sexta-feira, 31 de julho de 2026

31 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Ajuste fiscal é tema incontornável

Com a dívida pública do país no maior nível dos últimos cinco anos e subindo, é inadiável implementar um ajuste fiscal robusto a partir de 2027 para conter a trajetória insustentável dos gastos. Será inescapável para o futuro governo, seja ele de Luiz Inácio Lula da Silva, em um novo mandato, seja de qualquer outro nome da oposição.

Causa preocupação que o tema, até agora, tenha sido abordado somente de forma superficial, mesmo pelos candidatos que querem desalojar o petista do Planalto. Aguarda-se que, nas próximas semanas, com o início oficial da campanha, as propostas para o controle das contas surjam e sejam consistentes e críveis. Caso contrário, as empresas e as famílias brasileiras continuarão a padecer com um juro sufocante que só produz endividamento e inadimplência. O Banco Central (BC) acabará forçado a manter a Selic em patamar elevado para segurar a inflação.

Os números atestam a situação delicada. Em junho, a dívida pública federal cresceu 2,6% ante maio, em torno de R$ 240 bilhões, e chegou a R$ 9,27 trilhões. O indicador demonstra o endividamento do Tesouro para financiar o déficit do governo. Em maio, conforme o BC, a dívida bruta do governo geral - que também inclui Estados e municípios - avançou para 81,1% do PIB, nível elevado para um emergente e avanço de 0,9 ponto percentual sobre o mês anterior. Em janeiro, estava em 78,7%. O Tesouro projeta que a trajetória de alta seguirá até 2029, quando atingiria 87,9%.

O arcabouço fiscal adotado pelo governo Lula carece de credibilidade. Para respeitá-lo formalmente, o Planalto optou por excluir uma série de gastos do cálculo. Um autoengano. Na vida real, os gastos seguem em alta. Apenas o pacote de bondades eleitorais prevê R$ 190 bilhões. Desse total, R$ 118 bilhões ficaram fora do teto da regra, conforme cálculos do economista Marcos Mendes, um dos maiores especialistas em contas públicas do país.

Noticia-se que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, procurou interlocutores de grandes bancos para sinalizar que, em um eventual novo governo, o limite de crescimento dos gastos da inflação não seria mais de 2,5%, mas entre 1,5% e 2%. É insuficiente para o tamanho do desafio, potencializado pelo crescimento das despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e programas sociais, indexados ao aumento do salário mínimo, e em meio a um orçamento cada ano mais engessado. E nem sequer é um compromisso de campanha.

Na oposição, o candidato mais bem posicionado nas pesquisas, Flávio Bolsonaro, fala em "tesouraço" nos gastos, mas até aqui é bastante genérico em suas ideias. A economista Daniella Marques, coordenadora de propostas do senador do PL para a área, cita redução de despesas e controle da dívida, porém tampouco exibe detalhes. Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) também vão na linha da responsabilidade fiscal, mas têm propostas ainda abstratas ou politicamente de difícil implementação.

Não se espera que, pela pouca popularidade do tema, os candidatos propagandeiem como cortarão gastos, em especial os sociais. Mas a sustentabilidade das contas públicas é um tema incontornável e os postulantes à Presidência têm o dever de ser transparentes com os eleitores. _

Opinião do leitor

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Almanaque Gaúcho

Com "Memórias do Renner" (ZH, 28/7), voltei ao passado. E como amei fazer parte desta emoção. Trabalhar no Renner foi muito gratificante. O Sr. A. J. Renner foi uma pessoa boníssima. Grêmio Esportivo Renner, foi sensacional acompanhar tudo de perto. Muito obrigada, Leandro Staudt, por esta lembrança encantadora. _

Maria Lurdes Derenji - Aposentada - Imbé

Alagamentos

Li a matéria do dia 28/7 em GZH em que o diretor-presidente do Dmae diz que os alagamentos em Porto Alegre serão resolvidos até 2031. Sr. diretor, estamos em 2026. É uma vergonha ver esse prazo. Estamos na era da maior tecnologia até então vivida. Aos moradores de Porto Alegre e visitantes, sugiro comprar botas novas, pois serão muito necessárias. _

Luiz Anselmo Colling - Consultor de empresas - Porto Alegre

Erros em série

A trama de Eduardo contra o Brasil nos EUA: primeiro tarifaço sobre nossas exportações. O encontro do pré-candidato Flávio com Trump na Casa Branca: segundo tarifaço. A "Carta aos brasileiros", escrita por Jair e divulgada nas redes sociais: Flávio alvo de investigação por propaganda antecipada. O dinheiro sujo tomado por Flávio de Daniel Vorcaro (Master): R$ 61 milhões, supostamente para financiar o filme sobre a vida do ex-presidente. O "fogo amigo" de Michelle. As suspeitas levantadas por Flávio (a exemplo do pai, declarado inelegível), em fala a embaixadores estrangeiros, sobre o processo eleitoral. A série de erros e tiros no pé dos Bolsonaro só facilita a reeleição de Lula! _

Clovis José Formolo - Aposentado - Porto Alegre

Fundo do poço

Quando o advogado de uma agremiação usa áudio falso (conversa de site que faz paródia entre a comunicação do árbitro e a equipe do VAR) para defesa de um jogador, como fez o advogado do Internacional no caso do jogador Victor Gabriel, não é só no campo que as coisas estão ruins. Fora do campo está pior ainda. _

Vital Romaneli Penha - Aposentado - Jacareí (SP)

Feminicídios

A imprensa divulga que o Rio Grande do Sul tem 46 feminicídios neste ano até agora. A Lei Maria da Penha parecia ser uma luz no fim do túnel, mas até o momento o que se vê é a complacência de alguns delegados e juízes, que ainda não compreenderam a gravidade desses crimes. As vidas das mulheres parecem valer pouco. Muito triste isso. _

Lauro Becker

Empresário - Porto Alegre

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