sábado, 13 de novembro de 2010



13 de novembro de 2010 | N° 16518
ANTONIO AUGUSTO FAGUNDES


Gino Ferri, um guri de 88 anos

Gino Ferri, respeitado escritor de Encantado, tem uma vitalidade espantosa aos 88 anos. É um apaixonado pela vida e nisso tem grande responsabilidade a dona Wanda, a esposa que lhe deu um casal de filhos. O caso de amor desses dois impressiona e comove seus amigos. Ela é o tema de seu mais recente livro, uma verdadeira poesia e um canto de amor. Genuíno Antonio Ferri - esse é o seu verdadeiro nome - é um homem calmo, de olhos claros e vivos, que cativa pela alegria e pela inteligência.

Foi praticamente professor toda a sua vida e sua obra tem um sentido didático impressionante. Quer dizer, mesmo aposentado ela continua ministrando lições de peregrina beleza. Por intermédio de um comum amigo, o Dr. José Montini, recebi agora o livro As Quatro Revoluções, onde Gino Ferri fala sobre a Revolução Farroupilha, a Revolução Federalista (1893 a 1895), a Revolução Assisista (1923) e a Revolução Libertadora de 1930. Li o livro de uma sentada só. Claro que são assuntos que devo conhecer bem, mas a maneira com que Gino Ferri aborda esses temas é fascinante.

Seu estilo é elegante e didático, sem ser “doutoral”. Penso que é uma obra ideal para todos os professores de História do Rio Grande do Sul, sempre carentes de bons livros a seu alcance. Trata-se de uma leitura fácil e agradável e profundamente cativante. Não se trata de um discurso tradicionalista, nem de pregação cívica, mas de lições práticas e eficientes, professor que ele é.

Tenho pelo meu amigo Gino Ferri um antigo apreço e uma arraigada admiração. Sei da sua dedicação pelos temas da nossa Historia e dos seus sentidos de responsabilidade com as novas gerações, de sua preocupação de transmitir à infância ensinamentos sobre o nosso passado, sobre os homens que balizaram a nossa formação.

Como ele, acho que cabe a nós, os veteranos, alcançar aos mais novos a nossa experiência, contar o que estudamos, dizer o que aprendemos. Ensinar é também aprender constantemente. Como é bonito condensar obras que, no conjunto, são uma verdadeira biblioteca. Resumir isso num livro é uma tremenda responsabilidade, responsabilidade que temos que assumir para facilitar o caminho dos que vêm depois de nós, dos que aprendem conosco.

Gino Ferri assume essa responsabilidade. Coloca-se assim no papel do velho pagé que transmite aos jovens guerreiros a sua experiência madurada em longas leituras, no manuseio dos manuscritos dos velhos mestres. Seu texto não é a escrita álgida de palavras petrificadas, é suavizada pelo carinho e pela ternura de quem sabe falar com as crianças e com os adolescentes. Mesmo porque crianças e adolescentes embevecidos pelo encantamento dos homens e fatos da nossa Pequena Pátria somos todos nós.

Há muito amor neste livro. E sem amor não se faz nada com permanência.

Um abraço, velho amigo. Que o Deus do pago te acompanhe sempre. Que as peregrinas lições de civismo e de grandeza que tu nos deste permaneçam para sempre com nossos filhos e netos.

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