quinta-feira, 9 de julho de 2026

09 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

O cessar-fogo, na prática, nunca existiu

O acordo entre Estados Unidos e Irã acabou, diz Donald Trump. Na verdade, tal acordo, na prática, nunca existiu.

Trump diz que o acordo acabou, mas um acordo pressupõe que os principais pontos de divergência tenham sido resolvidos. No caso do Oriente Médio, eles apenas foram adiados.

O principal problema do acerto é que nunca ficou definido o que seria feito com a questão nuclear, motivo pelo qual foram deflagradas duas guerras - a de 12 dias, no ano passado, e a iniciada em 28 de fevereiro de 2026.

O cessar-fogo interrompeu os bombardeios por algumas semanas, mas nunca ficou definido se o Irã poderia continuar enriquecendo urânio, qual seria o limite permitido, quem fiscalizaria, quais sanções seriam suspensas e qual seria o cronograma.

O acordo nem sequer criou mecanismos de implementação. Era falho também por isso. Não havia calendário, verificação, arbitragem e o estabelecimento de consequências para o caso de violações.

Havia ainda dois pontos em aberto: a questão libanesa, tema que a coluna vem destacando como fundamental para o fim de qualquer hostilidade. Mesmo após o anúncio do cessar-fogo, Israel continuou realizando operações no Líbano. Mantém uma franja da fronteira ocupada, sob alegação de que o Hezbollah segue atacando a partir dali, e, de fato, o grupo extremista o faz. Havia dúvida até sobre se o Líbano fazia parte do entendimento.

Campo de experimento

O Líbano, como já destaquei, é campo de experimento das maldades de todos os lados: do Irã, que mantém ali seu mais poderoso braço terrorista, de Israel e dos Estados Unidos.

Aliás, sobre os proxies iranianos: as organizações terroristas continuaram existindo - e nada disso apareceu no acerto. Hezbollah, Hamas e Houthis seguem capazes de atacar Israel e alvos americanos.

Outros dois pontos me parecem fundamentais: se não foi resolvida a questão nuclear, os EUA, por sua vez, nunca retiraram as sanções econômicas, seu principal instrumento de pressão. Na prática, a Casa Branca manteve a capacidade de elevar ou reduzir a pressão.

Do lado iraniano, o principal instrumento de pressão é o Estreito de Ormuz, que também nunca voltou à normalidade. Foi aberto, mas, na prática, não houve desminagem e havia ataques frequentes a navios ocidentais. O principal gargalo estratégico do Golfo continuava militarizado. As fragilidades do documento acabam por nos trazer aos dias atuais. Era uma tragédia anunciada. _

Contradições de Trump

A depender de Donald Trump, tudo é possível. A declaração do início da manhã de ontem em relação à retomada dos bombardeios ao Irã era a seguinte:

- Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite.

E por que tudo é possível? Porque, logo após a reunião de cúpula da Otan, na Turquia, no início da tarde, ele afirmou:

- Acho que não vai começar uma nova guerra, vai acabar rapidamente. Eles atingiram alguns navios, nós atingimos com muito mais força, 10 vezes mais forte. Não vai durar muito tempo. Qualquer coisa que aconteça, vai acabar rapidamente. Não estamos pensando em nada de longo prazo.

Basicamente, a ideia de Trump se resume a: "Vou atacar, mas não quero". E, se atacar, não irá durar muito tempo.

Essa contradição de Trump leva a desconfiar de sua capacidade cognitiva. Volta e meia, ele foge de explicações, é incoerente e apresenta falas desconexas. _

Cláudia Coutinho toma posse na ARI

A jornalista Cláudia Coutinho tomou posse, ontem, como presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI). Ela assume o comando da diretoria executiva da entidade para o mandato de 2026 a 2029. Cláudia é a primeira mulher a liderar a organização em seus mais de 90 anos de história.

- Assumir a presidência da ARI é um compromisso que carrego com muita honra e responsabilidade. Nossa casa, que tanto lutou pela liberdade e pela ética, precisa ser o farol que guia o futuro do jornalismo no Rio Grande do Sul - disse, na cerimônia de posse.

Cláudia sucede o jornalista José Nunes, que esteve à frente da entidade por dois mandatos: 2021-2023 e 2023-2026.

Em seu discurso, ela defendeu a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício profissional:

- Quando defendemos a obrigatoriedade do diploma, não estamos apenas defendendo uma exigência acadêmica. Estamos defendendo a sociedade. _

Itamaraty terá de se explicar

Após o Itamaraty admitir temer uma ação militar territorial dos EUA no Brasil - em decorrência da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos americanos -, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados (Creden) aprovou ontem a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre o assunto.

Mauro Vieira deverá comparecer ao colegiado para explicar o posicionamento do governo brasileiro e o conteúdo do documento encaminhado pela pasta à Câmara. Ainda não há data para a reunião. _

Investimentos na saúde de Ijuí

O Hospital de Clínicas Ijuí (HCI) inaugurou a ampliação da unidade de terapia intensiva (UTI) Adulto e a modernização do seu Centro Cirúrgico. As obras contaram com aporte de R$ 10,2 milhões do governo do Estado, viabilizados por meio do programa Avançar Mais na Saúde.

Com um aporte de cerca de R$ 4 milhões, a UTI Adulto passou a contar com 10 novos leitos, que se somam aos 20 já existentes.

A expansão visa atender à demanda por média e alta complexidade no Interior.

Já o Centro Cirúrgico foi ampliado e modernizado com recursos de R$ 6,2 milhões. O espaço agora conta com oito salas cirúrgicas, 19 leitos de recuperação pós-anestésica e área exclusiva para o atendimento de gestantes. _

Começa a se confirmar a viagem do papa Leão XIV à América Latina neste ano. Conforme informou à coluna uma fonte no Vaticano, a visita deve ocorrer até novembro. O Pontífice deve visitar três países: Peru, Argentina e Uruguai.

INFORME ESPECIAL

Nenhum comentário: