domingo, 24 de janeiro de 2010


EMÍLIO ODEBRECHT

Dos cuidados com a saúde

MEU PAI, QUANDO tinha 24 anos de idade, caiu doente e conta que ficou preso a um leito durante 37 dias. Eram os anos de 1940 e já tocava seu primeiro negócio, uma empresa individual de engenharia.

Ao longo daquele afastamento inesperado, deu-se conta de um fato: a saúde de um empresário não lhe pertence. Ela é de seus clientes, acionistas, credores, colaboradores e de sua família. Ou seja, daqueles cujo bem-estar emocional e econômico dele dependem.

Foi uma constatação que serve a todos, homens e mulheres, quaisquer que sejam suas atividades profissionais, e que pode ser ampliada para a compreensão da relação direta que existe entre a saúde e o papel social e profissional de uma pessoa.

O desempenho do responsável por uma família -seu espírito de servir e sua capacidade de cumprir os deveres que tem- é consequência de sua saúde, da saúde de seus familiares, de seu padrão de vida e da possibilidade real de construir um patrimônio.

Essas condições são pré-requisitos para que alguém possa testar os próprios limites e superá-los, potencializando habilidades e conhecimentos no trabalho e na vida.

É inescapável o reconhecimento de que é da exclusiva atribuição de cada um de nós a decisão de adotar, em caráter permanente, com disciplina, práticas e cuidados preventivos que minimizem ou anulem os riscos naturais aos quais todos estamos expostos.

Sabemos que alguns hábitos de vida podem levar o indivíduo à ruína física, moral e econômica, além de torná-lo dependente de caros tratamentos médicos.
Mas é imprescindível que se olhe para o tema com uma visão alargada, em uma perspectiva estratégica para o Brasil. Não há progresso em um país de doentes.

No âmbito público, é urgente a criação de um sistema de saúde capaz de atender plenamente a todas as necessidades da população. O que temos hoje está sobrecarregado e não satisfaz a demanda crescente por serviços com um mínimo de qualidade.

No âmbito privado, os empresários devem reconhecer que o trabalhador que obtiver de sua empresa a remuneração justa, mediante a partilha da riqueza que cada um gera, retribuirá à altura.

É isso que vai lhe assegurar os meios para propiciar a si próprio e à família condições de prevenção da saúde e tratamento adequado quando necessário, realização pessoal e vida próspera.

Estamos falando, portanto, de fatores que impactam diretamente a produtividade que precisamos ter para assegurar a competitividade que o mundo atual impõe a empresas e países que querem caminhar no rumo do desenvolvimento.

EMÍLIO ODEBRECHT escreve aos domingos nesta coluna.

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