Contratação de navios gaseiros impulsiona retomada do polo naval de Rio Grande
Jefferson KleinRepórterAlém do contrato da construção de cinco navios gaseiros assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (20), em Rio Grande, o Estaleiro Rio Grande, da Ecovix, apresenta apetite para conseguir novas demandas. No caso das mais recentes embarcações que foram demandadas pela Transpetro (subsidiária da Petrobras), o investimento na iniciativa é de cerca de R$ 2,2 bilhões.
O evento da assinatura do acordo foi realizado no próprio estaleiro, na presença de vários trabalhadores do complexo e apoiadores do presidente. No encontro, também estiveram presentes os ministros de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, da Casa Civil, Rui Costa, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, e o governador do Estado, Eduardo Leite (que recebeu algumas vaias de parte do público).
Quando chegou a sua vez de discursar, Lula disse que estava um pouco confuso do que falar para a plateia. Ele lembrou que quando foi presidente pela primeira vez, "a economia não andava bem das pernas".
Lula salientou ainda que, quando assumiu a presidência, muitos disseram que ele não ia conseguir governar e que tinha pegado um país quebrado. "O tempo passou e começamos a fazer as coisas acontecerem", enfatizou o presidente.
Especificamente sobre a condição atual da indústria naval, o acionista da Ecovix José Antunes Sobrinho, afirma que essa terça-feira foi um dia de afirmação, apontando que a indústria naval tem futuro no Brasil. "O setor tem que ser tratado como política nacional, com previsibilidade, planejamento e constância", sustenta o empresário.
Os cinco gaseiros que serão feitos no Estaleiro Rio Grande integram uma encomenda ainda maior, que faz parte do Programa Mar Aberto, ação voltada à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras. Além dos navios que serão desenvolvidos no Estado, estão sendo adquiridos 18 empurradores e 18 barcaças com desembolso de R$ 600 milhões. Enquanto o Estaleiro Rio Grande ficará responsável pelos gaseiros, no estado do Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, construirá as barcaças e, em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense vai fazer os empurradores.
Com essas novas embarcações, que serão operadas pela própria Transpetro, a expectativa da empresa é que haverá redução da dependência de afretamentos, proporcionando maior flexibilidade e eficiência às operações logísticas de movimentação de gases liquefeitos e de outros produtos.
Os gaseiros que serão construídos no Rio Grande do Sul, são equipamentos pressurizados e voltados à movimentação de Gás Liquefeito do Petróleo (GLP - popularmente chamado de gás de cozinha) e de derivados. Três dessas embarcações terão capacidade para transportar 7 mil metros cúbicos de gás e outras duas para 14 mil metros cúbicos. O lançamento da primeira unidade está previsto até 33 meses após o início das obras, com novas entregas a cada seis meses.
De acordo com a Petrobras, os novos gaseiros serão até 20% mais eficientes no consumo de energia, reduzirão as emissões de gases de efeito estufa em 30% e poderão operar em portos eletrificados.
Outra demanda que está sendo conduzida pelo Estaleiro Rio Grande é o desmantelamento da plataforma de petróleo P-32, que está previsto para terminar em maio. O CEO da Ecovix, Robson Passos, informa que o complexo já alcançou um pouco mais de 50% de avanço nessa ação. Quando esse serviço for finalizado, deverá chegar a plataforma P-33 para ser submetida ao mesmo processo.
Além disso, a Ecovix, em consórcio com o estaleiro McLaren, do Rio de Janeiro, fará a construção de quatro navios da classe Handy com capacidades que variam de 15 mil toneladas a 18 mil toneladas de porte bruto (TPB). Essa contratação, de acordo com a Petrobras, representa um investimento total de R$ 1,4 bilhão.
Passos detalha que a estrutura do Estaleiro Rio Grande foi concebida para o processamento de cerca de 80 mil toneladas ao ano de aço. O executivo informa que se forem somadas as demandas dos quatro navios Handy, mais os cinco gaseiros, o total deverá representar algo em torno de 40 mil toneladas para serem executadas em quatro anos. “O estaleiro tem espaço para muito mais”, enfatiza o CEO da Ecovix.
No caso dos Handy, o dirigente informa que a parte de engenharia já está em andamento e até o início de abril deve começar o processamento do aço para fazer os navios. Conforme Passos, depois que se assina o contrato ainda não há uma mobilização imediata de mão de obra, porque antes ocorre a etapa de engenharia do projeto. A expectativa é que seja mais visível essa movimentação de trabalhadores em 2027. Somente os contratos dos gaseiros e dos Handy devem proporcionar cerca de 2,9 mil empregos, que poderão aumentar para cerca de 4 mil, se o estaleiro gaúcho confirmar novas encomendas.
O representante da Ecovix ressalta que há uma licitação da Transpetro em andamento relacionada a navios da classe MR1 (embarcações de médio porte para transporte de petróleo e derivados na cabotagem brasileira) que deve encerrar até março. “Estamos buscando também efetivar mais um contrato”, frisa o dirigente.
Dados gerais dos navios gaseiros:
Objetivo: cabotagem na costa brasileira para o transporte de GLP e derivados.
Velocidade: 13,5 nós
Digitalização: engenharia digital 3D, conectividade e transmissão de dados operacionais
Sustentabilidade: Tecnologias que reduzem as emissões em até 30%, possibilidade do uso de etanol como combustível alternativo.
Características dos gaseiros com capacidade até 7 mil metros cúbicos de transporte de gás:
Tipo: pressurizado
Comprimento total: 122 metros
Boca: 20 metros
Calado: 5,8 metros
Características dos gaseiros com capacidade até 14 mil metros cúbicos de transporte de gás:
Tipo: pressurizado
Comprimento total: 169 metros
Boca: 23 metros
Calado: 5,7 metros
Programa Mar Aberto
Com aportes estimados em US$ 6 bilhões no período de 2026 a 2030, a iniciativa contempla a construção de 20 navios de cabotagem, além de 18 barcaças e 18 empurradores, bem como a previsão de afretamento de 40 novas embarcações de apoio destinadas à renovação da frota de suporte às atividades de exploração e produção (E&P).


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