terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Retrato definitivo de Churchill na Segunda Guerra

a guerra de churchill

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EDITORA INTRÍNSECA/DIVULGAÇÃO/JC
twitter sharing buttonJaime CimentiMuito já se falou e se escreveu  sobre a atuação fundamental de Sir Winston Churchill , primeiro-ministro da Grã-Bretanha, a partir de 1940 na Segunda Guerra Mundial . Político de formação militar e oriundo de família aristocrática, Churchill assumiu depois da queda de Neville Chamberlain e quando os britânicos, desconfiados e inseguros,  queriam ser liderados por um guerreiro.
A guerra de Churchill – 1940-1945 ( Editora Intrínseca, 624 páginas, R$ 119,90, tradução de Berilo Vargas) de Max Hastings, renomado historiador militar,  ex-repórter da BBC e ex-editor do British Daily Telegraph e do London Evening Standard , autor de vários livros sobre Vietnam, Yom Kippur e Guerra do Atlântico Sul , entre outros,  se propõe a ser um retrato definitivo sobre a atuação do grande e carismático líder. A posse dela marcou um ponto da virada na Guerra .
Hastings, que recebeu vários prêmios importantes como o Pritzker Library , não se limita a contar mais uma vez a história de Churchill. Hastings  retrata a liderança do primeiro-ministro desde o primeiro dia, em 10 de maio de 1940, mostrando o contexto histórico da experiência nacional da  Grã-Bretanha. A primeira parte do conflito recebeu uma atenção maior e foi nela que Churchill foi mais marcante.
Oitenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a Intrínseca lança esta obra de referência, um retrato vivo e incisivo dos passos do grande britânico. Por pura determinação,  Churchill impediu uma derrota que parecia certa para a Inglaterra.  Mais tarde os Estados Unidos enfim entram na guerra,  os soviéticos mudam o rumo da Frente Oriental e a importância de Churchill diminuirá. Mas Churchill teve o grande mérito de administrar estrategicamente as relações com os líderes aliados para manter a influência britânica e limitar as vitórias de Stalin.
O mérito de Hastings , que rejeita as biografias tradicionais de Churchill , é revelar as falhas e análises equivocadas do líder inglês e mostrar como ele tinha “apetite para a briga” e uma enorme confiança do povo , o que ajudou a nação a suportar uma guerra amarga.

Lançamentos

Minha Paris e um pouco mais ( Ed. da Autora, 420 pp.) de Miriam da Costa Oliveira,   médica, fotógrafa ,ex-reitora e professora-doutora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de P.A. tem belíssimas fotos em cores de Paris, Normandia, Champagne, Auvergne , Rhône, Alsácia e Provence. Com textos primorosos sobre locais históricos , pontos turísticos, gastronomia , castelos e palácios, a obra é um imperdível passeio de flaneur pelas vidas e eternas festas francesas.
Um tipo diferente de poder ( Objetiva, 352 pp., R$ 69,90) de Jacinda Ardern, ex-deputada e primeira-ministra mais jovem da Nova Zelândia (2017-2023) , memórias de uma líder humanista, apresenta sua inspiradora história. Ela conciliou maternidade e poder, investiu em educação, lutou contra a pandemia e mudanças climáticas e trouxe nova forma de liderança, com coragem e empatia.
Kokoro ( Estação Liberdade, 256 pp., R$ 56) romance do grande escritor japonês Natsume Soseki, publicado em 1914 é sua obra-prima . O título circunda ideias de coragem, mente, alma e essência e evoca a intimidade dos sentimentos humanos- solidão,amizade, culpa, desejo e amor. Um jovem estudante e um homem mais velho, o “professor”, em meio a palavras e silêncios e mudanças no Japão (era Meiji) , compõe a delicada e profunda narrativa deste notável romance psicológico.

2025 escalafobéticoe o vale-tudo

Fim de ano, andei lendo e fazendo retrospectivas sobre este escalafobético e pós-moderno 2025 e, como resultado, sonhei que 2025 parecia o Ringue Doze, espetáculo de luta-livre que a TV Gaúcha transmitia, com sucesso, nas noites de domingo, a partir do Ginásio da Brigada Militar, nos anos sessenta. Aquela espécie de "marmelada verdadeira" foi até 1969.
Éldio Macedo, marronzinho mais elegante da cidade, apresentava as lutas vestindo smoking. Marreta, boxeur e dono de galeteria, marretava o gongo marcando os assaltos. O professor Jorge Aveline comentava sério e fake as lutas  e dizia a toda hora "o lutador estatelou-se"... O juiz alertava para as regras: nada de golpe abaixo da linha de cintura, dedo ou limão nos olhos, puxar o cabelo do adversário e dar mordidas, beliscões, cuspidas e cabeçadas.
No início das lutas as regras até eram seguidas. Depois vinham as desobediências dentro e fora das quatro linhas, intrusos invadiam o ringue, senhoras davam de sombrinha nos lutadores vilões e etc. A diferença do Ringue Doze para hoje é que, para o vale-tudo antigo, havia regras, ao menos nos primeiros rounds. Agora os vale-tudos não têm regras nem no início das lutas. 2025 foi o Ringue Doze sem regras.
Em 2025, dizem,  a impressão é que o Brasil não recuou nem avançou. Foi tipo jogar futebol com poças de água no campo. O país manteve-se em "equilíbrio instável ". Será? Ninguém, muito menos o Congresso e o Executivo, prometeram soluções, apenas falaram em continuar funcionando, com as interferências do judiciário.
Na economia parece que crescemos só o suficiente para afastar o medo. Nada de entusiasmo. O custo de vida está aí, mostrando que a estabilidade macroeconômica não se traduz automaticamente em alívio social. Menos esperança, mais prudência, é que temos para hoje. O País administra expectativas com a mesma atenção que administra déficits. Não estamos mais interessados em atalhos, ficamos descrentes deles. Menos slogans e mais consequências, é o que as pessoas querem.
Em termos sociais, as pessoas mostram sinais claros de fadiga. Mais da metade da população prefere algo diferente da polarização política deletéria que nos atrasa e inferniza. Menos protestos, mais resiliência e ceticismo para segurar o rojão. Parece que os brasileiros  não estão mais tão profissionalmente esperançosos e que não esperam milagres. Pensam que as coisas não piorando já estará bom.  
Na área cultural, o livro segue firme, ganhando protagonismo e centralidade simbólica, e a memória voltou a ser matéria-prima. Música e audiovisual fortes. O passado foi convocado como ferramenta para tentarmos compreender o que somos e o que é esse País múltiplo. Clarice Lispector, Machado de Assis e Oswald de Andrade estão aí para nos ajudar a interpretar nosso País, quem sabe para  conseguir deixar de ser o País do futuro e se tornar uma verdadeira nação. 
a propósito
Enfim, parece que o mundo em 2025 não mudou de ideia, mas sim de tom. O saldo de 2025 aponta para um ano que não foi heroico, mas também não foi trágico. Parece que estamos percebendo que é preciso um ajuste moral e intelectual e que as sociedades se deram conta de que as utopias vagas e  as rupturas profundas não têm mais espaço. Se dá para dizer que o Brasil não sonhou alto e que preferiu respirar fundo em 2025, este gesto parece dizer muito, numa terra onde estamos  acostumados a conviver com sobressaltos, escândalos e  tumultos diversos. E que venham regras boas para o vale-tudo nacional e mundial que anda por aí. Feliz 2026, queridos, fiéis e pacientes vinte e quatro leitores.  (Jaime Cimenti)

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