quarta-feira, 1 de julho de 2026

01 de Julho de 2026
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Cúpula do Mercosul, o palanque eleitoral de Lula

A menos de cem dias da eleição, o presidente Lula transformou a Cúpula do Mercosul, em Assunção, em palco de comício.

Após o discurso lido, ele falou de improviso, defendendo o quarto mandato em meio a um bloco mais heterogêneo do que em outros momentos históricos do ponto de vista ideológico.

Ao citar as eleições presidenciais, Lula comentou que, se reeleito, será o único político da história brasileira a governar em um regime democrático por quatro vezes. Sobraram alfinetadas ao ausente Javier Milei, da Argentina, que, na véspera, divulgou foto com Flávio Bolsonaro:

- E faço isso (tentativa de reeleição) por uma única razão: primeiro, porque eu peguei o país destroçado em 2002 e o reconstruímos. Em 2010, quando entreguei a Presidência, a nossa economia crescia a 7,5%. Tínhamos 54 milhões de pessoas que passavam fome em 2003 e terminamos com a fome em 2014. Quando voltei, em 2023, tínhamos outra vez 33 milhões de pessoas passando fome. Em dois anos e meio, acabamos com a fome outra vez. O Brasil hoje vive a menor inflação acumulada em quatro anos da sua história, a melhor massa salarial da sua história, o menor desemprego.

Segundo Lula, o seu objetivo na disputa eleitoral é evitar que "irresponsáveis" assumam o comando:

- Vou concorrer para poder garantir que o Brasil se mantenha como um país democrático, porque não é possível a gente imaginar irresponsáveis governando um país de 215 milhões de habitantes.

O presidente pintou um cenário de "terra arrasada" em 2023:

- Quando voltei em 2023, peguei um país com 87 mil residências paralisadas, que haviam sido começadas pelo governo Dilma. Encontrei um país sem Ministério do Trabalho, da Mulher, dos Direitos Humanos, da Igualdade Racial, dos Povos Indígenas. Um país em que o Ibama, que é o instituto do meio ambiente, tinha 800 funcionários a menos em 2023 do que eu deixei em 2010. Era um país de terra arrasada.

Apesar do tom eleitoral, o presidente encerrou defendendo a blindagem do bloco regional, argumentando que a integração deve avançar independentemente dos resultados das urnas.

- O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente, senão a gente nunca vai ter um bloco realmente forte funcionando. Então, eu queria dizer para vocês uma coisa: acreditem, independentemente de quem seja eleito no Brasil, o Mercosul continuará sendo prioridade para o país.

Além de Lula (esquerda) e Milei (direita, libertário), governam os países do bloco Santiago Peña, no Paraguai (direita), Yamandú Orsi, do Uruguai (esquerda) e Rodrigo Paz, da Bolívia (direita). A Venezuela continua suspensa do bloco. _

Pix para os hermanos

A poucos dias de o Brasil sofrer a aplicação de novas tarifas de 25% pelos EUA por causa do Pix, Lula destacou a ferramenta comercial como uma experiência nacional bem-sucedida e sugeriu a expansão do modelo para os países do Mercosul.

- Experiências nacionais bem-sucedidas devem ser compartilhadas entre os países do bloco. O Pix, sistema brasileiro público e gratuito de pagamentos, é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos que beneficiará todos os cidadãos do Mercosul. A integração financeira reduzirá custos, fortalecerá o comércio intrabloco, ampliará o uso de moedas locais e aumentará nossa resiliência frente a choques externos - afirmou Lula em discurso na Cúpula de Líderes do bloco.

A declaração do brasileiro ocorre na véspera do prazo final, hoje, para o início das tentativas de reverter as sanções que o governo americano ameaça impor. Até hoje, o governo deve enviar seus comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Na segunda-feira, o órgão realizará uma audiência pública para debater o tema. O desfecho ocorre no dia 15, prazo legal para a definição e a eventual aplicação das retaliações contra o Brasil. _

Um recado para Trump

Mesmo sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Lula mandou um recado ao americano durante seu discurso na Cúpula de Líderes do Mercosul, em Assunção, no Paraguai:

- Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses - afirmou Lula. _

Fisioterapeuta gaúcho em premiação internacional

A criação e adaptação de bonecos lúdicos a partir de objetos hospitalares para o atendimento de crianças internadas no Hospital Criança Conceição (HCC), em Porto Alegre, garantiu ao fisioterapeuta Diego Kurtz um lugar entre os finalistas de um prêmio internacional.

Trata-se do IDEA Awards. A distinção reconhece iniciativas que utilizam práticas cênicas na humanização do ambiente hospitalar pediátrico.

Diante das barreiras sanitárias da UTI pediátrica que impediam a entrada de brinquedos e bonecos tradicionais no setor hospitalar, o profissional passou, ainda em 2005, a transformar objetos do cotidiano hospitalar em ferramentas de interação, como luvas, estetoscópios e esparadrapos, entre outros utensílios.

O anúncio dos vencedores ocorrerá em novembro e a cerimônia de premiação em julho de 2027, nos EUA. _

Figurinhas do Brasil no álbum da ONU

Em ritmo de Copa do Mundo, o braço da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil fez um álbum de figurinhas virtual com os brasileiros que ajudaram a construir a história da entidade.

O órgão completou 80 anos em 2025. As "figurinhas" são:

Sergio Vieira de Mello

Dedicou sua vida à promoção da paz e da cooperação internacional

Bertha Lutz

Advogou pelos direitos das mulheres na elaboração da Carta da ONU

Oscar Niemeyer

Ajudou a projetar a sede da ONU em Nova York

Oswaldo Aranha

O gaúcho do Alegrete presidiu a primeira sessão especial da Assembleia Geral da ONU

Márcia Andrade Braga

Premiada pela ONU por promover a igualdade de gênero nas forças de paz

José Graziano da Silva

Líder global da FAO de 2012 a 2019

Nicole Bergener Guimarães

Atuou em missões de paz da ONU em Kosovo, Congo e Haiti

José Augusto Linggren Alves

Liderou as delegações brasileiras nas conferências da ONU nos anos 1990

INFORME ESPECIAL

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