quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Leite projeta R$ 20 bilhões em investimentos em debate sobre rodovias

Governador do Estado aposta em parcerias para recuperar a malha viária

Governador do Estado aposta em parcerias para recuperar a malha viária

JAMIL AIQUEL/ESPECIAL/JC
Jamil Aiquel
Jamil Aiquel
Nesta quarta-feira (21), o futuro das rodovias gaúchas foi pauta de um debate promovido pela Federasul e o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística (Setcergs). O evento, que aconteceu na sede do sindicato, contou com a presença de líderes setoriais e empresariais, representantes do governo, da classe política e da sociedade civil  para ouvir ponderações sobre as concessões do bloco 1, que cobre a Região Metropolitana, Litoral e Serra (incluindo a nova RS-010) e o bloco 2, que abrange o Vale do Taquari e Norte do Estado, com estradas como RS-128, RS-129, RS-130, RSC-453, RS-135 e RS-324.
Participaram do debate o presidente da Federasul, Rodrigo Souza Costa, o presidente do Setcergs, Delmar Albarello, o governador do Estado Eduardo Leite, além do diretor presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Marco Aurélio Barcellos. 
Albarello abriu o evento destacando a importância de um evento para debater um assunto tão importante de maneira transparente e imparcial. “Nós estamos aqui pelo estado do Rio Grande do Sul. Nosso partido é o Rio Grande do Sul. Acredito que nunca estivemos tão unidos com o objetivo de desenvolver o nosso Estado”, ponderou. 
O presidente da Federasul, por sua vez, deixou clara a posição da entidade sobre o assunto. Costa destacou que é a favor das concessões como ferramenta para auxiliar o serviço público. “Acreditamos  e defendemos as concessões como boas ferramentas para o desenvolvimento social e econômico do Estado dentro do Brasil. Desde que atenda a um interesse comum”, afirmou.
O dirigente ainda citou estudos feitos no bloco 2 como um exemplo de trabalho amadurecido que escancara a necessidade de investimento na região. “O que fazemos é um exercício de enxergar necessidades no presente projetando o futuro. Necessidades futuras e tentar se colocar, no caso de uma concessão, no lugar de um investidor. Esse processo, como no Bloco 2, passou por um trabalho muito amadurecido no Vale do Taquari, de 12 anos de estudos. Ele evoluiu e amadureceu muito, chegando num momento, que mostra que essas são as obras essenciais. Não podemos perder essas obras pelos próximos cinco, dez ou 30 anos”, destaca.
O governador Eduardo Leite usou seu tempo para apresentar um balanço detalhado dos próximos passos do seu Programa de Parcerias e Concessões. Ele desenhou um cenário de urgência para a infraestrutura logística gaúcha e apontou a iniciativa privada como vetor fundamental para a recuperação. A meta ambiciosa é injetar R$ 20,7 bilhões em investimentos na malha estadual através dos Blocos 1, 2 e 3, além da já ativa concessão da RSC-287.
Segundo ele, das rodovias sob jurisdição estadual (11.374 km), apenas 199,6 km são duplicadas, o que representa menos de 2% da malha. Sob a administração direta do Daer, esse índice cai para ínfimos 0,86%. O impacto econômico e social dessa precariedade é mensurável: dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) de 2025 apontam que 49,1% do estado geral das rodovias gaúchas é considerado ruim ou péssimo, com 68,2% da geometria das vias reprovada.
Para Leite, essa infraestrutura deficiente gera um efeito cascata na economia e na segurança pública. 'Esse custo das rodovias inevitavelmente vira desperdício de diesel, maior emissão de carbono, prejuízos financeiros, tudo isso naturalmente repassado para o custo das cargas', afirmou o governador.
Além do impacto inflacionário no transporte, ele ressaltou o custo humano da não realização das obras, enfatizando que a duplicação é uma questão de preservação de vidas. 'Gera ainda mortalidade. Mortes seriam evitáveis pois parte dessas mortes acontecem em colisões frontais, que seriam evitadas em pistas duplicadas, que geram milhões de anos perdidos de vidas', completou.
O governador argumenta que o modelo atual de gestão pública, sujeito a restrições orçamentárias, gera um "custo de não fazer". Ele afirma que a deterioração acelerada exige reconstruções que custam de três a cinco vezes mais do que a manutenção preventiva, além de elevar os custos logísticos e retirar a competitividade das exportações do estado. Além do prejuízo financeiro, há o custo humano: apenas no Bloco 1, foram registrados mais de 2,7 mil acidentes e 116 mortes em 2025.
Por fim, ele afirma que as projeções indicam que o programa vai além da infraestrutura. Apenas o investimento inicial de R$ 3,9 bilhões previsto para os primeiros 5 anos tem potencial de gerar mais de 13 mil empregos diretos e indiretos e incrementar a arrecadação de ICMS em R$ 253,8 milhões. O estudo aponta que, para cada emprego gerado na infraestrutura, outros 8,7 surgem na economia geral.
Ao transferir a gestão para a iniciativa privada, Leite espera garantir manutenção permanente e investimentos que o orçamento público não comporta, transformando a logística do Rio Grande do Sul e estancando a perda de vidas e riquezas nas estradas gaúchas.
Diante desse cenário, Leite encerrou sua apresentação enfatizando que a inércia condenaria o estado ao atraso. "Por isso eu insisto: podemos discutir o quanto for o modelo, o ajuste, a praça, o aporte, a obra, mas não é opção não fazer. Isso não pode ser a opção, na medida em que já nos atrasou décadas e a gente tem que recuperar o tempo perdido. Temos que estar na vanguarda liderando esse processo e não correndo o risco do prejuízo', finalizou o governador.

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