segunda-feira, 6 de julho de 2026

06 de Julho de 2026
OPINIÃO RBS

Conscientização e proteção aos filhos

Intensificou-se nos últimos anos, de forma bem-vinda, o debate sobre os riscos do uso excessivo de telas e do acesso a redes sociais por crianças e adolescentes. As discussões buscam em especial alertar pais e responsáveis acerca dos perigos desse descontrole, mas também incentivar iniciativas legislativas que ajudem a prevenir danos, como a queda do desempenho escolar, e a proteger contra crimes cometidos no submundo virtual.

Os primeiros resultados dessa maior conscientização parecem começar a aparecer. Na quinta-feira, o IBGE divulgou a edição de 2025 da pesquisa sobre acesso à internet e posse de celular por pessoas com 10 anos ou mais, contida na PNAD Contínua. Entre os oito recortes etários, o grupo de 10 a 13 anos foi o único a registrar queda na utilização de smartphone em relação ao levantamento anterior, de 2024. O percentual caiu de 56,7% para 55,2%. 

O uso da internet também apresentou um leve recuo, de 84,9% para 84,4%. Igualmente, foi o único estrato de idade com queda. A preocupação com a segurança e a privacidade é um dos principais motivos. Mesmo que pareça ser uma redução pequena, pode indicar um momento de inflexão da curva de uso. É dever registrar que na faixa etária imediatamente seguinte, de 14 a 19 anos, os números seguem aumentando.

Os resultados coincidem com o início da vigência, no começo do ano passado, da legislação que restringe celulares no ambiente escolar. Foi ainda em 2025 que o youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, divulgou um vídeo impactante sobre a adultização de crianças e adolescentes na internet. Mostrou os riscos de exploração sexual e como pedófilos agem nas redes sociais. A denúncia deu impulso para a aprovação no Congresso do chamado ECA Digital, um marco para a proteção de menores de idade no ambiente virtual, que passou a vigorar em março deste ano.

Mas toda essa discussão, em primeiro lugar, fez pais e responsáveis ficarem mais atentos. Levou a decisões como retardar a idade em que os filhos ganham o primeiro celular, limitar o tempo de tela e aumentar o controle parental sobre o uso de redes sociais. Os malefícios do uso desmedido e sem orientação da tecnologia são conhecidos. Refletem-se em notas mais baixas, impactos na saúde mental e no desenvolvimento cognitivo, dificuldades para socializar e exposição a crimes virtuais, como os de cunho sexual. Como reação, a Austrália e países europeus vêm impondo limite de idade para o uso de redes sociais.

Na semana passada, o Ministério da Educação divulgou os resultados de uma pesquisa que mostra, pela ótica dos gestores escolares, os benefícios da lei que limita o celular nos colégios. Dos entrevistados, 97% avaliaram que a participação dos estudantes nas atividades educativas melhorou, 95% atestaram que a socialização e a concentração cresceram, 88% observaram redução de ciberbullying e 56% notaram maior engajamento nas tarefas pedagógicas fora da sala de aula.

O uso da tecnologia traz benefícios e é aliado da aprendizagem quando devidamente acompanhado por adultos responsáveis e orientado por professores em afazeres didáticos. O perigo é a combinação entre imaturidade e exposição precoce e excessiva a telas e redes sociais. É um debate que ainda pode evoluir no país. 

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