domingo, 28 de novembro de 2010


Texto Raphaela de Campos Mello

10 filmes que vão fazer a sua cabeça

Antes de apertar o play, saiba que você corre o risco de ser arrebatada. Justamente porque o cinema tem o poder de transformar o olhar do espectador, indicamos produções que prometem tocar sua alma. Você só tem de aceitar o convite, apagar as luzes e deixar a trama rolar.

A sétima arte é uma rainha cheia de caprichos. Faz a gente rir, chorar, perder o fôlego, pensar por dias, semanas, meses. “Além do prazer estético, qualquer tipo de arte propicia uma maior e melhor compreensão interna de nós mesmos. Isso acontece porque os artistas conseguem expressar em suas obras as verdades mais íntimas e secretas do ser humano”, avalia o psicanalista Sérgio Telles, autor de O Psicanalista Vai ao Cinema– Volumes I e II (ed. Casa do Psicólogo).

No caso específico do cinema, ele explica, a identificação com a trama justifica a atração e o encantamento que sentimos por determinada produção. “O espectador tem a oportunidade de se reconhecer no enredo e no comportamento dos personagens, bem como nos conflitos interpessoais construídos pelo autor. Assim, consegue acessar conteúdos de sua própria mente, dos quais até então, talvez, não tivesse conhecimento”, esclarece Sérgio.

É por isso que, dependendo do impacto causado por uma película em nosso mundo interno, podemos carregar os louros dessa experiência pela vida afora. A seguir, dez sugestões para você se emocionar, refletir ou, simplesmente, se divertir. A pipoca está liberada.

1 MUITO ALÉM DA RAZÃO


Um amor improvável, proibido e autêntico. Assim é o sentimento que une o cirurgião Timoteo (Sergio Castellitto) e Itália (Penélope Cruz). Sabemos do romance quando a filha do médico sofre um acidente e só resta a ele esperar pelo fim da cirurgia.

Nesse momento, Itália toma os seus pensamentos e, a partir daí, a difícil saga dos amantes é reconstituída. Prepare-se para se emocionar com o encontro de uma mulher machucada pela vida com um homem disposto a amá-la, apesar de suas diferenças sociais. Não Se Mova (Drama, Itália, Imagem Filmes, 2004).

2 LUTO E TRANSCENDÊNCIA

É com imensa delicadeza que a diretora alemã Doris Dörrie aborda um tema espinhoso: a dor provocada pela perda de um ente querido. Trudi (Hannelore Elsner) ouve dos médicos que seu marido, Rudi (Elmar Wepper), tem pouco tempo de vida. Dali em diante, guarda consigo a sentença, evitando compartilhá-la com sua família. Seu desafio é convencer o parceiro, um senhor metódico e ranzinza, a se aventurar numa viagem para longe do cotidiano regrado.

Num segundo plano, emerge outra temática: a relação entre pais e filhos adultos. Enquanto a vida se esvai, os personagens se debatem entre o amor que sentem, mas desaprenderam a expressar, as mágoas do passado e o individualismo do presente. Profundo e muito tocante! Hanami – Cerejeiras em Flor (Drama, Alemanha/ França, Filmes da Mostra, 2008).

3 O AMOR ESTÁ NO AR


Quem nunca sonhou em viver um romance na capital francesa? Se você faz parte desse grupo, irá se deliciar com Paris, Te Amo. Mas saiba de antemão que não encontrará aquele monte de clichês relacionados à Cidade Luz. O filme é uma colagem de 18 curtas-metragens dirigidos por grandes cineastas, como Walter Salles e os irmãos Cohen. São histórias de encontros, desencontros, solidão e incomunicabilidade. Uma ótima pedida para se apaixonar por Paris, claro! Paris, Te Amo (Romance, França, Imagem Filmes, 2006).

4 JUNTOS, ACIMA DE TUDO


Dizem que toda família tem seus dramas. Só mudam os endereços. No caso dos Hoover, os problemas são acachapantes, como também o amor e a solidariedade que os une, literalmente, já que passam quase todo o filme dentro de uma Kombi. A viagem tem um motivo: levar a caçula Olive (Abigail Breslin) para participar de um concurso de beleza. Detalhe: a garota não se encaixa nos padrões estéticos vigentes. Uma maneira bem-humorada de criticar a sociedade americana, abordando temas como a obstinação pelo sucesso e a velhice. Pequena Miss Sunshine (Comédia dramática, EUA, 20th Century Fox Film, 2006).

5 ELES FALAM SOBRE ELAS


O diretor espanhol Pedro Almodóvar, astuto desbravador da alma feminina, volta sua câmera, dessa vez, para a cumplicidade masculina. Lado a lado, vivendo situações similares, estão Benigno (Javier Cámara), um jovem enfermeiro, e Marco (Dario Grandinetti), escritor. Ambos acompanham o calvário de duas mulheres hospitalizadas em estado de coma.

