
Filme sobre mães adolescentes premiado em Cannes estreia em Porto Alegre
Irmãos Dardenne assinam "Jovens Mães" (2025), que entra em cartaz nesta sexta-feira (2) na Cinemateca Paulo Amorim
Perla (papel de Lucie Laruelle) e Ariane (Janaïna Halloy Fokan) em "Jovens Mães" (2025), filme dos irmãos Dardenne.
Vitrine Filmes / Divulgação
A Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana, exibe a partir desta sexta-feira (2) o mais recente filme de uma das aclamadas duplas do cinema mundial: os irmãos belgas Jean-Pierre Dardenne, 74 anos, e Luc Dardenne, 71. Trata-se de Jovens Mães (Jeunes Mères, 2025), que mereceu o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes. As sessões são às 17h, na Sala Eduardo Hirtz.
Os Dardenne são cronistas contumazes dos dramas da classe trabalhadora, da população imigrante e de crianças, adolescentes e jovens. Do ponto de vista formal, uma marca é a abordagem naturalista: geralmente, empregam no elenco atores estreantes e filmam em locações reais.
Os irmãos belgas são queridinhos de Cannes. Receberam duas vezes a Palma de Ouro, por Rosetta (1999) e por A Criança (2005), o Prêmio Especial do Júri por O Garoto da Bicicleta (2011) e o troféu de melhor direção, por O Jovem Ahmed (2019). Na categoria de roteiro, os Dardenne já haviam sido laureados por O Silêncio de Lorna (2008). O currículo inclui mais cinco filmes que competiram no festival francês: A Promessa (1996), O Filho (2002), Dois Dias, uma Noite (2014), A Garota Desconhecida (2016) e Tori e Lokita (2020).
Jovens Mães acompanha cinco adolescentes que moram juntas em um abrigo na região de Liège, na Bélgica: Perla (papel de Lucie Laruelle), Jessica (Babette Verbeek), Julie (Elsa Houben), Ariane (Janaïna Halloy Fokan) e Naïma (Samia Hilmi).
As personagens já são mães ou estão grávidas. Elas lidam com carências afetivas, conflitos familiares e dificuldades financeiras. Uma jovem enfrenta a dependência química, por exemplo, e outra tem de lidar com a indiferença do namorado.
Em entrevistas, os irmãos Dardenne deixaram entrever o olhar esperançoso que imprimiram ao retratar essa mazela social:
Nos interessava filmar essas jovens não apenas como mães, mas como pessoas singulares, vivas, que tentam se libertar de um destino social marcado pela pobreza e pela repetição dos mesmos gestos e feridas de geração em geração. Muitas vezes, abrigos e instituições são vistos apenas como algo negativo, ligado à repressão ou à punição, mas não é assim que enxergamos. Quando filmamos dentro desses lugares, o que aparece é um espaço de tentativa, de cuidado, de benevolência. Para nós, são lugares onde se pode evoluir, no sentido mais humano.
Acuadas por traumas de um passado recente e por problemas de um presente implacável, Perla, Jessica, Julie, Ariane e Naïma tentam construir um futuro para si e para seus bebês — mesmo que isso possa exigir a separação.Sobre a interação das atrizes com as crianças, Luc Dardenne comentou, em entrevista ao jornalista Bolívar Torres, de O Globo:
Os bebês trouxeram um lado documental ao filme. Eles obrigaram as atrizes a estarem ao mesmo tempo na ficção e na realidade, a reagirem ao imprevisível. Isso transformou o jogo delas diante da câmera e enriqueceu enormemente o filme.
A trama alterna as trajetórias das cinco personagens, examinando o custo emocional da maternidade precoce. Há crises, frustrações e situações de vulnerabilidade, mas também momentos de delicadeza, de resistência e de esperança. Jovens Mães alia a denúncia dolorida sobre exclusão social a uma defesa comovente da empatia, do caráter solidário e da comunhão entre as pessoas.
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