quinta-feira, 23 de julho de 2026

Investigação contra Juliana Brizola é arquivada

O Ministério Público (MP) pediu e a Justiça gaúcha determinou, na semana passada, o arquivamento da investigação contra a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT). Pré-candidata ao governo do Estado, Juliana havia sido indiciada pela Polícia Civil por supostamente se apropriar de dinheiro da avó materna, Dóris Daudt. Segundo o promotor criminal Leo Mario Heidrich Leal, a decisão pelo pedido se deu "por ausência de prova de desvio fraudulento ou apropriação indébita".

Conforme a investigação policial, ela teria desviado recursos da aposentadoria e de uma indenização recebida pela avó. Dóris morreu em novembro do ano passado, aos 99 anos. Desde fevereiro do mesmo ano, ela estava sob curatela de Juliana. No pedido de arquivamento, Leal afirma que o espólio de Dóris permanece solvente (quando o valor total em dinheiro e bens deixados pelo morto é maior do que as dívidas) e que as movimentações financeiras suspeitas eram adiantamento da participação de Juliana na herança que teria a receber da avó.

O inquérito teve origem em ação movida pelo tio de Juliana, Alfredo Daudt Júnior. Ao acessar extratos bancários de Dóris - que mantinha conta-conjunta com Juliana -, ele percebeu saldo negativo de R$ 44 mil. A dívida inquietou Alfredo, pois Dóris tinha pensão mensal de R$ 25 mil e havia recebido R$ 1,8 milhão de indenização em 2024.

O tio de Juliana apresentou notícia-crime na Polícia Civil, anexando extratos bancários que registravam R$ 520 mil em empréstimos no nome de Dóris, além de despesas e transferências de dinheiro que não teriam relação com os cuidados médicos da mãe dele, na época enfrentando sequelas de um AVC. Segundo a Polícia Civil, os extratos mostravam gastos em restaurantes, viagens, lojas de luxo e transferências para familiares de Juliana.

Desavença

A ex-deputada sempre negou qualquer desvio dos recursos da avó e creditava a investigação a uma desavença familiar com o tio. Em sua defesa, disse que mantinha a conta conjunta desde 2018 por iniciativa de Dóris, que teria conhecimento e dado consentimento sobre todas as despesas.

- Foi feita justiça. Era uma questão familiar e meu tio percebeu que nunca houve descuido com relação a dinheiro. Minha relação com minha vó era de mãe e filha. Fico chateada porque foi usado politicamente contra mim, como se eu tivesse esse algum desvio de conduta - afirma Juliana.

"Tendo as partes transacionado (Juliana e o tio) e reconhecido a regularidade das contas na esfera cível e sucessória, a intervenção do Direito Penal revela-se desnecessária e desproporcional, ante a ausência de lesão a bem jurídico que justifique a persecução criminal", afirma o MP.

Nas quatro páginas do documento em que pede o arquivamento do inquérito, o promotor afirma que Alfredo apresentou elementos que sanaram as suspeitas. Segundo Leal, Alfredo "manifestou expressa concordância com as contas apresentadas por Juliana Brizola".

- Venho de uma família extremamente perseguida. Fizeram uma varredura na minha vida e não encontraram nada. Muitos agentes políticos foram para a internet dizer que eu havia roubado minha avó. Vão ter que lavar a boca, pois vou processar todos eles - finaliza Juliana. _

Colaborou Adriana Irion e Fábio Schaffner

Acirramento de ânimos entre candidatos ao Senado

No terceiro encontro entre os oito candidatos ao Senado, ontem, o primeiro enfrentamento mais quente. Mesmo com um formato que não previu confronto direto entre os postulantes, o painel promovido pela Federasul ganhou cara de debate.

Nas respostas que foram mais longas que o habitual, com três minutos cada, os participantes aproveitaram para inserir alfinetadas aqui e ali, acirrando os ânimos. Participaram todos os oito pré-candidatos: Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Marcel Van Hattem (Novo), Ubiratan Sanderson (PL), Paulo Pimenta (PT), Manuela D?Ávila (PSOL), Milton Cardoso (PSDB) e Renato Jaguarão (Cidadania) - que foi convidado de última hora após pedido que partiu dos opositores à Federasul.

Assim como na segunda-feira, na Fecomércio, o impeachment de ministros do STF foi o assunto dominante. Desta vez, entretanto, a propaganda e regulamentação das bets no Brasil gerou momentos de discussão e embate entre os concorrentes. _

Mais um percalço para Flávio Bolsonaro

Depois de levar um carão da senadora Tereza Cristina (PP-MT), ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, o candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, sofreu ontem um golpe que fragiliza ainda mais seu projeto político. O presidente do PP, Ciro Nogueira, comunicou ao senador que seu partido e o União Brasil ficarão neutros na eleição presidencial.

Além do significado simbólico, de isolamento, existe o efeito prático. Sem aliados, diminui o tempo do candidato na propaganda de rádio e TV e a campanha perde capilaridade.

Há ainda um problema adicional. Mesmo que a decisão do PP e do União seja a neutralidade, os deputados e senadores ficam liberados para apoiar outros candidatos, o que em alguns Estados inclui o presidente Lula. _

Plano de contingência precisa ser aprimorado

A cheia dos rios Taquari e Caí, que deixou pessoas desabrigadas ontem, mostrou que os sistemas de previsão e monitoramento do governo do Estado precisam ser aprimorados.

Até a véspera, a Defesa Civil informava que não havia risco de alagamento. Ontem de manhã, foi preciso acionar o sinal sonoro de alerta nos telefones de quem estava no Vale do Taquari para avisar que, sim, era preciso sair de áreas ribeirinhas.

Pegos de surpresa, moradores de algumas regiões precisaram usar barcos para sair de casa. Em outras, foi possível retirar móveis e eletrodomésticos de caminhão para evitar que fossem levados pela água.

O coordenador da Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, reconheceu que nas cabeceiras dos rios choveu além do previsto nos modelos meteorológicos, provocando a elevação súbita dos níveis do Taquari e do Caí. A chuva bem acima da média estava nas previsões da Defesa Civil desde a metade da semana passada, quando passaram a ser divulgados alertas para fenômenos climáticos extremos, sobretudo na Fronteira Oeste, Zona Sul e Campanha.

Com a cheia repentina do Taquari e do Caí, será preciso o governo rever pontos do seu plano de contingência. É fato que houve acerto na maioria das previsões, mas essa não estava no radar. Tanto é que o governador Eduardo Leite publicou um vídeo dizendo que não havia risco de alagamento e precisou apagá-lo. 

Uma amostra do que pode vir

O que estamos assistindo neste final de julho é uma amostra do que o El Niño pode trazer para o Rio Grande do Sul nos próximos meses. Os meteorologistas dizem que o pior ainda está por vir. São especialmente preocupantes os meses de setembro e outubro.

POLÍTICA E PODER

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