Enquanto atravessam esse período de incertezas, tornam-se amigos e confidentes. Benigno, o mais terno, instiga o colega, anestesiado em face da fatalidade, a exercitar sua sensibilidade, na tentativa de aproximar-se de sua esposa. Essa é a deixa para os dois trocarem impressões sobre as mulheres. Para eles, seres complexos e misteriosos. Com isso, o sexo feminino acaba, como sempre, ocupando o centro da narrativa. Fale com Ela (Drama, Espanha, 20th Century Fox Film, 2002).

6 CORAGEM NAS ALTURAS


Nada como admirarmos a saga de uma pioneira para saírmos do cinema dispostas a conquistar o mundo. É assim que você vai se sentir depois de conhecer a biografia de Amelia Earhart (Hilary Swank), a lendária aviadora que desapareceu enquanto sobrevoava o Oceano Pacífico em 1937. Destemida, ela queria contornar o planeta, depois de ter-se tornado a primeira mulher a fazer a travessia do Oceano Atlântico no comando de um avião. No campo afetivo, Amelia dividiu-se entre dois grandes amores: o marido George Putnam (Richard Gere), relações públicas e magnata do mercado editorial, e o piloto Gene Vidal (Ewan McGregor), amigo de longa data. Amelia (Drama, EUA/Canadá, 20th Century Fox Film, 2009).

7 VIDA REFEITA


Depois do divórcio, a vida da escritora Frances (Diane Lane) perde a cor. Mas as luzes da Toscana a aguardam. Ela não sabe disso quando embarca numa excursão para a terra dos girassóis. Do outro lado da tela, saboreamos cada passo da sua jornada de reconstrução. A começar pela compra de uma casa antiga. Após a aquisição, começam seus esforços para se colocar de pé, bem como para restaurar a deteriorada edificação. O medo e a solidão logo são afugentados com a chegada de novos amigos, sabores e amores. Sob o Sol da Toscana (Romance, EUA, Buena Vista, 2003).

8 O FEMININO FERIDO


A sinopse de Lemon Tree prepara o espectador a encarar um filme sobre o conflito entre Israel e Palestina. A surpresa, emocionante, por sinal, é perceber a certa altura o recorte sensível do roteiro: a opressão do feminino por duas culturas belicosas e patriarcais. Salma, uma viúva palestina, vê sua plantação de limoeiros ser ameaçada quando o Ministro de Defesa de Israel se muda para a casa ao lado.

As árvores, às quais dedica todo seu zelo, colocam a segurança do político em risco. Para que não sejam derrubadas, a protagonista se lança numa batalha judicial. Com o fervor de uma mãe em defesa de seus filhos, ela rompe o silêncio imposto às mulheres e se faz ouvir. Lemon Tree (Drama, Alemanha/França/Israel, Imovision, 2008).

9 GUERRA DOS SEXOS


A vida a dois tem nuances ora hilárias, ora dramáticas. Cenas patéticas de ciúmes, ataques de carência, distanciamento, dúvidas, inseguranças. Todas as gradações do amor estão presentes neste filme, que revelou o cineasta Woody Allen. Alvy Singer (Allen) e Annie Hall (Diane Keaton), ele, comediante, ela, cantora, se conhecem, se apaixonam e, em pouco tempo, passam a dividir o mesmo teto.

Eis que as diferenças emergem, desestabilizando a união do casal. Alvy é inseguro, atrapalhado e receoso de perder sua liberdade. Annie, por sua vez, é jovem, intensa e impulsiva. As agruras do casal rendem diálogos satíricos, bem-humorados e inteligentes, com recorrentes alusões à psicanálise, marca inconfundível desse cineasta novaiorquino. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Comédia, EUA, 20th Century Fox Film, 1977).

10 DIVA EM AÇÃO

Quem não conheceu o glamour da década de 1950 precisa assistir a essa deliciosa comédia, centrada no brilho de Marilyn Monroe. A loira fatal interpreta a cantora Sugar, líder de uma banda composta apenas por integrantes do sexo feminino. No meio do batalhão de mulheres, os músicos Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon) fazem malabarismos para conquistar a beldade.

Mas aí que está a graça da trama. Eles não podem revelar suas verdadeiras identidades, já que estão disfarçados de donzelas. Medida desesperada após terem acidentalmente testemunhado uma chacina cometida por gângsteres na violenta Chicago de 1929. Garantia de boas risadas! Quanto Mais Quente Melhor (Comédia, EUA, 20th Century Fox Film, 1959).

Nenhum comentário: