Depois de cerca de quatro décadas sem ser possível a
navegação noturna pela hidrovia gaúcha que liga o Porto do Rio Grande à Região Metropolitana da capital gaúcha, a atividade volta a ser autorizada. A confirmação foi dada pelo governo do Estado nesta quinta-feira, em cerimônia realizada no Palácio Piratini, assim como a liberação do
retorno da operação de navios de maior porte no complexo portuário de Porto Alegre, algo que estava prejudicado desde as enchentes de 2024.
O governador Eduardo Leite frisa que essas ações tornam o Estado mais atrativo para investimentos. Particularmente, sobre a navegação noturna, ele destaca que haverá uma aceleração no processo do transporte de mercadorias. “Você está falando sobre movimentação de cargas que não precisarão ficar paradas à noite, que podem seguir o seu curso, isso melhora a competitividade do Estado e se insere no nosso esforço de aprimoramento logístico do Rio Grande do Sul”, ressalta Leite.
O Capitão de Mar e Guerra e Capitão dos Portos, Gutemberg da Silva Ferreira, ilustra o ganho de tempo com uma situação hipotética. Com a restrição da navegação noturna, que até então existia, uma embarcação que chegasse a Rio Grande às 17h de uma quinta-feira teria que aguardar até o dia seguinte para não passar de noite no Canal da Feitoria (região de Pelotas) e, posteriormente, seguiria até o Canal de Itapuã (já próximo de Porto Alegre) para fundear. Depois chegaria ao porto da Capital, onde iria operar até às 18h, pernoitando ali e retornando apenas no quarto a Rio Grande.
Toda essa atividade demoraria cerca de 89 horas. Com a possibilidade da navegação noturna, o processo cairia para aproximadamente 48 horas. Ferreira assinala que transitar na hidrovia gaúcha, sem a necessidade da luz do dia, só será possível devido a investimentos em dragagens, sinalização náutica e capacitação dos práticos.
O diretor-presidente da Portos RS (autoridade portuária dos portos do Rio Grande do Sul), Cristiano Klinger, lembra que o Estado conta com R$ 731 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para investir em ações de aprimoramento da navegação gaúcha. Boa parte desses recursos está sendo destinado a dragagens, já que as enchentes causaram graves problemas com assoreamentos.
De acordo com Klinger, R$ 607 milhões foram contratados em projetos já concluídos ou em execução. Um dos pontos críticos que ainda falta ser feito é a dragagem do Rio das Balsas, o que facilitará a chegada e saída de embarcações no Polo Petroquímico de Triunfo. O dirigente adianta que, até o final do ano, todas as dragagens na hidrovia gaúcha deverão ser terminadas. Essa iniciativa permitirá um calado de 5,18 metros nesse modal, ligando até o Porto do Rio Grande.
A hidrovia é um dos principais corredores logísticos do Estado, conectando a Lagoa dos Patos, Guaíba, o Delta do Jacuí e os acessos ao Porto do Rio Grande. Por ela circulam, em média, cerca de 6 milhões de toneladas de cargas por ano, incluindo produtos agrícolas, combustíveis, fertilizantes, insumos industriais e carga geral — volume que corresponde a aproximadamente 10% da movimentação do porto marítimo gaúcho.
Sobre o porto da Capital, o diretor-presidente da Portos RS recorda que, antes da catástrofe climática de 2024, o complexo movimentava cerca de 1 milhão de toneladas em cargas ao ano. A estrutura usualmente trabalha com cargas como fertilizantes, cevada, transformadores de energia, entre outras e, adianta Klinger, a ideia agora é atrair novas demandas. O representante da Portos RS informa que, após as enchentes, no ano passado, o complexo teve uma redução de cerca de 60% da sua movimentação.
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