OPINIÃO RBS
O amparo do conhecimento
Merece ser saudada a boa aceitação dos quatro pré-candidatos ao Piratini mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto da ideia de criar um comitê permanente de assessoria em projetos estratégicos, capitaneado pelas principais universidades gaúchas. A proposta foi levada a Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) pelo grupo que forma a Aliança para a Inovação - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Outras instituições e setores da sociedade gaúcha também poderiam participar da instância.
A intenção é tão simples quanto promissora. O propósito central é que a massa de conhecimento existente na academia auxilie o próximo governo na formulação e na implantação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento. É natural que cada postulante ao Executivo estadual e seus grupos políticos tenham visões distintas sobre formas de o RS recuperar o dinamismo.
Mas quem for ungido pelas urnas poderá imprimir maior eficiência aos seus planos nas mais diferentes áreas, da infraestrutura à educação, se as ações tiverem respaldo em evidências científicas. Ademais, parece ser incontroverso, a essa altura, que o RS tem desafios cruciais, como a adaptação às mudanças climáticas, a retenção de talentos e a melhora dos indicadores de aprendizagem, além de oportunidades claras em negócios ligados à transição energética.
Mas é importante reforçar que o intuito do chamado Comitê de Assessoria em Projetos Estratégicos do Estado (Cape-RS) não é usurpar a autonomia conferida pela soberania popular ao governador ou governadora. A intenção, a partir da definição das prioridades ou dos setores estratégicos pelo Executivo, é ser consultivo e auxiliar com a experiência dos recursos humanos e o saber científico acumulado, para que os melhores resultados possam ser alcançados.
O Rio Grande do Sul vive uma encruzilhada climática, demográfica, educacional e logística. São problemas complexos, que exigem soluções amparadas em uma consistência que só o conhecimento sólido proporciona. Encontrar saídas que façam o Estado voltar aos trilhos do progresso, reconquistar posição de vanguarda e avançar na qualidade de vida depende de políticas de longo prazo. Serão mais robustas e menos onerosas com a clareza sobre o que utilizar e descartar.
O Estado precisa de um projeto que mire as próximas décadas. Parte desse planejamento está no Plano Rio Grande, aprovado na Assembleia, o que lhe confere caráter duradouro. Mas há outras frentes que vão além da reconstrução, da adaptação e da resiliência climática. As chances de sucesso serão maiores se existir uma integração efetiva entre poder público, academia, centros tecnológicos, setor privado e sociedade civil. A ideia proposta pela Aliança para a Inovação vai nesse sentido e, portanto, reúne justificadas razões para ser testada pelo novo governo a ser escolhido pelos gaúchos. _

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