sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Liberação da navegação noturna melhora competitividade logística do RS

Navegação à noite pela hidrovia gaúcha que liga o Porto do Rio Grande à Capital volta a ser autorizada

Navegação à noite pela hidrovia gaúcha que liga o Porto do Rio Grande à Capital volta a ser autorizada

TÂNIA MEINERZ/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórter
Depois de cerca de quatro décadas sem ser possível a navegação noturna pela hidrovia gaúcha que liga o Porto do Rio Grande à Região Metropolitana da capital gaúcha, a atividade volta a ser autorizada. A confirmação foi dada pelo governo do Estado nesta quinta-feira, em cerimônia realizada no Palácio Piratini, assim como a liberação do retorno da operação de navios de maior porte no complexo portuário de Porto Alegre, algo que estava prejudicado desde as enchentes de 2024.
governador Eduardo Leite frisa que essas ações tornam o Estado mais atrativo para investimentos. Particularmente, sobre a navegação noturna, ele destaca que haverá uma aceleração no processo do transporte de mercadorias. “Você está falando sobre movimentação de cargas que não precisarão ficar paradas à noite, que podem seguir o seu curso, isso melhora a competitividade do Estado e se insere no nosso esforço de aprimoramento logístico do Rio Grande do Sul”, ressalta Leite.
Capitão de Mar e Guerra e Capitão dos Portos, Gutemberg da Silva Ferreira, ilustra o ganho de tempo com uma situação hipotética. Com a restrição da navegação noturna, que até então existia, uma embarcação que chegasse a Rio Grande às 17h de uma quinta-feira teria que aguardar até o dia seguinte para não passar de noite no Canal da Feitoria (região de Pelotas) e, posteriormente, seguiria até o Canal de Itapuã (já próximo de Porto Alegre) para fundear. Depois chegaria ao porto da Capital, onde iria operar até às 18h, pernoitando ali e retornando apenas no quarto a Rio Grande.
Toda essa atividade demoraria cerca de 89 horas. Com a possibilidade da navegação noturna, o processo cairia para aproximadamente 48 horas. Ferreira assinala que transitar na hidrovia gaúcha, sem a necessidade da luz do dia, só será possível devido a investimentos em dragagens, sinalização náutica e capacitação dos práticos.
diretor-presidente da Portos RS (autoridade portuária dos portos do Rio Grande do Sul), Cristiano Klinger, lembra que o Estado conta com R$ 731 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para investir em ações de aprimoramento da navegação gaúcha. Boa parte desses recursos está sendo destinado a dragagens, já que as enchentes causaram graves problemas com assoreamentos.
De acordo com Klinger, R$ 607 milhões foram contratados em projetos já concluídos ou em execução. Um dos pontos críticos que ainda falta ser feito é a dragagem do Rio das Balsas, o que facilitará a chegada e saída de embarcações no Polo Petroquímico de Triunfo. O dirigente adianta que, até o final do ano, todas as dragagens na hidrovia gaúcha deverão ser terminadas. Essa iniciativa permitirá um calado de 5,18 metros nesse modal, ligando até o Porto do Rio Grande.
A hidrovia é um dos principais corredores logísticos do Estado, conectando a Lagoa dos Patos, Guaíba, o Delta do Jacuí e os acessos ao Porto do Rio Grande. Por ela circulam, em média, cerca de 6 milhões de toneladas de cargas por ano, incluindo produtos agrícolas, combustíveis, fertilizantes, insumos industriais e carga geral — volume que corresponde a aproximadamente 10% da movimentação do porto marítimo gaúcho.
Sobre o porto da Capital, o diretor-presidente da Portos RS recorda que, antes da catástrofe climática de 2024, o complexo movimentava cerca de 1 milhão de toneladas em cargas ao ano. A estrutura usualmente trabalha com cargas como fertilizantes, cevada, transformadores de energia, entre outras e, adianta Klinger, a ideia agora é atrair novas demandas. O representante da Portos RS informa que, após as enchentes, no ano passado, o complexo teve uma redução de cerca de 60% da sua movimentação.

O secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, acrescenta que, com a recuperação do porto da Capital, o complexo poderá receber navios com cerca de 200 metros de comprimento. “Há dois anos o porto estava inundado e agora volta a ter competitividade”, reitera Costella. Por sua vez, o comandante do 5º Distrito Naval, vice-almirante José Achilles Abreu Jorge Teixeira, cita que, assim como o Brasil, o Rio Grande do Sul possui vocação para a navegação. Ele argumenta que os modais hidroviário e marítimo atuam de uma forma complementar aos outros meios logísticos. 

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