quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Contratação de navios gaseiros impulsiona retomada do polo naval de Rio Grande

Assinatura do acordo foi realizado no próprio estaleiro, na presença de trabalhadores do complexo e do presidente Lula

Assinatura do acordo foi realizado no próprio estaleiro, na presença de trabalhadores do complexo e do presidente Lula

Tânia Meinerz/JC
Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórterAlém do contrato da construção de cinco navios gaseiros assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (20), em Rio Grande, o Estaleiro Rio Grande, da Ecovix, apresenta apetite para conseguir novas demandas. No caso das mais recentes embarcações que foram demandadas pela Transpetro (subsidiária da Petrobras), o investimento na iniciativa é de cerca de R$ 2,2 bilhões.

O evento da assinatura do acordo foi realizado no próprio estaleiro, na presença de vários trabalhadores do complexo e apoiadores do presidente. No encontro, também estiveram presentes os ministros de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, da Casa Civil, Rui Costa, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, e o governador do Estado, Eduardo Leite (que recebeu algumas vaias de parte do público).

Quando chegou a sua vez de discursar, Lula disse que estava um pouco confuso do que falar para a plateia. Ele lembrou que quando foi presidente pela primeira vez, "a economia não andava bem das pernas".
Lula salientou ainda que, quando assumiu a presidência, muitos disseram que ele não ia conseguir governar e que tinha pegado um país quebrado. "O tempo passou e começamos a fazer as coisas acontecerem", enfatizou o presidente.
Especificamente sobre a condição atual da indústria naval, o acionista da Ecovix José Antunes Sobrinho, afirma que essa terça-feira foi um dia de afirmação, apontando que a indústria naval tem futuro no Brasil. "O setor tem que ser tratado como política nacional, com previsibilidade, planejamento e constância", sustenta o empresário.

Os cinco gaseiros que serão feitos no Estaleiro Rio Grande integram uma encomenda ainda maior, que faz parte do Programa Mar Aberto, ação voltada à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras. Além dos navios que serão desenvolvidos no Estado, estão sendo adquiridos 18 empurradores e 18 barcaças com desembolso de R$ 600 milhões. Enquanto o Estaleiro Rio Grande ficará responsável pelos gaseiros, no estado do Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, construirá as barcaças e, em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense vai fazer os empurradores.

Com essas novas embarcações, que serão operadas pela própria Transpetro, a expectativa da empresa é que haverá redução da dependência de afretamentos, proporcionando maior flexibilidade e eficiência às operações logísticas de movimentação de gases liquefeitos e de outros produtos.
Os gaseiros que serão construídos no Rio Grande do Sul, são equipamentos pressurizados e voltados à movimentação de Gás Liquefeito do Petróleo (GLP - popularmente chamado de gás de cozinha) e de derivados. Três dessas embarcações terão capacidade para transportar 7 mil metros cúbicos de gás e outras duas para 14 mil metros cúbicos. O lançamento da primeira unidade está previsto até 33 meses após o início das obras, com novas entregas a cada seis meses.
De acordo com a Petrobras, os novos gaseiros serão até 20% mais eficientes no consumo de energia, reduzirão as emissões de gases de efeito estufa em 30% e poderão operar em portos eletrificados.

Outra demanda que está sendo conduzida pelo Estaleiro Rio Grande é o desmantelamento da plataforma de petróleo P-32, que está previsto para terminar em maio. O CEO da Ecovix, Robson Passos, informa que o complexo já alcançou um pouco mais de 50% de avanço nessa ação. Quando esse serviço for finalizado, deverá chegar a plataforma P-33 para ser submetida ao mesmo processo.
Além disso, a Ecovix, em consórcio com o estaleiro McLaren, do Rio de Janeiro, fará a construção de quatro navios da classe Handy com capacidades que variam de 15 mil toneladas a 18 mil toneladas de porte bruto (TPB). Essa contratação, de acordo com a Petrobras, representa um investimento total de R$ 1,4 bilhão.
 
Passos detalha que a estrutura do Estaleiro Rio Grande foi concebida para o processamento de cerca de 80 mil toneladas ao ano de aço. O executivo informa que se forem somadas as demandas dos quatro navios Handy, mais os cinco gaseiros, o total deverá representar algo em torno de 40 mil toneladas para serem executadas em quatro anos. “O estaleiro tem espaço para muito mais”, enfatiza o CEO da Ecovix.
No caso dos Handy, o dirigente informa que a parte de engenharia já está em andamento e até o início de abril deve começar o processamento do aço para fazer os navios. Conforme Passos, depois que se assina o contrato ainda não há uma mobilização imediata de mão de obra, porque antes ocorre a etapa de engenharia do projeto. A expectativa é que seja mais visível essa movimentação de trabalhadores em 2027. Somente os contratos dos gaseiros e dos Handy devem proporcionar cerca de 2,9 mil empregos, que poderão aumentar para cerca de 4 mil, se o estaleiro gaúcho confirmar novas encomendas.
O representante da Ecovix ressalta que há uma licitação da Transpetro em andamento relacionada a navios da classe MR1 (embarcações de médio porte para transporte de petróleo e derivados na cabotagem brasileira) que deve encerrar até março. “Estamos buscando também efetivar mais um contrato”, frisa o dirigente.
 
Dados gerais dos navios gaseiros:

Objetivo: cabotagem na costa brasileira para o transporte de GLP e derivados.
Velocidade: 13,5 nós
Digitalização: engenharia digital 3D, conectividade e transmissão de dados operacionais
Sustentabilidade: Tecnologias que reduzem as emissões em até 30%, possibilidade do uso de etanol como combustível alternativo.

Características dos gaseiros com capacidade até 7 mil metros cúbicos de transporte de gás:

Tipo: pressurizado
Comprimento total: 122 metros
Boca: 20 metros
Calado: 5,8 metros

Características dos gaseiros com capacidade até 14 mil metros cúbicos de transporte de gás:

Tipo: pressurizado
Comprimento total: 169 metros
Boca: 23 metros
Calado: 5,7 metros
 
Programa Mar Aberto
 
Com aportes estimados em US$ 6 bilhões no período de 2026 a 2030, a iniciativa contempla a construção de 20 navios de cabotagem, além de 18 barcaças e 18 empurradores, bem como a previsão de afretamento de 40 novas embarcações de apoio destinadas à renovação da frota de suporte às atividades de exploração e produção (E&P).

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