terça-feira, 29 de dezembro de 2009



29 de dezembro de 2009 | N° 16200
PAULO SANT’ANA


Luminosa ideia

Enfim, uma grande ideia para resolver um grande problema.

Como se sabia, as grandes favelas cariocas estavam e estão dominadas por traficantes.

A polícia não punha os pés lá. De repente, o governador Sérgio Cabral teve a ideia de ocupar as favelas com a polícia.

O caos dava-se exatamente pelo Estado virar as costas às favelas e deixar que elas se organizassem (ou se desorganizassem) por si próprias.

Luminosa ideia esta de criar Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) para tomar de assalto os redutos dos traficantes nas favelas.

Por essa medida, instala-se permanentemente uma unidade policial vasta dentro da favela e vai aos poucos reduzindo-se o tráfico de entorpecentes naquele território.

Evidentemente que são necessários muitos recursos humanos e materiais para implantar o plano.

No entanto, já vão lá para sete grandes favelas as ocupadas pela polícia. E os resultados são os mais auspiciosos possíveis.

Um dia após o Natal, os policiais do Bope ocuparam o Morro dos Cabritos e a Ladeira Tabajara, em Copacabana.

Oitenta policiais ocuparam as duas favelas. Havia três dias, os PMs aguardavam nos acessos aos dois morros o momento exato de início da ocupação para evitar uma reação do tráfico. No sábado, por volta das 7h, finalmente, eles começaram a ocupação.

Não houve resistência à chegada dos policiais. Não foram ouvidos tiros e a situação era de aparente tranquilidade. Logo em seguida, eram vistos moradores descendo o morro com suas cadeiras de praia.

Já quando, há semanas, a polícia ocupou os morros de Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo, Copacabana e Ipanema, foi desencadeada forte reação por parte de traficantes, espalhando-se ações terroristas pelos dois bairros, um ônibus foi incendiado e outro atingido por uma bomba artesanal. Por ordem de traficantes, lojas nas imediações de Pavão-Pavãozinho foram fechadas.

Mesmo com a reação, a chegada da polícia às favelas foi comemorada pelos moradores.

A ocupação da Unidade de Polícia Pacificadora no alto do Cantagalo teve a presença pessoal do governador Sérgio Cabral, num ambiente de solenidade, a que não compareceram, no entanto, as entidades comunitárias: a polícia descobriu que tinham sido ameaçados de morte pelos traficantes todos os que comparecessem ao evento ou fossem favoráveis à implantação da UPP.

Embora ainda encontre um pouco de resistência do tráfico na Favela Cidade de Deus, onde a UPP foi instalada há um ano, não circulam mais por lá traficantes armados, e quase toda semana a polícia apreende drogas e prende suspeitos.

E nas outras favelas em que se instalaram as Unidades de Polícia Pacificadora é experimentado um período de muita tranquilidade e serena paz.

Na favela Dona Marta, os índices de violência despencaram. Lá que foi a primeira UPP implantada.

No Batan, em Realengo, a UPP expulsou milicianos. E, nos morros de Chapéu Mangueira e Babilônia, pôs-se fim a uma onda de invasões e arrastões que infernizava a vida do bairro Leme.

Isso demonstra que, quando as autoridades têm energia e determinação ao aplicar medidas criativas contra o tráfico e a violência, os resultados podem ser os melhores possíveis.

O esforço é gigantesco, mas surge a luz no fim do túnel do abandono e violências das favelas cariocas.

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