Obra do aeroporto de Vila Oliva, em Caxias do Sul, deve começar em 2026
O projeto do Aeroporto Regional da Serra Gaúcha, em Vila Oliva, distrito de Caxias do Sul, entrou na fase de contratação da primeira etapa das obras. A licitação que inclui pista de pouso e decolagem, taxiway e estruturas operacionais está em andamento, com abertura das propostas marcada para 24 de fevereiro.
O investimento estimado é de R$ 147 milhões, com recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em convênio com a Secretaria de Aviação Civil do Ministério de Portos e Aeroportos.
De acordo com o secretário municipal de Planejamento de Caxias do Sul, Marcus Vinicius Caberlon, a infraestrutura preparatória já foi concluída e, após a licitação, o resultado precisará ser validado pelo governo federal, procedimento padrão em contratos com recursos da União. Se não houver recursos administrativos ou questionamentos judiciais, a prefeitura projeta que a ordem de início da obra seja emitida em até 90 dias após o recebimento das propostas.
O prazo contratual para a execução é de 36 meses. Já há R$ 15 milhões empenhados para o início das obras, e a previsão orçamentária para 2026 é de cerca de R$ 40 milhões em execução. O teto financeiro acordado entre o município e o governo federal é de R$ 200 milhões. Além do contrato principal, ainda serão licitados os programas ambientais e a supervisão da obra, estimados em aproximadamente R$ 15 milhões.
Construção do terminal de passageiros será na segunda fase do projeto
A construção do terminal de passageiros não está incluída nesta fase. Segundo Caberlon, o custo total do aeroporto deve variar entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões, o que exigirá uma solução complementar, como novos aportes federais ou a concessão à iniciativa privada. A prefeitura já definiu que não será responsável pela operação do aeroporto, que deverá ficar a cargo de uma concessionária.

Secretário de Planejamento e Parcerias Estratégicas de Caxias do Sul, Marcus Vinicius Caberlon espera que obras comecem neste anoPrefeitura de Caxias do Sul/Divulgação/JC
Embora o projeto seja anterior à enchente de 2024, o episódio reforçou a discussão sobre a dependência do Estado do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Para o secretário, o Vila Oliva deixou de ser visto apenas como um aeroporto regional. "Passou a ser entendido como uma alternativa estratégica para o Rio Grande do Sul", avalia. Ainda não houve revisão formal do projeto, mas o município admite a necessidade de ajustes, como ampliação da pista e redimensionamento do terminal de passageiros.
Do ponto de vista econômico, a expectativa é ampliar a conectividade aérea da Serra Gaúcha. Atualmente, de acordo com a prefeitura de Caxias do Sul, o Aeroporto Hugo Cantergiani movimenta cerca de 250 mil passageiros por ano e opera próximo ao limite físico.
Estudos conduzidos pela Infra S.A. indicam que aproximadamente 10% dos passageiros que desembarcam em Porto Alegre têm como destino Caxias do Sul e a Serra, além de um fluxo significativo de moradores da região que se deslocam até a Capital para embarcar. A projeção é de que o sistema aeroportuário local possa alcançar mais de 2 milhões de passageiros por ano até 2050.
A escolha de Vila Oliva decorreu de estudos locacionais conduzidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que avaliaram diferentes áreas da Serra Gaúcha. O local apresentou melhor desempenho técnico, considerando topografia, viabilidade ambiental e posição estratégica para atender Caxias do Sul, a Região das Hortênsias e o Vale dos Vinhedos.

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