
É hora de abrir a caixa-preta do Master
Só uma vez na história recente do país a liquidação de um banco teve contornos parecidos com os que cercam o Master, de Daniel Vorcaro. Foi à época da liquidação do Econômico, o banco de Ângelo Calmon de Sá. Se você tem mais de 40 anos, talvez lembre da expressão "Pasta Rosa", que poderia ser chamada de Caixa de Pandora do Econômico, liquidado em 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso.
Como agora no caso do Banco Master, falava-se da "Pasta Rosa" como uma bomba capaz de sacudir os alicerces da República, porque continha informações comprometedoras sobre a vida de autoridades. Quando veio a público, o conteúdo estava em um envelope pardo e mostrava, basicamente, doações de campanha para candidatos. Havia uma lista de nomes que Calmon de Sá encaminhara à Febraban, com a sugestão de que fossem contemplados com recursos para a disputa eleitoral.
Outras folhas soltas mostravam pagamentos do Econômico a fornecedores de material de campanha, emissoras de TV, agências de publicidade e empresas de táxi aéreo usadas por candidatos. Traduzindo, eram doações de caixa 2, ilegais.
No caso do Master, a quebra de sigilo de tudo o que envolve o banco quebrado de Daniel Vorcaro permitirá separar o que é fato do que é boato e mapear os interesses em jogo. O Brasil tem o direito de saber quem tentou interferir para garantir que Vorcaro passasse o mico para o Banco Regional de Brasília, que compraria uma instituição bichada, com uma carteira de crédito falsa de R$ 12 bilhões.
Brasil tem o direito de conhecer interesses em jogo
Os interesses do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União, também precisam ser esclarecidos, para que não pairem dúvidas sobre a lisura do seu comportamento ao pedir uma auditoria no processo de liquidação do Master. O Banco Central contestou o fato de a auditoria ser pedida pela decisão monocrática de um ministro.
Registre-se que, em nome de Vorcaro, empresas tentaram contratar influencers para divulgar uma notícia do portal Metrópoles e que o ministro Jhonatan de Jesus admitia a possibilidade de reversão da liquidação.
Aliás
A Caixa de Pandora do Master também deve esclarecer os contratos fora de padrão com escritórios de advocacia, entre os quais o de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Como informou a jornalista Malu Gaspar, Moraes teria conversado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a compra do Master pelo BRB e sido informado de que a operação não seria autorizada por indícios de fraude.
A abertura da caixa-preta permitirá que se entenda por que o ministro Dias Toffoli avocou para si o processo envolvendo o Master, que tramitava na Justiça Federal, e por que decretou um dos mais altos níveis de sigilo.
Vereadores de Caxias do Sul comemoram aumento de gastos
A comemoração dos vereadores de Caxias do Sul, após a aprovação da criação de 25 cargos de assessor e de uma verba de gabinete de R$ 4,8 mil mensais, sugere que ninguém teme a cobrança do eleitor - até porque a próxima eleição municipal será em 2028. O novo presidente, Wagner Petrini (PSB), assumiu disposto a atender à demanda dos colegas por mais privilégios e bancou a proposta, sabendo que tinha respaldo da ampla maioria.
Foram 17 votos a favor e apenas três contrários para aumentar a verba de gabinete: dos vereadores José Abreu (PDT), o Jack, Daiane Mello (PL) e Marisol Santos (PSDB). Já na deliberação sobre a criação de cargos, foram quatro contrários ante 16 favoráveis: Andressa Marques (PCdoB), Cláudio Libardi (PCdoB) e novamente Daiane e Marisol. Nos dois projetos, não votaram Sandra Bonetto (Novo), que está de licença-saúde, e Capitão Ramon (PL), em viagem.
Cada vereador, que já tem três assessores, ganhará agora um chefe de gabinete. Além do subsídio de R$ 15 mil, todos terão direito a uma verba de representação de R$ 4,8 mil por mês, que custará R$ 1,3 milhão aos cofres públicos, se todos usarem o valor até o limite.
A justificativa do presidente da Câmara, dada à Rádio Gaúcha Serra, é de que a verba é necessária porque "há vereadores do interior do município que gastam um valor considerável em combustível" e "é preciso dar condições para que os eleitos entreguem um serviço melhor à comunidade". _
Em 14 anos, RS soma 1.280 feminicídios
Pense na Catedral Metropolitana de Porto Alegre com todos os seus bancos ocupados - 1,1 mil lugares -, mais 180 pessoas em pé. Pois é esse o número de mulheres vítimas de feminicídio desde 2012 no Rio Grande do Sul. Em 14 anos, foram 1.280 casos de mulheres mortas por serem mulheres. Na mesma Praça da Matriz, outro ícone do Estado dá a dimensão do que esse número significa. As vítimas de feminicídio nesses 14 anos representam duas sessões lotadas do Theatro São Pedro.
Os dados foram compilados pela Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher, da Assembleia Legislativa, com base em informações da Secretaria da Segurança Pública do Estado.
A média é de 91 casos registrados anualmente. Desde o início do levantamento, 2018 foi o ano mais letal, quando 116 mulheres foram assassinadas.
Não bastassem as ocorrências que culminam na morte, o Estado também registrou 27.426 estupros em 14 anos.
Venezuela precisa agora libertar presos políticos
Ainda é cedo para dizer que a Venezuela mudou para que tudo continue como estava, só que sem o ditador fanfarrão Nicolás Maduro.
A vice que assumiu o poder, Delcy Rodríguez, é produto da mesma eleição fraudada, um tipo de golpe que deu certo por algum tempo, mas expôs ainda mais o despreparo de Maduro. Logo, não tem legitimidade para conduzir o país.
A expectativa dos venezuelanos - e dos líderes da oposição - é de que haja eleições livres para retomar a normalidade.
É claro que não se faz uma eleição de um dia para o outro, ainda mais em um país que está com as instituições destroçadas, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diz que não há pressa.
Quantos presos políticos foram libertados? Ao que se saiba, nenhum - e a maior parte foi encarcerada sem julgamento. Os jornalistas continuam com dificuldade para entrar no país e mostrar a verdadeira situação dos venezuelanos.
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