sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

 Após 170 anos, Sociedade Germânia de Porto Alegre encerra atividades

Empreendimento na avenida Independência será doado ao Hospital Moinhos de Vento

Empreendimento na avenida Independência será doado ao Hospital Moinhos de Vento

TÂNIA MEINERZ/JC
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Mauro Belo Schneider
Mauro Belo SchneiderEditor-executivo
A tradicional Sociedade Germânia, na avenida Independência, em Porto Alegre, anuncia o fim de suas atividades após 170 anos. No local, ocorreram casamentos, formaturas e diversos eventos culturais. “Infelizmente, chegamos ao limite, sentimos muito. Mas há uma satisfação grande por saber que os propósitos da sociedade, definidos quando fundada, foram atingidos”, afirma Werner Adelmann, 90 anos, presidente da entidade nos últimos 26.
A Germânia tinha, recentemente, cerca de 40 sócios, mas chegou a ultrapassar os 300. Além disso, nos tempos áureos, eram realizados quatro eventos por fim de semana. Hoje, essa é a soma do mês. Duas funcionárias permanecem até o desligar das luzes.
Ocupando dois andares do prédio de número 1.299 da Independência, o sexto e o sétimo, os custos do empreendimento ficaram caros para manter. Tanto que um empréstimo de cerca de R$ 300 mil – que já foi pago - teve de ser feito e dívidas com o condomínio acumularam. Mas nada que comprometa o patrimônio da sociedade, reforça Adelmann.
Presidente Werner Adelmann lamenta fechamento, mas celebra preservação do propósito | TÂNIA MEINERZ/JC
Presidente Werner Adelmann lamenta fechamento, mas celebra preservação do propósitoTÂNIA MEINERZ/JC
Para o presidente, os motivos para as dificuldades financeiras estão relacionados à pandemia de Covid-19, à enchente e às mudanças de comportamento. “A juventude tem outras diversões. Os casamentos sumiram, pois hoje as pessoas gostam de casar em lugares abertos, debaixo de árvores. A perspectiva imobiliária também mudou, com grandes salões de festas nos condomínios”, analisa.
Está no estatuto da sociedade que, em caso de dissolução, ela deve ser doada para uma instituição beneficente. E o destinatário será o Hospital Moinhos de Vento. Ainda estão sendo planejados os futuros usos do espaço, mas tudo indica que possa virar um polo de educação. Adelmann ajudará na transição, pois garante conhecer todos os detalhes do edifício. 
Diversos casamentos e formaturas ocorreram nos clássicos salões  | TÂNIA MEINERZ/JC
Diversos casamentos e formaturas ocorreram nos clássicos salõesTÂNIA MEINERZ/JC
A Germânia iniciou como uma casa no mesmo endereço, que chegou, inclusive, a ser usada durante a Segunda Guerra Mundial pela Zona Aérea. Quando o prédio foi construído (a partir de uma negociação feita pelo prefeito da época, Alberto Bins), a sociedade passou a ocupar as salas. Era, até então, a segunda mais antiga do Brasil administrada por alemães, atrás do Rio de Janeiro.
O declínio vem ocorrendo ao longo do tempo. Primeiro, fechou o restaurante, embora até 2019 houvesse jantar dançante aos sábados e almoço aos domingos – opções encerradas em 2020. Há cerca de três anos, foi vendida metade do sétimo andar e retirada a clássica escada de mármore que ligava os dois ambientes. Os bazares de Natal e de Páscoa também atraíam diversos empreendedores e público à sociedade.
Adelmann revela que, embora as pessoas estejam chateadas com o fechamento, “todo mundo se convenceu que não houve outra alternativa”. Tanto que ninguém quis assumir como presidente em seu lugar quando surgiu a oportunidade.
Ao caminhar pelos salões vazios da Sociedade Germânia é quase possível ouvir o som das músicas que embalaram momentos especiais. As mesas, os móveis clássicos, a cozinha fechada, tudo conta história. E isso não se apaga.

