quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


Paula Cesarino Costa

Quanto riso, quanta dúvida

RIO DE JANEIRO - Eles estavam vestidos só de fraldão geriátrico e sandálias. Ou fantasiados de cidadãos do Império Romano. Homens apareceram travestidos de mulher. Executivas flertaram como odaliscas.

Eles e elas se espalharam pelas ruas do Rio nos últimos dias, como se nascidos por aqui, mas denunciados a cada momento em que tentavam entoar uma marchinha de Carnaval.

Alguns sassaricavam pela primeira vez. Outros já tinham se mudado para o Rio há algum tempo. Cotidianamente vestem terno e gravata, embarcam em plataformas no meio do oceano, pesquisam nos centros de tecnologia ou aproveitam as bolsas de estudos em universidades surfando na onda Brics.

A invasão estrangeira no Brasil, e especialmente no Rio, não dá sinais de que vai parar. Em 2011, o número recorde de 5,4 milhões de turistas chegou ao país. Os vistos de trabalho concedidos para estrangeiros cresceram 26%, atingindo 70.524.

Mais albergues e hostels surgiram na medida em que os hotéis tradicionais têm preços à beira do absurdo. Isso fez com que o mercado hoteleiro olhasse para o centro e a Lapa, antes regiões degradadas, mas em fase de recuperação plena.

O deficit de quartos é imenso. Já quase não há vagas para o mais importante evento diplomático dos últimos anos no país, a conferência Rio+20, que acontece em junho.

O governador promete verba recorde para o turismo, o prefeito transformou a cidade em um canteiro de obras. Parece haver uma visão de longo prazo.

No entanto taxistas continuam a enganar passageiros, aeroportos e porto demonstram que estão no seu limite, o serviço em restaurantes é sofrível.

Há tanto por fazer e só resta um sorriso orgulhoso, mas cético, quando o turista encantado pela cidade se aproxima e pergunta: "Isso é o Brasil? Preciso morar aqui...".

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