quatro troféus no Festival do Rio: melhor ator (Gabriel Faryas), melhor roteiro, melhor fotografia e o prêmio Félix (destinado a produções LGBTQIA+) de melhor filme.

Vale prestar atenção também na direção de arte assinada por Manuela Falcão e nos figurinos de Carolina Leão. Assídua nas roupas e nos objetos ligados ao Matias, a cor vermelha tanto remete à paixão, ao sangue que nos mantêm vivos, quanto à morte e ao perigo.

- O vermelho estava presente desde o roteiro, na descrição dos figurinos, nas cortinas do teatro, no sangue - disseram os cineastas Filipe Matzembacher e Marcio Reolon em entrevista à coluna (leia mais ao lado).

- O vermelho brilha ao revelar os sentimentos intensos de Matias, que desembocam em luz, tesão e violência. É uma cor que unifica o filme, sempre se mostrando muito presente quando entra em cena. O vermelho é como o Matias: pulsante, vivo e impossível de se esconder. _

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