sexta-feira, 24 de julho de 2026

24 de Julho de 2026
MARCO MATOS

Rotina e amigos

Como é a rotina no teu trabalho? A resposta para essa pergunta é única. Mesmo profissionais que exercem exatamente a mesma função vivem dias completamente diferentes. Tudo depende do jeito de ser, das prioridades, das pequenas manias de organização e até da forma como cada um enxerga os desafios da profissão.

São muitas variáveis que ajudam a criar ambientes de trabalho distintos dentro de uma mesma equipe. E essa é uma das coisas mais interessantes de trabalhar em grupo. Não existem duas pessoas iguais. Cada colega carrega uma história, uma bagagem e uma maneira própria de encarar a vida.

Passar pelo menos um terço do dia no trabalho é tempo mais do que suficiente para estreitar relações. A gente conversa sobre pautas, metas e compromissos, mas também fala sobre a família, sobre os sonhos, as preocupações e os planos para o futuro. Compartilha alegrias, conquistas e, muitas vezes, momentos difíceis. Depois de anos dividindo a mesma rotina, é quase impossível não criar intimidade.

Quem nunca teve um colega que acabou se transformando em confidente? Aquela pessoa que sabe reconhecer pelo olhar quando alguma coisa não está bem. Ou que percebe na hora quando existe um motivo para comemorar. São vínculos que surgem de forma espontânea, construídos aos poucos, entre um café e outro.

Há alguns anos se fala muito sobre diversidade nos ambientes profissionais. Eu acredito profundamente nessa mistura como uma ferramenta para gerar resultados melhores. Mas não apenas resultados. Acho que ela também nos torna pessoas melhores.

No nosso time do Jornal do Almoço temos gente de todas as idades, experiências de vida diferentes, vivências únicas e personalidades bem contrastantes. Tem quem fale muito e quem observe mais. Tem quem seja extremamente organizado e quem funcione melhor no improviso. Tem quem esteja começando a carreira e quem já tenha décadas de experiência acumulada. E eu amo isso.

A afinidade nem sempre nasce de gostos em comum ou de opiniões parecidas. Muitas vezes ela surge justamente das diferenças. A convivência diária nos ensina a admirar características que não temos e a enxergar o mundo por perspectivas que talvez nunca conheceríamos sozinhos.

Nesta semana, no dia 20, celebramos o Dia do Amigo. E essa data me fez pensar em como a vida adulta muda a forma de construir amizades. Quando a escola e a faculdade ficam para trás, o trabalho passa a ser o principal lugar para conhecer gente nova. E, por consequência, para fazer novos amigos.

Talvez essa seja uma das partes mais bonitas da rotina profissional. No meio das obrigações, dos prazos e das responsabilidades, surgem laços que ultrapassam o expediente. Porque algumas das pessoas que chegam até nós como colegas acabam ficando para sempre como amigos. _

O conteúdo desta coluna reflete a opinião do autor

MARCO MATOS

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