sábado, 24 de abril de 2021


24 DE ABRIL DE 2021
FRANCISCO MARSHALL

ESCREVER A MENSAGEM

Esta coluna origina-se de antiga colaboração com o caderno Cultura de ZH, sob demanda de Cláudia Laitano e Carlos André Moreira, editores admiráveis. Um belo dia, Ticiano Osório convidou-me para passar a escrever como colunista do ProA, criado em maio de 2014; era convite cordial e o aceitei, ciente do desafio: mensagens relevantes a partir de meu ofício de historiador, ligado à cultura, à memória do mundo e à vida da nação e da cidade; estreei em 1º/2/2015. O ProA levou ao Doc (março/2016), ambos com DNA de caderno de cultura; isto declara o perfil de leitor, você, que quer informação com substância e margem para reflexão. Um artigo de cultura é para tropeçarmos em algo erudito para encontrar, na queda (ou ascensão), algo que nos recoloque diante de nós mesmos e do mundo. Aceito essa função como parte da evolução necessária para o intelectual público, minha condição como professor de universidade pública, a UFRGS, e como cidadão que sabe que todos temos o que oferecer quando criamos com amor e boa finalidade.

Hoje quem me edita é Daniel Feix, que conheço desde a saudosa revista Aplauso (1998-2016), com afeto e confiança; ZH sempre acolhe cordialmente meu iluminismo crítico, mesmo quando este contraria editoriais da casa. Minha aurora como autor público periódico foi no Jornal do Margs, então editado por Cida Golin (1999-2005), hoje minha colega na UFRGS. Cida ensina a norma da concisão, o imperativo de deletarmos frases em que nos imaginamos Machado de Assis, quando apenas grafamos algo ocioso ou já dito. "O extraordinário é demais!", belo ideal.

Não sou jornalista, mas historiador acadêmico, y otras cositas más. Desenvolvi estrutura e método, o que dá estabilidade aos meus artigos e facilita escrita e leitura. Escrevo com documentação histórica, oferecendo o núcleo rigoroso da informação, com datação segura, em textos que traduzo do original, que permitem pensar o que importa, de Sófocles, Shakespeare, Voltaire ou Goethe, conectados ao mundo em que vivemos. A memória cultural vira história ao edificar nossas identidades e circular na comunidade, nutrindo o pensar. Ademais, nada de subjetividade, como há neste exótico texto confessional; por uma esfera pública sem pieguice. O prazer da pesquisa e o carinho de leitores(as) são meu ganho a cada artigo.

Amigos me pautam como você pode fazer, caro(a) leitor(a). Meu dileto colega Sergio Lamb, e.g., pede denúncia ao deus mercado, totem do liberalismo satânico. Há que amadurecer, e conectar a algo maior, anterior e promissor, no caso, liberdade e democracia, musas do mundo melhor que edificamos com letras, ideias e ações. E, claro, fazer aparecer minhas amadas palavrinhas gregas, em busca da isonomia, contra a hybris dos arrogantes e pelo euoé de amantes e bacantes!

 

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