
10 Jan 2026
SISTEMA FINANCEIRO
SISTEMA FINANCEIRO
Justiça dos EUA bloqueia ativos do Master e reconhece liquidação
Sistema financeiro
Um tribunal de falências da Flórida validou a medida contra banco, bloqueando seus ativos nos Estados Unidos e suspendendo ações de cobrança. A decisão reconhece o processo conduzido no Brasil pelo BC, alcança empresas do grupo e autoriza a coleta de provas sobre bens e negócios
O Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida reconheceu a liquidação do Banco Master e determinou o bloqueio dos ativos da instituição nos Estados Unidos.
A decisão, ocorrida na quinta-feira e divulgada sexta-feira pela Agência Brasil, atende a pedido da EFB Regimes Especiais de Empresas, liquidante do banco nomeada pelo Banco Central (BC) brasileiro para agir em seu nome, e se estende ao Banco LetsBank S.A., ao Banco Master de Investimento S.A. e à Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Na decisão, o juiz responsável afirmou que o processo de liquidação conduzido no Brasil "terá plena força e efeito" e será "vinculante e exequível" em território americano contra pessoas físicas e jurídicas.
O magistrado também determinou a suspensão de qualquer ação ou processo relacionado a ativos, direitos, obrigações ou passivos do Banco Master e de suas controladas nos Estados Unidos. Com isso, ficam proibidas medidas de cobrança, penhora, bloqueio ou execução de bens enquanto a ordem judicial estiver em vigor.
Além disso, a EFB Regimes Especiais de Empresas foi autorizada a colher depoimentos, produzir provas e requisitar informações sobre ativos, negócios, direitos, obrigações e passivos do Banco Master e das empresas do grupo.
A decisão foi tomada após advogados do controlador do banco, Daniel Vorcaro, acionarem a Justiça norte-americana para impedir o reconhecimento da liquidação, em resposta ao pedido apresentado pelo liquidante.
Na contestação, a defesa do Master mencionou uma inspeção no BC determinada no dia 5 pelo ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), e argumentou que ainda haveria possibilidade de reversão da liquidação. A inspeção, todavia, foi suspensa após recurso do BC até deliberação do plenário da Corte. _
Entenda o caso
O Banco Master era investigado desde 2024 por fabricação de carteiras de crédito falsas e promessa de rendimentos agressivos, acima dos praticados no mercado.
Em 18 de novembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, como parte das investigações.
Segundo a PF, as fraudes investigadas contra o sistema financeiro podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. Na noite anterior à operação, Daniel Vorcaro foi preso em Guarulhos (SP).
O executivo tentava embarcar em um jato para Dubai. Seu sócio, Augusto Lima, também foi detido.
No mesmo dia da deflagração da operação, o BC decretou a liquidação extrajudicial do banco e de sua corretora de câmbio. Meses antes, havia desautorizado a compra de 58% do Master pelo BRB.
Daniel Vorcaro nega ter recrutado influenciadores
Em petição ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negou envolvimento com recrutamento de perfis em redes sociais que criticaram a atuação do Banco Central (BC) no caso. A manifestação foi feita ao ministro Dias Toffoli, responsável pelo inquérito referente ao banco. Vorcaro "nega veementemente qualquer envolvimento ou conhecimento sobre qualquer prática de difamação ou disseminação de fake news", diz o texto.
A Polícia Federal (PF) apura informações sobre o caso de 46 perfis que fizeram ataques simultâneos contra o BC e investigadores. Se forem comprovadas irregularidades, poderá haver instauração de inquérito policial.
Críticas intensificadas
Os influenciadores vinham publicando opiniões e informações enviesadas sobre os acontecimentos em torno da liquidação do Master, sempre críticas à atuação do BC.
A conduta já vinha sendo observada quando o BC impediu a venda de parte do Master ao Banco de Brasília (BRB), em setembro, mas se intensificou após a determinação de um ministro do Tribunal de Contas da União de realizar inspeção no BC. Ela terminaria suspensa dias depois.
Conforme o jornal O Globo, os influenciadores teriam sido recrutados por valores entre R$ 250 mil e R$ 2 milhões e assinado contratos de confidencialidade para negá-los. Na quinta-feira, o vereador de Erechim Rony Gabriel (PL), que tem 1,7 milhão de seguidores, confirmou à Rádio Gaúcha que teria sido sondado para participar do esquema.
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