sexta-feira, 2 de janeiro de 2026


02/01/2026 - 05h00min

Juliana Bublitz

"Nunca me passou pela cabeça esconder a idade. Não quero aparentar 20 anos", diz Cristina Ranzolin no Paralelas

Podcast traz bate-papo com a comunicadora que completa em 2026 30 anos à frente do "Jornal do Almoço"

O Paralelas abre 2026 com uma baita entrevista com Cristina Ranzolin. 

Sempre admirei a Cris pelo profissionalismo, pela capacidade de comunicação e pela humildade. 

Depois desse bate-papo, fiquei ainda mais fã desta grande jornalista, que em neste novo tem muito a celebrar, com datas especiais pela frente. Falamos sobre tudo: carreira, família, fama, câncer e planos para futuro. 

Dica: vale ver a íntegra da entrevista. O programa vai ao ar toda sexta-feira  no YouTube de GZH e no Spotify (segue lá!).

Tu poderias estar curtindo a vida. Por que seguir no jornalismo diário?

É uma paixão, algo que adoro fazer. O meu Jornal do Almoço, eu digo o meu, né (risos), é um programa que me completa. As pessoas dizem: o que tu queres fazer? Por enquanto, estou ali e estou bem. Enquanto eu adorar fazer o que faço, vou continuar.

O JA esteve em muitos lugares neste ano. Como é receber o carinho das pessoas?

É muito legal. Quando a gente faz o programa no estúdio, fica imaginando quem está do outro lado. Quando tu estás lá, naquele lugar, é incrível, porque as pessoas vêm conversar, tirar foto, fazer perguntas, vêm até pegar no meu cabelo para ver se é de verdade. São programas às vezes cansativos, porque a gente tem uma semana inteira de trabalho e ainda viaja. Chega à noitinha na cidade e, no outro dia, tem que acordar cedo para fazer acontecer, mas tem toda essa relação com o público, que nos dá muita energia.

Muito raro. Algumas pessoas ficam tão felizes que não têm noção. É muito engraçado. Aquelas senhorinhas, elas têm uma força! Elas vêm abraçar a gente e estão tão felizes e meio nervosas que pegam com força. Eu e o Marco (Matos, parceiro na apresentação do JA) rimos muito.

Como tu estás lidando com o envelhecimento?

Super bem, porque são 59 anos muito bem vividos. Nunca me passou pela cabeça esconder a idade. Não quero aparentar ter 20 anos. Não tenho essa necessidade, essa vaidade. Claro, a gente se cuida, faz um “botoxinho”, mas não é a prioridade da minha lista.

Como foi passar pelo câncer? Dizem que ninguém volta igual.

Assusta muito. Leva um tempo até para dizer a palavra câncer. Mas tenho dado muitas palestras sobre isso e sempre digo para as mulheres: os médicos estão muito bem preparados.

Algo mudou na tua vida?

Fiquei mais leve e cuidando mais de mim. Sempre fui uma pessoa muito altruísta, que vai ao supermercado e pensa no que o marido gosta, no que a filha gosta, mas e o que eu gosto? Aprendi a me ouvir um pouquinho mais. Ninguém tem uma vida perfeita. Todo mundo tem problemas. O importante é como que tu lida com os problemas, que importância tu dá a eles e o que realmente importa. Às vezes a gente dá um peso errado para as coisas.

2026 vai ser um ano muito especial para ti, né?

Sim. Vou fazer 60 anos de vida, 40 de formada e 30 anos de Jornal do Almoço. Também termino totalmente meu tratamento do câncer, com 5 anos da remissão. Vão ser quatro grandes comemorações. 

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 E como é fazer 30 anos de JA?

São poucas as pessoas que ficam no mesmo programa tanto tempo. O William Bonner ficou 29 anos no Jornal Nacional. Lembro da Maria do Carmo, um dia, me dizer que estava há 18 anos no JA. “O quê? 18 anos?? Isso é uma vida!” Agora eu já estou há 30!

 E tu não pensa em parar, né?

Pois então, é uma coisa que a gente tem que começar a pensar.

Tem de pensar, é?

Acho que chega um momento em que a gente quer ser um pouco mais dona do nariz e poder fazer algumas coisas. Tem tanta coisa... Meu pai (o jornalista Armindo Antônio Ranzolin) foi uma pessoa que sempre dizia assim: “Ah, quando eu me aposentar, vou fazer isso, vou fazer aquilo”, mas, quando ele se aposentou, já não tinha mais saúde. Então, a gente também tem que pensar nisso. Eu realmente sou muito feliz no que eu faço, O JA faz parte da minha vida. Mas também tem outras coisas que são boas. Amo viajar, e 30 dias de férias acaba sendo pouquinho, né?

E tu consegues parar? Totalmente, não. Impossível! 

Quando entro na redação, encontro Cid Moreira, primeira pessoa. Sérgio Chapelin, Glória Maria... Eu estava começando no jornalismo e, de repente, estava no mesmo ambiente, conversando com todos esses ídolos (...) Eu tinha 26 anos na época. Não foi só uma oportunidade profissional importante, foi pessoalmente também. Foi quando saí da casa dos meus pais.

A escolha que mudou tudo

A RBS foi atrás de mim para eu apresentar o Jornal do Almoço, com a saída da Maria do Carmo. Aí a coisa realmente me mexeu comigo, porque eu fui para o Rio, mas nunca quis montar apartamento lá. Sou muito raiz. Não me arrependo de nada. Voltar foi a decisão certa na hora certa. Sou muito feliz aqui.

Influência do pai - Cristina Ranzolin / Arquivo Pessoal

Quando ele levou o gravador para casa, aquilo acabou ocupando o lugar das minhas bonecas. Tenho fitas cassete gravadas até hoje lá na mãe, entrevistando a família. Eu devia ter uns sete anos e ainda não me dava conta de que aquilo poderia ser uma profissão (...) Depois, eu sonhava em ser médica, mas, no teste vocacional, deu comunicação. Foi a única opção. Não tinha como fugir do destino.

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