sábado, 24 de janeiro de 2026

Dmae liderou investimentos da prefeitura de Porto Alegre em 2025

Dmae concentrou cerca de 70% dos R$ 175,6 milhões aportados pelo Executivo da capital gaúcha

Dmae concentrou cerca de 70% dos R$ 175,6 milhões aportados pelo Executivo da capital gaúcha

TÂNIA MEINERZ/JC
Ana Stobbe
Ana StobbeRepórterA prefeitura de Porto Alegre investiu R$ 175,6 milhões em 2025 em recursos próprios — desconsiderando fundos ou repasses. Do valor, cerca de 70% foi desembolsado pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), o restante ficou concentrado, principalmente, nas pastas de Educação e de Obras e Infraestrutura.
No caso do Dmae, autarquia que será parcialmente concedida à iniciativa privada, foram investidos R$ 124,44 milhões. Os aportes dão conta de obras para manutenção e melhoria nos serviços, especialmente após as enchentes de maio de 2024, que afetaram algumas estruturas do órgão.
Assim, a manutenção no sistema de abastecimento d'água recebeu R$ 26,4 milhões, enquanto as melhorias na infraestrutura para manejo de águas pluviais urbanas foram beneficiadas com R$ 25,34 milhões. A qualificação dos sistemas de abastecimento d’água ficou com R$ 19,23 milhões.
Um dos principais gargalos da cidade em relação à resiliência climática é a drenagem pluvial. Ou seja, o sistema responsável por evitar alagamentos em vias públicas nos dias de chuva. Para esse fim, foram desembolsados R$ 18,72 milhões.
Já para o esgotamento sanitário, incluindo a manutenção e a qualificação do sistema, foram destinados R$ 25 milhões. A cobertura da coleta e do tratamento de rejeitos e a conexão de residências com a rede de esgoto são alguns dos principais desafios da prefeitura frente ao cumprimento do Marco Legal do Saneamento, que prevê metas para a universalização do serviço.
Hoje, Porto Alegre trata 52% do esgoto sanitário do município. A legislação, entretanto, prevê que até 31 de dezembro de 2033, 90% da população de todas as cidades brasileiras tenha seu esgoto coletado e tratado. Os investimentos, para cumprir com o requisito, precisariam aumentar consideravelmente. 
Esse, inclusive, foi um dos principais argumentos para a concessão parcial do Dmae à iniciativa privada, que foi aprovada em 2025 pela Câmara Municipal de Porto Alegre. Conforme entrevista concedida em fevereiro passado pelo então diretor-geral da autarquia, Bruno Vanuzzi, ao Jornal do Comércio, ele defendeu que, embora o órgão seja superavitário, há uma incapacidade para dar conta dos investimentos necessários
"O objetivo é contratar (por meio da concessão) serviços que complementem os já oferecidos pelo Dmae, acelerando investimentos e trazendo recursos privados para reforçar a capacidade financeira do município. Esse modelo permite um volume de investimentos superior à capacidade do Dmae, sem comprometer sua existência. O parceiro privado assume mais riscos e deve investir recursos próprios, diferentemente dos contratos tradicionais, financiados exclusivamente com dinheiro público", afirmou Vanuzzi na ocasião.
Além do Dmae, a Secretaria de Educação abocanhou R$ 31,77 milhões dos investimentos, destinados, principalmente, às escolas de Ensino Fundamental. Já a Secretaria de Obras e Infraestrutura desembolsou R$ 15,15 milhões, sendo aproximadamente um terço do montante destinado à ampliação e melhoria da infraestrutura viária.

Novos valores foram anunciados

A prefeitura de Porto Alegre anunciou em dezembro o chamado POA Futura, um pacote de R$ 7 bilhões em investimentos que virão de nove instituições bancárias e financeiras nacionais e internacionais — R$ 1 bilhão sob gestão do Dmae — com a projeção de transformar a cidade até 2029, em 300 obras e ações organizadas nos pilares Resiliência e Proteção (R$ 4,2 bilhões); Infraestrutura e Mobilidade (R$ 796,1 milhões); Qualidade de Vida (R$ 1,2 bilhão); Gestão Digital e Integrada (R$ 382,7 milhões); e Desenvolvimento e Inclusão Social (R$ 450,4 milhões).
Dentro deste plano, já estão efetivamente em execução a partir de 2025 sete grupos de obras ou ações, representando R$ 1,3 bilhão até 2029. A principal delas é a recuperação de arroios, com destaque para o Arroio Cavalhada, com orçamento de R$ 628,2 milhões até 2029, seguido pelos projetos de reassentamentos, unidades residenciais e o Pró-Moradia, com R$ 266,5 milhões aportados até 2029.
No caso do montante que ficará com o Dmae, já têm destinação definida R$ 648,3 milhões em variados projetos. Entre eles, o avanço as obras do Sistema de Abastecimento de Água (SAA) Ponta do Arado, no bairro Belém Novo, orçado em R$ 270 milhões, além do projeto de macrodrenagem, com financiamento federal, para 26 obras na bacia do Arroio Areia, com R$ 108 milhões aportados. Outros R$ 91 milhões são desembolsados na renovação da tubulação em 63 quilômetros.

Ficha técnica

Investimento: R$ 1.475.617.451,93
Estágio: Executvado (R$ 175.617.451,93) e Anunciado (R$ 1,3 bilhão)
Responsável: Prefeitura de Porto Alegre
Cidade: Porto Alegre
Área: Infraestrutura

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