24 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes
Alerta para estações do Inmet no RS
Apenas uma em cada seis estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) estavam plenamente operacionais no Rio Grande do Sul entre os dias 17 e 21 de julho de 2026, período crítico para o acompanhamento de temporais que atingiram recentemente o Estado. Do total de 98 estações, só 16 estavam funcionando completamente. As outras 82 estações (83,7%) apresentavam pelo menos um tipo de falha.
O levantamento, assinado pelo meteorologista Gabriel Cassol e pelo professor da Unisinos Artur Jacobus, foi feito com base em dados públicos da rede do Inmet, disponíveis na internet.
Das 82 estações que apresentavam algum problema, 20 estavam inativas e outras 23 passaram a maior parte do tempo sem funcionar ou tiveram interrupções frequentes e prolongadas. Seis estações concentraram três ou quatro tipos de problema: Casca, Ibirubá, Lavras do Sul, Mostardas - Bacupari, São Luiz Gonzaga e Uruguaiana.
Em Porto Alegre, a Estação do Jardim Botânico, por exemplo, apresentou falha recorrente de duas a quatro variáveis e interrupções frequentes e prolongadas. O mesmo ocorreu com a estação de Santa Maria, na região central do Estado. Na Serra, as estações do Aeroporto de Caxias do Sul e no distrito de Criúva estavam inativas. Em Passo Fundo, a estação também estava sem funcionar.
- Isso nos preocupa porque sabemos que a rede de estações do Inmet é extremamente importante como geradora de informação, seja para os modelos de previsão meteorológica, seja para Defesa Civil, seja para os estudos de clima. E o fato de não estarem funcionando ou estarem gerando dados incompletos faz com que tenhamos problemas na previsão e nos alertas da Defesa Civil - diz Jacobus.
À coluna, o Inmet, órgão do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília, informou: "As estações meteorológicas localizadas no Rio Grande do Sul estão passando por manutenção preventiva e corretiva, que inclui a atualização do programa utilizado em sua operação. Os serviços são executados periodicamente e a previsão de conclusão, para o RS, é no mês de agosto. Durante esse período, poderão ocorrer indisponibilidades no funcionamento das estações, em razão das intervenções técnicas necessárias."
Faixas na Orla chamam a atenção para pauta ambiental
A Anistia Internacional Brasil, o Greenpeace Brasil e a ActionAid Brasil realizaram ontem uma ação de conscientização na Orla do Guaíba. As entidades estenderam três faixas em um local próximo ao Shopping Pontal.
As faixas traziam as frases: "El Niño é ameaça. Negligência é escolha"; "Adaptar é direito, não concessão"; e "Reconstrução com justiça".
Conforme a Anistia, a ação teve como objetivo reforçar o alerta para a situação de vulnerabilidade das pessoas diante de eventos climáticos extremos cada vez mais intensos.
A mobilização ocorreu no contexto da Semana de Ação Climática de Porto Alegre. _
A celebração dos 90 anos de Fernando Ernesto Corrêa
Poucos personagens ajudaram tanto a moldar a comunicação gaúcha quanto Fernando Ernesto Corrêa. Aos 90 anos, o advogado, jornalista e empresário recebe, na página ao lado, nesta edição de Zero Hora, uma homenagem por sua trajetória que permeia empresas, governos e a consolidação da liberdade de imprensa no Rio Grande do Sul e no Brasil.
Nenê, para os colegas do Colégio Nossa Senhora das Dores e parceiros do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, o "Bacharel", como era chamado pelo grande amigo Maurício Sirotsky Sobrinho, ou simplesmente o "Lobista", como se autodefiniu em sua biografia, Fernando Ernesto construiu uma trajetória que transitou pelo jornalismo, pela política e pelos negócios.
Filho da dona de casa Maria Isabel e do jornalista e economista Ernesto Corrêa, lendário diretor do Diário de Notícias, ele cresceu respirando imprensa. Formou-se em Direito e Administração, destacou-se como advogado e, desde cedo, aproximou-se de entidades representativas do setor de comunicação. Mas nunca deixou de se orgulhar de ter sido repórter - profissão que considera a essência de tudo o que viria depois.
Sua trajetória faz parte da história da RBS. Fernando Ernesto ingressou na empresa nos anos 1960. Foi comentarista esportivo da Rádio Gaúcha e da TV Gaúcha.
Mais tarde, passou a atuar como advogado das emissoras e participou da interiorização da comunicação do Rio Grande do Sul com a criação da rede regional de televisão da RBS. Já como sócio da empresa, ele assumiu papéis decisivos na articulação institucional, aproximando o grupo de entidades representativas do setor. Presidiu a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão (Agert) e foi vice-presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).
Defesa do Jornalismo
A Assembleia Nacional Constituinte, no final dos anos 1980, foi terreno fértil para suas bandeiras. Em Brasília, onde permaneceu por cerca de dois anos, Fernando Ernesto participou das articulações que ajudaram a moldar o capítulo da Comunicação Social da Constituição de 1988.
O debate era intenso. Havia setores que defendiam a presença maior do Estado sobre emissoras e mecanismos de controle dos veículos. As divergências foram tão profundas que parte do texto acabou sendo decidida em plenário.
Foi uma das maiores vitórias da liberdade de expressão no país, sobretudo pela consagração constitucional da proibição de qualquer forma de censura.
Negociador nato, o aniversariante deste 24 de julho sempre preferiu construir pontes a ampliar conflitos. Fernando Ernesto fez parte da direção da RBS como diretor-superintendente, ao lado de Maurício Sirotsky Sobrinho, que era o presidente, e de Jayme Sirotsky, vice-presidente.
Fernando Ernesto contribuiu para construir as bases que tornam possível uma imprensa livre e regionalmente forte. Aos 90 anos, é integrante do Conselho de Acionistas do Grupo RBS e seu filho Geraldo Corrêa faz parte do Conselho de Gestão. O empresário constrói um legado que ultrapassa fronteiras entre empresas, cargos ou negociações.
Está presente na defesa permanente da liberdade de expressão, na consolidação da comunicação privada no país e na crença de que uma democracia saudável depende de jornalismo forte, plural, profissional e independente.

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