Nova Olaria não deve ter volta da Bamboletras e situação do cinema é incerta
Cássio FonsecaAntes um icônico ponto cultural de Porto Alegre, a galeria Nova Olaria chegará em 2026 de cara nova. Por um lado, estão os novos planos para o espaço na rua General Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa, com três torres residenciais e atrações gastronômicas. Por outro, ficam as recordações do cinema de arte Guion e a livraria Bamboletras, por exemplo. O primeiro chegou a fechar antes da reforma — que segue em vigor — e virou o Cine Grand Café, que também não irá retornar. Quem cuida da parte comercial do projeto é a empresa Dallasanta, enquanto a Cyrela é a construtora.
Deste segundo ponto de vista, ainda que cercado por incerteza, o que se entende é que a Capital perde acesso à cultura além do mainstream. A Dallasanta, no entanto, afirma que segue em negociações com a Bamboletras para que o negócio retorne, mesmo que em outros moldes, e segue aberta a propostas para novas operadoras de cinema.
O jornalista e proprietário da livraria, Milton Ribeiro, alerta que a tendência é que não haja um desfecho positivo nesta história. Ele recorda que quando saiu da galeria, em 2022, havia a palavra de que seu espaço seria mantido. Recentemente, quando foi visitar a obra, viu que o perímetro que lhe caberia, antes com cerca de 35 m², passou para 13 m². O retorno, portanto, ficou mais desafiador.
“É difícil colocar uma livraria. Disse que iria ver com os parceiros e com o meu filho. Porque, afinal de contas, tenho 68 anos e vai ficar tudo para ele. O resultado é que todo mundo foi contra ir para lá, inclusive pela anunciada ausência do cinema”, relata. A relação entre a livraria e o cinema, conforme Ribeiro, era de benefício mútuo, com um aproveitando o movimento do outro. “Eu ainda não disse que não vou. Mas a tendência é não ir em função dessa proposta”, completa o jornalista.
A ideia seria manter a Bamboletras dentro de uma antiga igreja apostólica, na avenida Venâncio Aires, nº 113, que foi o destino da operação em julho de 2022, após deixar a Nova Olaria, e retornar à galeria com uma segunda loja.
O cineasta e advogado que atua na área de entretenimento há mais de 20 anos, Henrique de Freitas Lima, detalha que esteve envolvido com o espaço desde a época do Guion e auxiliou na venda do ponto para o Cine Grand Café. Posteriormente, já nos últimos meses dessa operação, começou a trabalhar com a Cyrela e com a Dallasanta para o pós-reforma na busca por novos projetos.
O porém é que o advogado afirma ter parado de receber respostas da Dallasanta. Ele entende que há o clamor de um público consolidado atrás de um cinema de arte, algo cada vez mais escasso na Capital, e que este é um “tiro no pé” do ponto de vista comercial. “Tenho operadores de cinema interessados em fazer propostas, inclusive já com o financiamento para construir as salas novamente. Mas o fato é que eles não estavam abertos para receber as propostas”, acrescenta Silva.
Ainda assim, há um fundo de otimismo para o cineasta, que relata uma situação incômoda, mas entende que o crescimento do cinema brasileiro nos últimos anos é um claro indicativo de que o negócio seria proveitoso. As portas para um cinema, de acordo com a empresa, seguem abertas.
Confira na íntegra o posicionamento da Dallasanta
Sobre Cinema e Bamboletras:
Sobre a situação da Galeria Nova Olaria, informamos que foi realizada recentemente uma visita à atual unidade da livraria Bamboletras. Seguimos em tratativas com o proprietário e estamos no aguardo para que a operação retorne, ainda que em um novo formato, o que é um desejo da Dallasanta.
Em relação ao cinema, vale lembrar que a operação do Guion já havia sido encerrada antes mesmo do início das obras de revitalização. A marca que assumiu posteriormente também não apresentou bom desempenho e não demonstrou interesse em permanecer no espaço. Estamos abertos a receber propostas de novas operadoras.


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