quarta-feira, 14 de janeiro de 2009



14 de janeiro de 2009
N° 15848 - PAULO SANT’ANA


Está chegando o Camelódromo

Tenho uma curiosidade imensa de como se comportarão os 800 camelôs designados para a Faixa de Gaza, como apelidei o Camelódromo que se inaugurará no Centro dentro dos próximos dias.

Serão 800 lojistas que nunca foram lojistas e agora terão de se comportar como tal. Será que eles vão se adaptar à nova circunstância?

Porque o melhor ponto do Centro para camelô continuará sendo a Rua da Praia, a Rua Marechal Floriano, a Rua José Montaury e adjacências. Será que o vírus da camelotagem que corre nas veias dos novos lojistas da Faixa de Gaza não os impelirá a instalar filiais nas calçadas das ruas do Centro, onde poderiam exercer a sua vocação histórica de armar tendas e fugir da fiscalização?

Estou torcendo para que dê certo o Camelódromo, que a cidade se organize finalmente e o comércio regular do Centro possa investir nos seus pontos tradicionais, sem a concorrência furiosa e insalubre dos camelôs.

Pelo menos agora a população da cidade não terá mais que se apiedar dos camelôs que são perseguidos pela fiscalização e pela polícia, foi dado a eles o direito de se estabelecer num gueto específico de vendas e compras.

A minha dúvida é a seguinte: alguém ia ao Centro para comprar dos camelôs, ou cada impulso de compra da clientela era improvisado e espontâneo, fruto apenas do fluxo de pedestres que era atraído para as tendas?

Dependendo da imaginação e iniciativa dos 800 camelôs que se transformarão em lojistas, penso que o Camelódromo pode virar um ponto de sucesso na geografia da cidade. Como deixarei de visitar o Camelódromo uma de cada duas vezes que for ao Centro se lá houver produtos que só lá poderei encontrar, uma espécie de mercado persa e zona franca que agitará a população, ávida sempre por adquirir alguma coisa?

Para melhor me informar, telefonei ontem para o Ocimar Pereira, assessor na Secretaria Municipal de Indústria e Comércio.

Haverá uma área de alimentação, com pizzaria, restaurantes de grelhados, entre eles a Sulina Grill, mas não será atendida pelos camelôs e sim por designação do concessionário, que foi quem arcou com os custos da construção toda.

No térreo, haverá 10 bancas de frutas e verduras, que foram concedidas a deficientes visuais que trabalham hoje na intempérie da rua.

Poderão ser adquiridos nas 800 lojas os seguintes produtos: eletroeletrônicos, vestuário em geral, sapatos, cosméticos, bugigangas e quinquilharias em geral.

No terceiro andar, haverá um restaurante com vista para o Guaíba, capacidade para 300 clientes e estacionamento para 216 carros.

O Camelódromo consiste em dois blocos, um no quarteirão entre a Voluntários da Pátria e a Júlio de Castilhos, outro dali até a Mauá, ligados por duas passarelas que passam por cima da Júlio de Castilhos.

E finalmente a resposta a uma indagação forte que eu tinha: não irão para o Camelódromo os pipoqueiros, vendedores de churros, churrasquinho de gato e cachorro-quente, eles permanecerão nas ruas do Centro, somente os atualmente credenciados, cerca de 140, todos com curso de manuseio de alimentos da Secretaria Municipal da Saúde, com aventais e toucas brancas.

Está sendo dada no dia 19 ou no dia 26 a largada para o Camelódromo, tem de ser numa segunda-feira, para os camelôs não pararem de vender e transferir suas mercadorias para o novo local.

Deus queira que venha a ser um relicário da cidade, um ponto de atração turística, um lugar que seja atração para a população de todo o Estado, um grande e agitado shopping de relações humanas e comerciais.

Porque as autoridades municipais, capitaneadas pelo secretário Idenir Cecchin, prometem ao povo e aos comerciantes regulares que não serão mais tolerados os camelôs no Centro. Rigorosamente, não.

Vamos torcer por isso.

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