
Indústria estima até US$ 3 bi em perdas com sobretaxa da China à carne bovina brasileira
Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) manifestou preocupação com a medida anunciada nesta quarta (31)
A medida anunciada nesta quarta-feira (31) pela China, de sobretaxar em 55% a carne bovina do Brasil que ultrapassar cota anual, gerou reações opostas. Em nota, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) manifestou preocupação com a salvaguarda adotada e estima até US$ 3 bilhões em perda de receita em 2026, "comprometendo o desempenho das exportações do setor, que devem superar US$ 18 bilhões em 2025".
Mais do que o impacto direto sobre receita de embarques, a entidade alertou para potenciais consequências à atividade, com a medida podendo se reverter em "fator de desestímulo para o pecuarista", multiplicando os efeitos "por toda a cadeia produtiva, com reflexos sobre geração de renda, emprego e investimentos no campo".
A cota estabelecida para o Brasil é de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Em 2025, os chineses compraram, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), 1,7 milhão de toneladas. Nesse cenário, haveria cerca de 600 mil toneladas que ficariam sujeitas aos 55% adicionais (hoje, já há uma taxa de 12%).
Em nota, a entidade pontuou que a aplicação da salvaguarda "altera as condições de acesso ao seu mercado e impõe uma reorganização dos fluxos de produção e de exportação".
— Essa taxação tem impactos nos preços recebidos pela carne brasileira. O Brasil precisa realocar esse contingente (volume), o que não é pouco, mas tem capacidade de negociação — pondera Júlio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da UFRGS.
Ele estima que o Brasil deve manter o volume exportado à China, mas que a médio prazo pode haver "uma negociação para a redução dos preços pagos".
Em entrevista à TV Globo, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, por sua vez, afirmou que a medida "não é algo tão preocupante", em razão da abertura e ampliação de mercados para a carne bovina. E completou:
— Portanto, o Brasil está relativamente preparado para intempéries comerciais.
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