segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Petrobras prevê investimentos bilionários no RS nos próximos anos

Refap é um dos empreendimentos que vem recebendo aportes seguidos

Refap é um dos empreendimentos que vem recebendo aportes seguidos

TÂNIA MEINERZ/JC
Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórter
O Rio Grande do Sul tem despertado o interesse da Petrobras em diversos segmentos que a companhia atua como, por exemplo, refino, indústria naval (através da sua subsidiária Transpetro), busca por petróleo e geração eólica. A empresa prevê investimentos bilionários no desenvolvimento de projetos nessas áreas, em alguns anos, no Estado.
Um dos destaques é o setor de refino. Para o biênio 2026-2027, a Petrobras informa que está previsto para a refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, aportes na ordem de R$ 680 milhões. Os recursos deverão ser empregados em iniciativas de segurança para as unidades operacionais, atualização de equipamentos críticos, eliminação de obsolescências, melhorias em infraestrutura, aumento de eficiência e rentabilidade, manutenção de tanques e paradas de menor porte.
Um marco importante, segundo a estatal, é o avanço em projetos de eletrificação na refinaria, como a substituição de turbinas movidas a vapor por motores elétricos, aproveitando a matriz energética limpa do Brasil. Com previsão de operação até 2030, essa transição contribuirá para reduzir a emissão em cerca de 220 mil toneladas de CO2 equivalente ao ano.
Já no ano passado, a Refap passou por um investimento de R$ 685 milhões, sendo boa parte desse montante destinado à parada de manutenção de unidades do complexo. Contudo, também foi feita a modernização do parque de tancagem, ampliando a capacidade operacional de estoque de petróleo e derivados.
Em um intervalo maior de tempo, o conjunto de investimentos previstos para a Refap no Plano Estratégico da Petrobras 2026-2030 soma cerca de R$ 2 bilhões em projetos recorrentes (pequeno porte, tancagem e paradas) e entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões em ações estruturantes de grande porte (como o novo Hidrotratamento de Diesel para Diesel S10). Porém, algumas dessas iniciativas ainda estão em avaliação.
Quanto ao projeto para transformar a Refinaria Riograndense, situada no município de Rio Grande, na primeira Biorrefinaria do Brasil, a Petrobras recorda que essa ação foi iniciada em novembro de 2023 e está sendo desenvolvida com apoio de uma equipe constituída por representantes dos três acionistas (Braskem, Petrobras e Ultra), pelo corpo técnico da própria refinaria e por algumas consultorias externas. O empreendimento está focado na produção de itens como combustível sustentável de aviação (SAF) e o chamado diesel verde (feito com matéria-prima renovável). Entre os insumos que podem ser aproveitados para fabricar esses combustíveis estão o óleo de soja, o óleo técnico de milho (TCO), o óleo de cozinha utilizado (UCO) e o sebo bovino.
O projeto possui um investimento total estimado em aproximadamente US$ 1 bilhão. A estruturação financeira para o empreendimento ainda será definida. A decisão final sobre o aporte está prevista para ocorrer no primeiro trimestre de 2026, o que autorizaria o início das obras. A partida da planta está prevista para ocorrer em 2028.

Demandas de subsidiária reaquecem polo naval gaúcho

Novas encomendas da Transpetro, subsidiária da Petrobras, têm reanimado a indústria naval do Estado. A empresa, no final de 2024, contratou o consórcio do estaleiro McLaren, do Rio de Janeiro, com o estaleiro Rio Grande, da Ecovix, para a construção de quatro navios da classe Handy com capacidades que variam de 15 mil toneladas a 18 mil toneladas de porte bruto (TPB). Essa contratação, conforme a Petrobras, tem investimento total de R$ 1,4 bilhão, com potencial para gerar aproximadamente 3,6 mil postos de trabalho diretos e indiretos em Rio Grande.
Além disso, mais recentemente, o Estaleiro Rio Grande venceu outra concorrência, dessa vez para a construção de cinco navios gaseiros da Transpetro, apresentando uma proposta de cerca de US$ 270 milhões. Ainda em Rio Grande, já no campo da energia eólica, a Petrobras instalou uma Boia Remota de Avaliação de Ventos Offshore (Bravo).
Trata-se de um equipamento que faz parte de um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) do Cenpes em parceria com o Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e o Instituto Senai de Inovação em Sistemas Embarcados (ISI-SE). A Bravo é capaz de registrar a velocidade e a direção dos ventos, além de variáveis meteorológicas, como pressão atmosférica, temperatura e umidade relativa do ar. Também mede variáveis oceanográficas, como ondas e correntes marítimas — dados essenciais para determinar o potencial eólico offshore (no mar). 
Além da Bravo, um dispositivo chamado de LiDAR foi instalado na monoboia de Tramandaí e entrou em operação em dezembro de 2025. Basicamente, todos os instrumentos presentes na boia Bravo foram colocados na monoboia, com exceção do flutuador, já que o equipamento utiliza a estrutura flutuante da própria plataforma. Ambos os dispositivos já estão realizando as medições e são monitorados continuamente pela equipe técnica do projeto. Os dados serão coletados ao longo de três anos de operação, sendo então processados e analisados para obter a estimativa do potencial eólico offshore da região. 
Ainda na área offshore, mas no campo mais tradicional de atuação da Petrobras, a estatal é atualmente operadora de 32 blocos exploratórios de petróleo em parceria com outras empresas na costa gaúcha, em uma distância de aproximadamente 200 quilômetros, totalizando uma área de 20,5 mil quilômetros quadrados. A estatal está na fase inicial de estudos na Bacia de Pelotas (área que abrange todo o litoral do Rio Grande do Sul), com foco na aquisição de dados sísmicos. Esta etapa é considerada de fundamental importância na avaliação do potencial petrolífero exploratório da região. 

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