sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Primeira usina de etanol de trigo do Brasil fica no RS e é autorizada pela ANP

Usina da CB Bioenergia inicia fase de testes da produção ainda em janeiro, a partir da autorização da ANP

Usina da CB Bioenergia inicia fase de testes da produção ainda em janeiro, a partir da autorização da ANP

CB Bioenergia/Divulgação

Eduardo Torres
Eduardo TorresRepórterAgora é oficial. O município de Santiago, localizado no Vale do Jaguari, tem a primeira usina de produção de etanol a partir de trigo em operação no Brasil. A autorização para operação comercial da usina da CB Bioenergia foi publicada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no Diário Oficial da União desta quinta-feira, dia 8 de janeiro. A autorização número 12 da ANP no ano especifica a "operação da instalação produtora de etanol da CB Bioenergia, com capacidade de produção de 43 m³ (ou 43 mil litros) por dia de etanol hidratado".
De acordo com o diretor da CB Bioenergia, Tiago Lacerda, a operação da usina será iniciada na próxima segunda-feira, dia 12 de janeiro, mas ainda sem definição de um destino da produção no mercado nos primeiros dias.
"Nos primeiros dias a usina vai operar para testes e ajustes dos equipamentos, podendo chegar em breve à nossa capacidade máxima", conta o diretor. Segundo ele, as primeiras cargas serão armazenadas para as análises de qualidade iniciais.
Em novembro, a primeira usina capacitada para produzir etanol a partir do trigo e outros grãos no Estado recebeu a licença ambiental de operação por parte da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e da Fepam, o que abriu o caminho para a liberação por parte da ANP. Com a capacidade de produção autorizada, estima-se que, anualmente, a CB poderá produzir até 12 milhões de litros por ano, no entanto, o fornecimento de etanol combustível não é necessariamente o principal produto a ser obtido pela usina.
A empresa não firmou nenhum grande contrato antecipado e, segundo Lacerda, a venda será direta, pela procura, a partir do início da fabricação. Setores como o de CO2 para a indústria - que não tem fornecedores no Rio Grande do Sul - e de nutrição animal e bebidas têm aquecido a procura pela nova usina.
Além do etanol hidratado, a planta industrial de 150 mil metros quadrados, que envolveu R$ 100 milhões em investimentos, tem capacidade de produzir álcool neutro, além da fabricação de 810 toneladas de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) e 2,1 mil toneladas de WDGS (Grãos de destilaria úmidos com solúveis), subprodutos de alto valor nutricional utilizados em rações animais.
De acordo com o diretor, a empresa já tem trigo estocado com garantia para três meses de produção e, em pelo menos seis meses, o processo será exclusivamente feito com o trigo. A planta, porém, já é apta a processar triticale, cevada, centeio e milho. A CB Bioenergia incentiva ainda pesquisas para análise da capacidade do arroz como matéria-prima para a sua produção.
centeio e milho. A CB Bioenergia incentiva ainda pesquisas para análise da capacidade do arroz como matéria-prima para a sua produção.

