
Trump pode estar armando uma bomba-relógio
Há muitas dúvidas sobre o plano de Donald Trump para a Venezuela - como, até hoje, existem buracos sobre o projeto para a reconstrução de Gaza, após o cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas. No caso do país sul-americano, do pouco que se sabe, explicitado ontem pelo secretário de Estado, Marco Rubio, há grandes riscos.
Por um lado, faz sentido não destroçar o establishment militar bolivariano, que é quem realmente manda no país, sob pena de uma "iraquização" da Venezuela. Mas, com seu projeto estabilização-recuperação econômica-transição, os Estados Unidos podem estar armando uma bomba-relógio que vai explodir lá na frente. Mais tardar, em seis meses.
Eu explico: se a Constituição venezuelana ordena a realização de eleições gerais em 90 dias (prorrogáveis por mais 90), em caso de governo interino, estamos falando de um pleito em seis meses. Ou a Casa Branca vai permitir que o governo de seu mais novo protetorado, chamado Venezuela, permaneça no poder para além da Constituição?
Próximos passos
Nada é impossível desde o 3 de janeiro, ainda mais que estamos falando de uma ditadura tutelada, como outrora tivemos no Brasil. Mas, por experiência própria, sabemos bem, que 180 dias é pouco tempo para uma transição "lenta, gradual e irrestrita".
E, como o chavismo-madurismo demonstrou nas últimas décadas, eleições, por si só, não garantem democracia. No caso venezuelano, é preciso reformar as instituições de Estado, a começar pelo Tribunal Supremo e pelo Conselho Nacional Eleitoral. Mas também garantir libertação de presos políticos, retorno de exilados, liberdade política e de expressão e segurança para a imprensa profissional.
Sem isso, será bem provável que a Venezuela troque o ditador de esquerda por outro tirano, desde que palatável ao gosto de Washington. _
Exportações caem sob gestão Maduro
Nos anos da Venezuela governada por Nicolás Maduro, tanto o Brasil quanto o RS registraram quedas no valor (em US$) e no volume das exportações do agronegócio. Os dados são da Farsul Big Data, com informações do ComxStat.
O levantamento leva em consideração a série histórica iniciada em 1997, com comparação entre os ex-presidentes Rafael Caldera (1997-1998); Hugo Chávez (1999-2013); e Nicolás Maduro (2013-2025).
Destacam-se fumo e derivados, carne de frango e preparações alimentícias à base de cereais. A Farsul ressalta, ainda, a importância do arroz, segundo principal destino do grão gaúcho. _
As rotas ilegais para acessar o Brasil
Motociclistas e motoristas venezuelanos cruzam para o Brasil por rotas clandestinas na fronteira entre os dois países.
Enquanto na BR-174, militares do Exército fiscalizam os veículos que entram em território brasileiro, a 500 metros dali o tráfego irregular constante ocorre ao lado, por uma área verde, por meio de caminhos de terra.
Alguns trechos começam ao lado de um posto das forças armadas venezuelanas e terminam dentro do município brasileiro de Pacaraima (RR), fazendo uma curva que escapa à fiscalização das autoridades.
Durante 30 minutos, na manhã de ontem, Zero Hora flagrou a passagem de pelo menos 15 motociclistas transportando diferentes produtos, como botijão de gás, combustível e pacotes que pareciam conter carne. Também um SUV passou pelo local. Em dias anteriores, até caminhões foram avistados.
Na segunda-feira, quando visitou a área, o general Roberto Angrizani, comandante da 1º Brigada de Infantaria de Selva, testemunhou a passagem irregular. Ele cobrou da tropa ali presente que ampliasse a fiscalização. _
Bandeira a meio-mastro em homenagem aos mortos
Membros da Guarda Nacional Bolivariana puseram a bandeira da Venezuela a meio-mastro na manhã de ontem.
A ação obedece ao decreto assinado pela presidente interina Delcy Rodríguez, em homenagem aos mortos no ataque dos Estados Unidos a Caracas e outras regiões e que resultou na captura de Nicolás Maduro.
Segundo o jornal The New York Times, 80 pessoas morreram na ação. A Venezuela não informou números oficiais, mas, na terça-feira, as forças armadas bolivarias prestaram homenagem a 24 soldados venezuelanos mortos.
No marco de fronteira entre Brasil e Venezuela, as bandeiras ficam lado a lado, à margem da BR-174. Enquanto o símbolo nacional era baixado a meio-mastro pelas autoridades venezuelanas, militares brasileiros, no meio da pista, seguiam com o trabalho de revista de quem chegava ao país.
O luto oficial na Venezuela é válido por sete dias. A bandeira do Brasil seguiu em sua posição normal, no alto do mastro. _
Aviso aos jornalistas
Na segunda-feira, autoridades venezuelanas prenderam 14 jornalistas em Caracas durante a posse de Delcy Rodríguez.
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