A história

A Sociedade Germânia foi fundada em 1855 por ex-combatentes alemães contratados pelo Império. A maioria fixou-se no Brasil, em especial em Porto Alegre, e, devido ao seu caráter associativo, fundaram um clube eminentemente social e cultural, a Sociedade Germânia.
Diversos clubes de projeção nacional, como a Sociedade Ginástica de Porto Alegre (Sogipa), o Leopoldina Juvenil e o União, além do Hospital Moinhos de Vento e do Colégio Farroupilha, tiveram origem nos salões da Germânia.
Três anos antes da fundação do Theatro São Pedro, a Germânia começava a divulgar a música clássica em Porto Alegre. Chegou a abrigar as Confrarias Mozart de Ópera e Lumière de cinema, com a apresentação mensal de uma ópera e de um filme clássico, ambos com autoridades do setor convidadas para comentar as obras.
0; --tw-skew-y: 0; --tw-translate-x: 0; --tw-translate-y: 0; border-color: rgb(229, 231, 235); border-style: solid; border-width: 0px; box-sizing: border-box; font-weight: bolder;">Sociedade Germânia, na avenida Independência, em Porto Alegre, anuncia o fim de suas atividades após 170 anos. No local, ocorreram casamentos, formaturas e diversos eventos culturais. “Infelizmente, chegamos ao limite, sentimos muito. Mas há uma satisfação grande por saber que os propósitos da sociedade, definidos quando fundada, foram atingidos”, afirma Werner Adelmann, 90 anos, presidente da entidade nos últimos 26.
A Germânia tinha, recentemente, cerca de 40 sócios, mas chegou a ultrapassar os 300. Além disso, nos tempos áureos, eram realizados quatro eventos por fim de semana. Hoje, essa é a soma do mês. Duas funcionárias permanecem até o desligar das luzes.
Ocupando dois andares do prédio de número 1.299 da Independência, o sexto e o sétimo, os custos do empreendimento ficaram caros para manter. Tanto que um empréstimo de cerca de R$ 300 mil – que já foi pago - teve de ser feito e dívidas com o condomínio acumularam. Mas nada que comprometa o patrimônio da sociedade, reforça Adelmann.
Presidente Werner Adelmann lamenta fechamento, mas celebra preservação do propósito | TÂNIA MEINERZ/JC
Presidente Werner Adelmann lamenta fechamento, mas celebra preservação do propósitoTÂNIA MEINERZ/JC
Para o presidente, os motivos para as dificuldades financeiras estão relacionados à pandemia de Covid-19, à enchente e às mudanças de comportamento. “A juventude tem outras diversões. Os casamentos sumiram, pois hoje as pessoas gostam de casar em lugares abertos, debaixo de árvores. A perspectiva imobiliária também mudou, com grandes salões de festas nos condomínios”, analisa.
Está no estatuto da sociedade que, em caso de dissolução, ela deve ser doada para uma instituição beneficente. E o destinatário será o Hospital Moinhos de Vento. Ainda estão sendo planejados os futuros usos do espaço, mas tudo indica que possa virar um polo de educação. Adelmann ajudará na transição, pois garante conhecer todos os detalhes do edifício. 
Diversos casamentos e formaturas ocorreram nos clássicos salões  | TÂNIA MEINERZ/JC
Diversos casamentos e formaturas ocorreram nos clássicos salõesTÂNIA MEINERZ/JC
A Germânia iniciou como uma casa no mesmo endereço, que chegou, inclusive, a ser usada durante a Segunda Guerra Mundial pela Zona Aérea. Quando o prédio foi construído (a partir de uma negociação feita pelo prefeito da época, Alberto Bins), a sociedade passou a ocupar as salas. Era, até então, a segunda mais antiga do Brasil administrada por alemães, atrás do Rio de Janeiro.
O declínio vem ocorrendo ao longo do tempo. Primeiro, fechou o restaurante, embora até 2019 houvesse jantar dançante aos sábados e almoço aos domingos – opções encerradas em 2020. Há cerca de três anos, foi vendida metade do sétimo andar e retirada a clássica escada de mármore que ligava os dois ambientes. Os bazares de Natal e de Páscoa também atraíam diversos empreendedores e público à sociedade.
Adelmann revela que, embora as pessoas estejam chateadas com o fechamento, “todo mundo se convenceu que não houve outra alternativa”. Tanto que ninguém quis assumir como presidente em seu lugar quando surgiu a oportunidade.
Ao caminhar pelos salões vazios da Sociedade Germânia é quase possível ouvir o som das músicas que embalaram momentos especiais. As mesas, os móveis clássicos, a cozinha fechada, tudo conta história. E isso não se apaga.

A história

A Sociedade Germânia foi fundada em 1855 por ex-combatentes alemães contratados pelo Império. A maioria fixou-se no Brasil, em especial em Porto Alegre, e, devido ao seu caráter associativo, fundaram um clube eminentemente social e cultural, a Sociedade Germânia.
Diversos clubes de projeção nacional, como a Sociedade Ginástica de Porto Alegre (Sogipa), o Leopoldina Juvenil e o União, além do Hospital Moinhos de Vento e do Colégio Farroupilha, tiveram origem nos salões da Germânia.
Três anos antes da fundação do Theatro São Pedro, a Germânia começava a divulgar a música clássica em Porto Alegre. Chegou a abrigar as Confrarias Mozart de Ópera e Lumière de cinema, com a apresentação mensal de uma ópera e de um filme clássico, ambos com autoridades do setor convidadas para comentar as obras.

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