10 de Julho de 2026
MARCO MATOS
Pizza
Hoje é Dia da Pizza. Essa data foi criada nos anos 1980 por um secretário de Turismo de São Paulo com um objetivo simples: celebrar e divulgar ainda mais um dos pratos mais populares do planeta.
Onde quer que a gente vá, há uma pizza esperando. A receita nasceu na Itália, claro, mas conquistou o mundo inteiro. E talvez o segredo esteja justamente na simplicidade: massa, molho e alguma coisa por cima. Parece pouco. Mas, quando tudo é bem feito, vira uma experiência inesquecível.
Dentro desse universo existem muitas variações. E tudo começa pela base: a massa. A mais gostosa que já comi é de uma pizzaria de São Paulo que usa uma técnica que lembra massa folhada. Nem sei explicar direito. O que sei é que ela faz um leve "crack" quando a gente morde. É fina, delicada, leve e crocante na medida certa. Um respiro interessante em tempos de obsessão pela fermentação natural, que, confesso, nunca me conquistou completamente.
A segunda peça fundamental é o molho de tomate. Para mim, pizza de verdade tem que ter molho e, de preferência, um molho generoso, daqueles em que ainda se percebem pequenos pedaços de tomate. A forma como ele é distribuído sobre a massa também faz diferença. Não sou fã de borda recheada, mas admiro aquela pizza em que o molho quase escorre até o limite do disco. Aquele "quase" que evita bordas secas e sem graça. É uma arte.
Há ainda um elemento que considero indispensável: queijo. Independentemente do recheio, um bom queijo transforma qualquer pizza. Meu favorito sempre será o provolone. O toque defumado tem uma personalidade difícil de superar. Segurar a fatia com a mão, dar uma mordida e ver o queijo esticar enquanto os dedos se afastam da boca é um dos espetáculos mais bonitos da gastronomia.
E os recheios? Aqui peço desculpas aos italianos mais tradicionais, mas gosto de sabores surpreendentes e coberturas generosas. As versões minimalistas ficam até melancólicas ao lado de uma pizza brasileira cheia de catupiry.
Não sou adepto de carne de gado na pizza. Mas frango, quatro queijos, portuguesa, milho com bacon... Sou apaixonado. Pizza boa é aquela em que, ao pegar a fatia com a mão, uma parte do recheio ameaça escapar. Pizza, para mim, tem que transmitir fartura. Adoro receber a caixa do motoboy e sentir que ela está pesada.
E nem vou perder tempo comparando nossas pizzas doces às de outros lugares do mundo. Afinal, quantos países podem se orgulhar de criar uma pizza de pudim? Só isso já é um excelente motivo pra ter orgulho de ser brasileiro.
O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor
MARCO MATOS

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