13 de Julho de 2026
OPINIÃO - Daniel Randon
Jeitinho não ganha Copa
Presidente da Randoncorp e presidente do Conselho Superior do Transforma RS
Mais uma vez fomos eliminados por uma seleção europeia. Não por falta de talento, pois o Brasil continua formando alguns dos melhores jogadores do mundo. Da mesma forma, somos uma potência em ativos estratégicos, referência em segurança alimentar, detentores de uma matriz energética limpa e ocupamos posição geopolítica privilegiada.
Por que, então, tamanho potencial nem sempre se transforma em liderança? Porque talento é condição necessária, mas não suficiente. As seleções mais vencedoras e os países mais prósperos combinam talento com estratégia, disciplina, governança, execução e visão de longo prazo.
A mesma lógica vale para a política. O problema é quando ela dá lugar à politicagem, interesses individuais se sobrepõem aos do país e a energia que deveria fortalecer a competitividade é consumida por disputas de curto prazo.
Grandes conquistas exigem liderança, planejamento, continuidade e capacidade de mobilizar pessoas em torno de um propósito comum. Nenhuma seleção entra em campo pensando só na próxima partida. E nenhum país prospera pensando apenas na próxima eleição.
A derrota brasileira reforça uma verdade simples: o sucesso do passado não garante o futuro. A história inspira, mas não vence jogos, não gera prosperidade nem aumenta a competitividade. Disciplina, capacidade de execução e busca permanente pela excelência transformam potencial em resultados. O famoso "jeitinho brasileiro", frequentemente associado à criatividade e à adaptação, encontra limites em ambientes altamente competitivos.
Já temos recursos naturais, capacidade empreendedora, criatividade e posição estratégica. Falta transformar essas vantagens em competitividade, prosperidade e resultados consistentes, como fazem as economias avançadas, as empresas mais admiradas e as seleções mais vencedoras do mundo. No futebol, nas empresas ou no desenvolvimento de uma nação, vence quem atua como um verdadeiro time, com liderança, estratégia, disciplina e excelência na execução com propósito comum. Quando o interesse coletivo perde espaço para interesses pessoais e para a politicagem, o resultado raramente passa da mediocridade. _
O Guaíba mudou. Sua governança também deveria evoluir?
Adriano Skrebsky Reinheimer
Engenheiro civil, servidor público e ex-presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba (2018-2020)
As enchentes de 2024 mudaram a forma como o Rio Grande do Sul enxerga o Guaíba. Fala-se muito em diques, dragagem, casas de bombas e reconstrução, pautas indispensáveis. Mas talvez estejamos esquecendo algo crucial: a forma como planejamos e governamos o Sistema Guaíba continua adequada aos desafios das mudanças climáticas? Durante décadas, o debate limitou-se à discussão sobre se o Guaíba é um rio ou um lago. A ciência já mostrou que essa dicotomia pouco explica um sistema com dinâmicas tão distintas ao longo de sua extensão.
O Delta do Jacuí possui comportamento essencialmente fluvial; o Lago Guaíba é predominantemente lacustre; e a transição para a Laguna dos Patos apresenta hidrodinâmica própria. Se a natureza reconhece essas singularidades, por que não considerá-las na gestão?
Não proponho alterar os limites da atual Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba nem defender mudanças precipitadas na estrutura do seu comitê. O que proponho é discutir a conveniência de compartimentar o Sistema Guaíba, para fins de planejamento, monitoramento e adaptação climática, em três setores hidroambientais: Alto Guaíba (Arquipélago Delta), Médio Guaíba (Lago Guaíba) e Baixo Guaíba (Golfo Itapuã). Ambientes diferentes têm desafios específicos quanto a cheias, sedimentos, qualidade da água e ocupação do solo. Estratégias específicas para cada setor podem tornar a gestão mais eficiente, sem perder a visão integrada do todo. Essa hipótese exige estudos, modelagens e amplo debate entre universidades, órgãos gestores, municípios, o comitê e a sociedade civil.
As mudanças climáticas desafiam nossas obras e também nossos modelos de gestão. Seria oportuno que o Conselho Estadual de Recursos Hídricos constituísse um grupo de trabalho para avaliar esse conceito. O modelo concebido há três décadas continua sendo o mais adequado para o século 21? _
Direto da Redação Matheus Schuch
Autocontenção de papel do STF
As recentes decisões individuais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mostram que a prometida autocontenção da Corte dificilmente sairá do papel. Pelo contrário. A menos de três meses das eleições, os ministros voltam a ocupar o centro do debate político com decisões controversas e de ampla repercussão.
No fim da última semana, o ministro Flávio Dino ganhou o noticiário ao determinar o bloqueio de bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, no valor de até R$ 119 milhões, no âmbito de uma investigação sobre emendas parlamentares.
A Polícia Federal (PF) identificou registros de empenho de 21 emendas que teriam sido destinadas por indicação do cacique partidário - que não possui mandato parlamentar.
O prosseguimento das investigações poderá confirmar irregularidades ou até mesmo a prática de crimes. Ainda assim, há uma distância considerável entre o uso de influência política na destinação de emendas (comum a vários partidos) e a imposição imediata de um bloqueio patrimonial dessa magnitude. A decisão, aliás, não aponta indícios de enriquecimento pessoal ou de apropriação direta dos valores.
O ministro Alexandre de Moraes também tratou de recolocar o Supremo no centro das atenções. Determinou que a Polícia Federal cumprisse mandado de busca na residência de Jair Bolsonaro em busca de armas de fogo que não foram localizadas.
Os advogados do ex-presidente já haviam informado ao ministro, por escrito, o destino de todas as armas registradas em seu nome. Diante de inconsistências que identificou na documentação, Moraes optou pela diligência - caminho que, evidentemente, amplia a repercussão pública.
Ao assumir a presidência da Corte, há quase um ano, o gaúcho Edson Fachin advertiu que um Judiciário submisso ao populismo perde credibilidade. Também defendeu que a prestação jurisdicional não deve se transformar em espetáculo e exige contenção.
No ambiente de crescente desgaste da imagem do Supremo junto à opinião pública, as palavras de Fachin parecem encontrar cada vez menos eco entre os colegas de Corte.
Se pretendem reafirmar sua autoridade institucional, talvez os ministros precisem compreender que credibilidade não decorre apenas do conteúdo das decisões, mas também da forma, do momento e da parcimônia com que exercem seus poderes.

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