quinta-feira, 11 de novembro de 2010



11 de novembro de 2010 | N° 16516
PAULO SANT’ANA


Santana, mas do Livramento!

Acordei manhã cedinho como um jovem de 20 anos, depois do furo que dei na coluna de ontem, noticiando que foram criadas milícias de taxistas (por alguns taxistas) em Porto Alegre para reagir aos assaltos de que a classe é vítima nas ruas.

Ao chegar aqui na Redação, manhã cedinho, estava à minha espera o Mauro Toralles, diligente repórter e redator, ansiando para que eu lhe desse outros detalhes do meu furo.

O Carlos Wagner, mais antigo e eficiente repórter de Zero Hora, autor de memoráveis e históricas reportagens, me esperou na porta e gritava entusiasmado: “Furo nacional, Sant’Ana. Furo nacional! E me dá agora o endereço das vítimas”.

O Wagner saiu em seguida para repercutir a notícia hoje e nos próximos dias.

Eu e o Wagner somos os melhores não porque sejamos sábios, inteligentes, argutos, trabalhadores. Eu e o Wagner somos os melhores porque somos velhos. Quanto mais velhos nós somos, melhores nós ficamos. Isso é o que pretendo dizer aos empresários que não admitem velhos nos quadros da suas empresas e aos que demitem os velhos ou os mantêm sob ameaça de demissão os maduros.

Eu tenho 71 anos de idade e posso garantir aos meus leitores que, assim como aconteceu ontem, as minhas melhores colunas ainda não saíram em Zero Hora, elas vão sair no futuro.

Porque a experiência e o cabedal que tenho me fazem quase perfeito. O coroa aqui é quase perfeito, nada escapa a ele, meus leitores e ouvintes e telespectadores, fiquem na escuta e na leitura que vocês daqui para o futuro é que terão os grandes lances de Pablo.

Os melhores momentos de Pablo ainda não aconteceram, vocês me verão nas próximas edições. Até lá...

Por falar nisso, uma das maiores alegrias do povo gaúcho em todos os tempos e um dos maiores orgulhos da RBS em toda a sua história foram proporcionados por um “velho”: Paul McCartney.

Vejam, por exemplo, o que está acontecendo comigo em relação a Livramento, agora.

Uma vez, Santana do Livramento me recebeu, uns 15 anos atrás, como se eu fosse um estadista: puseram-me em cima de um carro de bombeiros, uma carreata de 500 veículos atrás de mim, das janelas das casas e dos apartamentos os santanenses me acenavam com seus lenços, dando-me a certeza de que foram tocados por mim através dos anos e oferecendo a sua terra para a minha benesse sentimental.

Quando cheguei à praça da frente da prefeitura, uma multidão me aguardava para me tocar e me ouvir, os meus olhos estavam banhados de lágrimas. Porque eu não tinha noção do alcance das minhas atuações em jornalismo, não sabia que chegavam tão longe, lá no centro gravitacional da paixão gaudéria, Livramento dos nossos devaneios teatinos.

Pois bem, eu nunca esqueci aquela grandiosa recepção. E, por isso, como tenho feito o Sala de Redação e o Jornal do Almoço somente às quintas-feiras, não teria a obrigação de na próxima terça-feira, dia 16, ir a Santana do Livramento junto com meus colegas do Sala de Redação, onde realizaremos um programa especial de debates.

Mas como deixar de ir, se Livramento me adora e já deu provas disso? Como deixar de haurir o churrasco mais espetacular da Fronteira, que nos será oferecido na nossa chegada, dia 15, à noite, pelo Kamal Badra, proprietário da RCC FM e do jornal A Platéia?

Como não ir, se sei que nos receberão de braços abertos?

Não ir seria como renunciar em definitivo à vida e aos prazeres que ainda restam.

Estarei lá. E já estou juntando uns trocos para apostar nos números 8, 11, 29 e 32 na roleta do cassino de Rivera.

Eta mundo véio sem porteira!

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