terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Eduardo Leite decide renúncia ou permanência no Piratini em fevereiro

Governador do RS, Eduardo Leite deve deixar o cargo até o início de abril para concorrer a presidente da República ou senador

Governador do RS, Eduardo Leite deve deixar o cargo até o início de abril para concorrer a presidente da República ou senador

João Pedro Rodrigues/Secom/JC

Marcus MeneghettiO governador gaúcho Eduardo Leite (PSD) deve decidir nas próximas semanas se vai renunciar ao cargo para concorrer na eleição de 2026. Leite não esconde o desejo de concorrer à presidência da República, mas também não descarta uma candidatura ao Senado, que, no pleito deste ano, terá duas vagas em disputa.
A definição de outros candidatos ao Palácio do Planalto vai ser decisiva para o futuro político de Eduardo Leite. "O Brasil vive um cenário político ainda movediço, e eu me movimento dentro dele com clareza de propósito: quero, sim, ser presidente da República para ajudar a construir um caminho alternativo à polarização e focado em soluções para os problemas reais do País", reafrima Leite.
Mas, antes de tomar uma decisão, avalia com cautela o cenário nacional. "Minha decisão não depende apenas de uma vontade individual. Ela envolve contexto, partido e uma construção coletiva. Estamos em diálogo dentro do PSD e com outros atores desse campo político, e a expectativa é que essa definição sobre uma eventual candidatura seja feita nas próximas semanas, especialmente ao longo do mês de fevereiro", complementa o governador gaúcho.
Duas situações podem dificultar a candidatura de Leite ao Planalto. O primeiro desafio está dentro do próprio partido: além do gaúcho, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, quer representar o PSD na eleição nacional.
Em 2025, Leite e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, participaram de uma cerimônia de filiação de 30 perfeitos gaúchos à legenda. No evento realizado no teatro da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) em Porto Alegre, diversas lideranças gaúchas defenderam a candidatura de Leite ao Palácio do Planalto.
No entanto, após ouvir os apelos pela candidatura de Leite, Kassab se manteve neutro. "O Brasil está preparado para ter Eduardo Leite como presidente. Mas também está preparado para ter Ratinho Júnior como presidente. A sorte do PSD e do Brasil é que os dois serão presidentes, porque os dois são muito jovens", disse o presidente do PSD naquele evento.
Outra situação que pode afastar Leite da candidatura à Presidência é a decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em relação ao seu futuro político. Após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio é apontado como um dos principais líderes da direita brasileira. Ele também é apontado como um candidato competitivo por setores mais liberais do eleitorado.
Por isso, muitos líderes liberais e conservadores entendem que uma candidatura de Tarcísio à Presidência da República unificaria a direita contra a provável candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Neste cenário, a chance de o PSD apoiar a candidatura de Tarcísio aumentaria, o que, por consequência, enfraqueceria as indicações de Leite e Ratinho.
Entretanto, Tarcísio tem dito que prefere concorrer à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Neste caso, ele apoiaria a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) a presidente do Brasil.
De qualquer forma, o governador Eduardo Leite tem até o início de abril para deixar o Palácio Piratini para concorrer a algum cargo eletivo no pleito de 4 de outubro, visto que, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, o prazo de desincompatibilização é de seis meses antes da eleição.

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