sábado, 19 de dezembro de 2009



19 de dezembro de 2009 | N° 16191
ANTONIO AUGUSTO FAGUNDES

Natal no Rio Grande do Sul

Até a primeira metade do século 20, o 25 de dezembro era uma data religiosa a mais no calendário. Assinalava o nascimento de Jesus Cristo, talvez com uma missa especial nas igrejas e capelas do Interior. O dia assinalado para dar presentes era o Dia de Reis, 6 de janeiro, celebrado também no Uruguai e na Argentina – lá, como aqui, sem grandes festas na Campanha.

Mas aí houve duas coisas importantes: a Igreja Metodista, vinda dos Estados Unidos, entrou com força na fronteira oeste do RS. O lado Machado da Silva da minha família se tornou metodista pela mão do meu tio Oscar Machado da Silva, do meu tio Sadi Machado da Silva e sobretudo graças a dois educandários metodistas: o União, em Uruguaiana, e o IPA, em Porto Alegre. Com forte influência do metodismo via Associação Cristã de Moços, o Natal americanizado chegou triunfante aos pagos.

Aí veio o Papai Noel, a versão norte-americana do São Nicolau europeu. Eu vi o primeiro Papai Noel da minha vida na Capela do Riacho, em Uruguaiana, no Natal de 1941, e, como toda a gurizada do bairro, fugi espavorido, chorando de boca quadrada. Custamos a nos acostumar com o tipo que, afinal, “pegou”, vencendo a disputa intentada por alguns intelectuais brasileiros que inventaram um Vovô Índio...

O Natal gaúcho não dispensa o presépio, que nos chegou via Portugal, e o pinheirinho, da colonização alemã. No RS, porém, existem outros natais muito bonitos, comovedores em sua fé religiosa.

Em muitas regiões campeiras, de Porto Alegre para o norte, até Torres, e de Porto Alegre para o sul, até São Lourenço, ainda são infaltáveis em pleno século 21 os Ternos de Reis.

Nas regiões de colonização alemã, é obrigatória a presença do Crisquinte, que, apesar de ser o Menino Jesus, é sempre representado por uma mulher adulta. E do Pelznickel, uma figura grotesca, peluda.

Na região de colonização italiana, é infaltável a presença dos “Cantori della Stella”, os quais, seguindo uma estrela iluminada, andam de porta em porta, cantando em vêneto versos lindos. Os ucranianos e os poloneses também têm os seus ternos, nos quais às vezes aparece o próprio diabo.

Ou seja, apesar da avalanche comercialista suscitada pelo Papai Noel, o verdadeiro Natal gaúcho continua forte e bonito. FELIZ NATAL aos gaúchos e gaúchas!

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