 Após 170 anos, Sociedade Germânia de Porto Alegre encerra atividades

Empreendimento na avenida Independência será doado ao Hospital Moinhos de Vento

Empreendimento na avenida Independência será doado ao Hospital Moinhos de Vento

TÂNIA MEINERZ/JC
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Mauro Belo Schneider
Mauro Belo SchneiderEditor-executivo
A tradicional Sociedade Germânia, na avenida Independência, em Porto Alegre, anuncia o fim de suas atividades após 170 anos. No local, ocorreram casamentos, formaturas e diversos eventos culturais. “Infelizmente, chegamos ao limite, sentimos muito. Mas há uma satisfação grande por saber que os propósitos da sociedade, definidos quando fundada, foram atingidos”, afirma Werner Adelmann, 90 anos, presidente da entidade nos últimos 26.
A Germânia tinha, recentemente, cerca de 40 sócios, mas chegou a ultrapassar os 300. Além disso, nos tempos áureos, eram realizados quatro eventos por fim de semana. Hoje, essa é a soma do mês. Duas funcionárias permanecem até o desligar das luzes.
Ocupando dois andares do prédio de número 1.299 da Independência, o sexto e o sétimo, os custos do empreendimento ficaram caros para manter. Tanto que um empréstimo de cerca de R$ 300 mil – que já foi pago - teve de ser feito e dívidas com o condomínio acumularam. Mas nada que comprometa o patrimônio da sociedade, reforça Adelmann.
Presidente Werner Adelmann lamenta fechamento, mas celebra preservação do propósito | TÂNIA MEINERZ/JC
Presidente Werner Adelmann lamenta fechamento, mas celebra preservação do propósitoTÂNIA MEINERZ/JC
Para o presidente, os motivos para as dificuldades financeiras estão relacionados à pandemia de Covid-19, à enchente e às mudanças de comportamento. “A juventude tem outras diversões. Os casamentos sumiram, pois hoje as pessoas gostam de casar em lugares abertos, debaixo de árvores. A perspectiva imobiliária também mudou, com grandes salões de festas nos condomínios”, analisa.
Está no estatuto da sociedade que, em caso de dissolução, ela deve ser doada para uma instituição beneficente. E o destinatário será o Hospital Moinhos de Vento. Ainda estão sendo planejados os futuros usos do espaço, mas tudo indica que possa virar um polo de educação. Adelmann ajudará na transição, pois garante conhecer todos os detalhes do edifício. 
Diversos casamentos e formaturas ocorreram nos clássicos salões  | TÂNIA MEINERZ/JC
Diversos casamentos e formaturas ocorreram nos clássicos salõesTÂNIA MEINERZ/JC
A Germânia iniciou como uma casa no mesmo endereço, que chegou, inclusive, a ser usada durante a Segunda Guerra Mundial pela Zona Aérea. Quando o prédio foi construído (a partir de uma negociação feita pelo prefeito da época, Alberto Bins), a sociedade passou a ocupar as salas. Era, até então, a segunda mais antiga do Brasil administrada por alemães, atrás do Rio de Janeiro.
O declínio vem ocorrendo ao longo do tempo. Primeiro, fechou o restaurante, embora até 2019 houvesse jantar dançante aos sábados e almoço aos domingos – opções encerradas em 2020. Há cerca de três anos, foi vendida metade do sétimo andar e retirada a clássica escada de mármore que ligava os dois ambientes. Os bazares de Natal e de Páscoa também atraíam diversos empreendedores e público à sociedade.
Adelmann revela que, embora as pessoas estejam chateadas com o fechamento, “todo mundo se convenceu que não houve outra alternativa”. Tanto que ninguém quis assumir como presidente em seu lugar quando surgiu a oportunidade.
Ao caminhar pelos salões vazios da Sociedade Germânia é quase possível ouvir o som das músicas que embalaram momentos especiais. As mesas, os móveis clássicos, a cozinha fechada, tudo conta história. E isso não se apaga.

