27 de Julho de 2026
EM FOCO - Mathias Boni
Com baixo crescimento da população, atividade demanda maior eficiência e melhor ambiente de negócios
Estudo do Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa sobre a economia gaúcha entre 2002 e 2023, quando PIB teve aumento inferior à média nacional, mostra caminhos para estimular o desenvolvimento. Analistas ouvidos destacam importância de investir em educação e infraestrutura, além de reduzir burocracia
Produtividade é a chave para RS acelerar economia
Entre 2002 e 2023, o RS registrou o menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país e viu a produtividade do trabalho avançar abaixo da média brasileira. Com o envelhecimento da população gaúcha, a melhoria na eficiência é o principal caminho para acelerar de forma sustentada a economia do Estado.
O diagnóstico faz parte da série Estudos em Crescimento Econômico e Produtividade, do Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (Ifep-RS), que, além de mapear fatores que limitaram o desempenho da economia gaúcha nas últimas duas décadas, mostra frentes estratégicas para reverter esse cenário. Educação, infraestrutura e melhoria no ambiente de negócios são os caminhos apontados.
No período analisado, o PIB gaúcho cresceu 34%, desempenho inferior à média nacional (58%) e aos demais Estados do Sul. No Paraná, o crescimento foi de 55%; em SC, de 65%.
- Nessas duas décadas analisadas no estudo, vimos o RS ficando pra trás no crescimento econômico, e o baixo índice de produtividade é fundamental para entender esse resultado. O reforço desse indicador é uma oportunidade de sustentarmos o nosso crescimento de forma mais consistente no longo prazo - diz o economista Lucas Schifino, gerente de Relações Governamentais da Fecomércio-RS e diretor-executivo do Ifep-RS.
O estudo terá quatro publicações. Por enquanto, ZH teve acesso à primeira, que faz o diagnóstico da economia gaúcha. A partir dela, a reportagem ouviu especialistas para abordar questões apontadas e possíveis soluções. Outras partes vão abordar limites do crescimento populacional como alavanca de desenvolvimento, o gargalo de produtividade do Estado e como ele aparece na estrutura setorial da economia gaúcha. _
Diagnóstico apontado - População x produtividade
O levantamento mostra que fatores demográficos também ajudam a explicar o desempenho econômico do Estado. Entre 2002 e 2023, o RS teve o menor crescimento populacional proporcional do país, com alta de apenas 8%, menos da metade da média nacional (18%). No mesmo período, Santa Catarina cresceu 39% e o Paraná, 18%.
Segundo o professor do Programa de Mestrado Profissional de Economia da UFRGS Maurício Weiss, o envelhecimento da população e a dificuldade de reter profissionais tornam ainda mais importante aumentar a produtividade da economia: - O Rio Grande do Sul tem o problema do baixo crescimento populacional e do envelhecimento, além de enfrentar o desafio de reter profissionais. Uma população maior amplia a oferta de mão de obra e o mercado consumidor, contribuindo para o crescimento da economia.
Entre 2002 e 2023, a produtividade do trabalho cresceu, em média, 0,65% ao ano no Estado, abaixo da média nacional, de 0,94%. Weiss destaca que o aumento da produtividade amplia a capacidade de elevar a renda dos trabalhadores sem comprometer investimentos.
Educação como alavanca
Segundo especialistas, a melhoria da educação básica e da formação profissional é uma das principais oportunidades para acelerar a produtividade da economia gaúcha.
No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023, o RS ficou atrás dos demais Estados da Região Sul nos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. No Ensino Médio, empatou com Santa Catarina. No Indicador Criança Alfabetizada de 2024, fortemente impactado pela enchente, o Estado registrou o quarto menor índice do país.
Para Ely José de Mattos, economista e professor da Escola de Negócios da PUCRS, investir na formação dos estudantes e ampliar a qualificação profissional pode produzir efeitos diretos sobre a competitividade: - Resultados ruins na formação têm como consequência menor disponibilização de mão de obra qualificada para o mercado local, e esse fato afeta a produtividade na ponta final da cadeia. A qualificação do ensino de base e o reforço de complementação de formação profissional, além de maiores incentivos para a retenção e atração de talentos, são o caminho.
Ambiente de negócios
Outra frente destacada pelo levantamento envolve melhorias no ambiente de negócios. Segundo o economista Lucas Schifino, medidas voltadas à simplificação tributária, redução da burocracia e maior segurança para investimentos favorecem o aumento da produtividade ao estimular inovação e modernização das empresas.
Especialistas convergem na ideia de que o desafio do Rio Grande do Sul vai além de crescer mais rapidamente. Em um Estado marcado pelo envelhecimento da população e pelo baixo crescimento demográfico, aumentar a produtividade tende a ser o principal caminho para elevar a renda, ampliar a competitividade das empresas e sustentar o desenvolvimento econômico nas próximas décadas.
Infraestrutura e competitividade
Outro eixo avaliado pelo estudo é a infraestrutura logística. Segundo o presidente da Câmara Brasileira de Logística e Infraestrutura (Câmara Log), Paulo Menzel, o RS ainda depende excessivamente do transporte rodoviário, enquanto possui baixa utilização de modais como hidrovias e ferrovias.
Na avaliação dele, ampliar essa diversificação e modernizar a infraestrutura logística pode reduzir custos e tornar as empresas gaúchas mais competitivas: - Hoje o Estado tem um custo logístico que é um dos maiores do país. Nossa dependência rodoviária é muito grande, praticamente não utilizamos outros modais.

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