sábado, 11 de julho de 2026

11 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Promessa ousada, entrega tímida

Há quase dois anos, em agosto de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista à Rádio Gaúcha e, de maneira categórica, assegurou que, até o final de 2026, entregaria a duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande. A realidade à época já demonstrava que a promessa era da boca para fora. Sequer havia perspectiva concreta de início das obras nos lotes 1 e 2, mais próximos da Região Metropolitana. Vinte e três meses depois, esses mesmos trechos permanecem sem trabalhos, como mostra reportagem de Guilherme Milman publicada na sexta-feira em GZH, que averiguou a situação da rodovia em 630 quilômetros, de Porto Alegre a Uruguaiana.

A verdade é que qualquer projeção sobre prazo para finalizar a duplicação do trajeto em questão é mero chute. Depende da disponibilidade de orçamento, problema que ressurge de forma recorrente, e da superação de burocracias de toda ordem, costumeiramente razão para travar obras públicas. A realidade mostra que apenas 28 quilômetros receberam a segunda pista até agora, em dois pontos dos lotes 3 e 4, de Butiá a Pantano Grande. 

Restam mais 87 quilômetros para duplicar, extensão três vezes maior do que a que teve os trabalhos concluídos. Quem circula pela rodovia nas partes ampliadas, separadas por um canteiro central, tem alguns minutos de alívio de uma estrada saturada e perigosa, para em seguida retornar ao quadro predominante de um tráfego pesado, intenso e com maior risco de acidentes.

A promessa foi ousada, mas a entrega até aqui foi tímida. Não se trata de uma estrada qualquer, mas de uma das rodovias mais importantes do Estado, que corta o mapa gaúcho de leste a oeste e é o principal corredor de cargas entre Brasil e Argentina. É vexatório que, na mais importante ligação terrestre entre São Paulo e Buenos Aires, somente na BR-290, entre Eldorado do Sul e Uruguaiana, ainda exista pista simples.

Essa constatação exige reforço na reivindicação por obras em ritmo mais acelerado, para que o fim da duplicação chegue em um prazo não tão dilatado. Convém recordar que os primeiros serviços do projeto ocorreram em 2015 e, originalmente, a inauguração dos 115 quilômetros duplicados seria em 2017. Mas, até 2023, o que se viu foi quase nenhuma evolução. A retomada três anos atrás foi bem-vinda, mas em velocidade muito aquém do necessário e do que foi propagandeado.

Agora, duas etapas previstas para começar ainda no primeiro semestre, nos lotes 2, 3 e 4, seguem à espera dos homens e das máquinas na pista. Falta dinheiro. Sabe-se que o quadro orçamentário do governo federal é apertado e, em 2027, será preciso um ajuste duro nas contas do país. A disputa por verbas tende a ficar mais acirrada. Cabe à sociedade gaúcha, às forças políticas do Estado e às entidades empresariais ampliar a pressão pela garantia dos recursos necessários - assim como para a duplicação da BR-116 entre Guaíba e Pelotas, outra saga, que avança com lentidão semelhante desde 2012.

Para crescer de forma mais robusta, o RS precisa qualificar a sua infraestrutura rodoviária - sem esquecer os demais modais. Duplicar estradas é basilar. Deve-se cobrar maior celeridade nas obras públicas, mas também ficar atento aos prazos estipulados para as vias concedidas. 

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