A história

A Sociedade Germânia foi fundada em 1855 por ex-combatentes alemães contratados pelo Império. A maioria fixou-se no Brasil, em especial em Porto Alegre, e, devido ao seu caráter associativo, fundaram um clube eminentemente social e cultural, a Sociedade Germânia.
Diversos clubes de projeção nacional, como a Sociedade Ginástica de Porto Alegre (Sogipa), o Leopoldina Juvenil e o União, além do Hospital Moinhos de Vento e do Colégio Farroupilha, tiveram origem nos salões da Germânia.
Três anos antes da fundação do Theatro São Pedro, a Germânia começava a divulgar a música clássica em Porto Alegre. Chegou a abrigar as Confrarias Mozart de Ópera e Lumière de cinema, com a apresentação mensal de uma ópera e de um filme clássico, ambos com autoridades do setor convidadas para comentar as obras.
0; --tw-skew-y: 0; --tw-translate-x: 0; --tw-translate-y: 0; border-color: rgb(229, 231, 235); border-style: solid; border-width: 0px; box-sizing: border-box; font-weight: bolder;">Sociedade Germânia, na avenida Independência, em Porto Alegre, anuncia o fim de suas atividades após 170 anos. No local, ocorreram casamentos, formaturas e diversos eventos culturais. “Infelizmente, chegamos ao limite, sentimos muito. Mas há uma satisfação grande por saber que os propósitos da sociedade, definidos quando fundada, foram atingidos”, afirma Werner Adelmann, 90 anos, presidente da entidade nos últimos 26.
A Germânia tinha, recentemente, cerca de 40 sócios, mas chegou a ultrapassar os 300. Além disso, nos tempos áureos, eram realizados quatro eventos por fim de semana. Hoje, essa é a soma do mês. Duas funcionárias permanecem até o desligar das luzes.
Ocupando dois andares do prédio de número 1.299 da Independência, o sexto e o sétimo, os custos do empreendimento ficaram caros para manter. Tanto que um empréstimo de cerca de R$ 300 mil – que já foi pago - teve de ser feito e dívidas com o condomínio acumularam. Mas nada que comprometa o patrimônio da sociedade, reforça Adelmann.
Presidente Werner Adelmann lamenta fechamento, mas celebra preservação do propósito | TÂNIA MEINERZ/JC
Presidente Werner Adelmann lamenta fechamento, mas celebra preservação do propósitoTÂNIA MEINERZ/JC
Para o presidente, os motivos para as dificuldades financeiras estão relacionados à pandemia de Covid-19, à enchente e às mudanças de comportamento. “A juventude tem outras diversões. Os casamentos sumiram, pois hoje as pessoas gostam de casar em lugares abertos, debaixo de árvores. A perspectiva imobiliária também mudou, com grandes salões de festas nos condomínios”, analisa.
Está no estatuto da sociedade que, em caso de dissolução, ela deve ser doada para uma instituição beneficente. E o destinatário será o Hospital Moinhos de Vento. Ainda estão sendo planejados os futuros usos do espaço, mas tudo indica que possa virar um polo de educação. Adelmann ajudará na transição, pois garante conhecer todos os detalhes do edifício. 
Diversos casamentos e formaturas ocorreram nos clássicos salões  | TÂNIA MEINERZ/JC
Diversos casamentos e formaturas ocorreram nos clássicos salõesTÂNIA MEINERZ/JC
A Germânia iniciou como uma casa no mesmo endereço, que chegou, inclusive, a ser usada durante a Segunda Guerra Mundial pela Zona Aérea. Quando o prédio foi construído (a partir de uma negociação feita pelo prefeito da época, Alberto Bins), a sociedade passou a ocupar as salas. Era, até então, a segunda mais antiga do Brasil administrada por alemães, atrás do Rio de Janeiro.
O declínio vem ocorrendo ao longo do tempo. Primeiro, fechou o restaurante, embora até 2019 houvesse jantar dançante aos sábados e almoço aos domingos – opções encerradas em 2020. Há cerca de três anos, foi vendida metade do sétimo andar e retirada a clássica escada de mármore que ligava os dois ambientes. Os bazares de Natal e de Páscoa também atraíam diversos empreendedores e público à sociedade.
Adelmann revela que, embora as pessoas estejam chateadas com o fechamento, “todo mundo se convenceu que não houve outra alternativa”. Tanto que ninguém quis assumir como presidente em seu lugar quando surgiu a oportunidade.
Ao caminhar pelos salões vazios da Sociedade Germânia é quase possível ouvir o som das músicas que embalaram momentos especiais. As mesas, os móveis clássicos, a cozinha fechada, tudo conta história. E isso não se apaga.

A história

A Sociedade Germânia foi fundada em 1855 por ex-combatentes alemães contratados pelo Império. A maioria fixou-se no Brasil, em especial em Porto Alegre, e, devido ao seu caráter associativo, fundaram um clube eminentemente social e cultural, a Sociedade Germânia.
Diversos clubes de projeção nacional, como a Sociedade Ginástica de Porto Alegre (Sogipa), o Leopoldina Juvenil e o União, além do Hospital Moinhos de Vento e do Colégio Farroupilha, tiveram origem nos salões da Germânia.
Três anos antes da fundação do Theatro São Pedro, a Germânia começava a divulgar a música clássica em Porto Alegre. Chegou a abrigar as Confrarias Mozart de Ópera e Lumière de cinema, com a apresentação mensal de uma ópera e de um filme clássico, ambos com autoridades do setor convidadas para comentar as obras.