sábado, 31 de janeiro de 2026

Governo do RS assinará novo contrato pelo programa de hidrogênio verde

Secretária Marjorie Kauffmann destaca ainda a perspectiva de crescimento do setor de etanol

Secretária Marjorie Kauffmann destaca ainda a perspectiva de crescimento do setor de etanol

Igor de Almeida/Ascom Sema/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórterNo próximo domingo (1), o governo do Estado deve oficializar um novo acordo inserido no Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Hidrogênio Verde (H2V). O contrato será firmado, em Vacaria, com a Rodoplast Indústria e Comércio de Componentes Plásticos. Conforme a secretária estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, o apoio econômico previsto pela iniciativa governamental para esse projeto é da ordem de R$ 30 milhões. O combustível renovável será fabricado pela empresa, que utilizará no processo resíduos sólidos urbanos (RSU).
Jornal do Comércio (JC) - Como está a evolução do programa de apoio ao hidrogênio verde elaborado pelo Estado?
Marjorie Kauffmann - O projeto do hidrogênio verde começou a ser desenhado em 2019 e teve os maiores desfechos em 2025. Neste ano ainda temos dois contratos importantes e licenças para entregar, que são da Rodoplast, que vamos fazer agora no dia 1º (domingo), em Vacaria, e depois tem ainda o contrato com a Âmbar (em Candiota, que terá o apoio de cerca de R$ 10 milhões do programa). Nós já assinamos com a B&8 (em Passo Fundo) e com a Tramontina (em Carlos Barbosa), no final do ano passado. A cadeia do hidrogênio vai crescer muito.
JC - Que outro segmento na área energética a senhora estima que terá destaque neste ano?
Marjorie - Eu acho que em 2026, pelo menos na minha percepção, dos eventos que eu participei e das licenças que entregamos no ano passado, é um momento que vai se falar muito de etanol. Além disso, a produção do DDG (sigla em inglês para grãos secos de destilaria, usado na alimentação animal), que é um subproduto vindo dos cereais (que serão usados como matéria-prima para fabricar o etanol no Rio Grande do Sul), será uma produção importante para agregar valor à cadeia pecuária.
JC - É possível citar exemplos de empreendimentos nessa área do etanol?
Marjorie - Já temos usinas instaladas, como a de Santiago (da empresa CB Bioenergia). O etanol vai ganhar um protagonismo, que talvez ele não tivesse nos últimos anos, porque agora as plantas de etanol estão maduras, começando a funcionar. Também tem a unidade de Passo Fundo, da B&8, e há várias cooperativas buscando esse caminho.
JC - A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) estão acompanhando os procedimentos dos licenciamentos ambientais da nova fábrica de celulose da CMPC, em Barra do Ribeiro, e do terminal portuário da empresa, em Rio Grande. Como estão esses processos?
Marjorie - Para o terminal, deve ser convocada a audiência pública em fevereiro. São projetos estratégicos, que são licenciados pela Fepam e acompanhados pela Sema. No caso da fábrica, tivemos algumas reuniões com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e com a própria CMPC para a gente alinhar a questão dos intervenientes. Ali teve uma questão de tribos, que estavam a um raio de poucos quilômetros, e que estão sendo observadas também pelo Ministério Público Federal.
JC - Quando deve ocorrer o lançamento oficial do Plano de Transição Energética Justa das regiões carboníferas do Rio Grande do Sul?
Marjorie - No primeiro trimestre. Nós entendemos que esse é o começo, não o fim. Mas, esse começo tem que estar costurado com a sociedade como um todo. Esse plano tem um cunho social e econômico para aquelas regiões que se entendem dependentes do carvão. Essas regiões têm um receio muito grande dessa substituição de energéticos e a busca desse plano foi desenvolver e descobrir outras potencialidades que o Estado pudesse estimular para que as pessoas pudessem migrar gradualmente para outras cadeias. Vai precisar ter incentivos econômicos para as soluções apontadas pelo plano e pensar programas para aquela região da Campanha.
JC - A senhora pretende sair do governo para concorrer nas próximas eleições ou a ideia é ficar?
Marjorie - Vou ficar no governo, até que a chefia me queira (risos). Como eu não sou política, eu nunca concorri a nada, embora eu tenha sido filiada primeiro ao PSDB e agora sou ao PSD, eu me considero dentro das estruturas de ambos os partidos como um quadro técnico dos partidos.
JC - E o que a senhora espera para o futuro da Sema?
Marjorie - Eu tenho um desejo profundo de que as coisas continuem avançando no Estado na estrutura que a gente montou, que é a da Secretaria do Meio Ambiente junto com a de Minas e Energia. Eu acho que isso faz muito sentido, ajuda muita coisa e acaba fortalecendo a pasta do meio ambiente, que estava muito desconectada com o desenvolvimento econômico.

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