sábado, 29 de março de 2025



29 de Março de 2025
MERCADO DE TRABALHO

MERCADO DE TRABALHO

RS tem saldo de 30,7 mil vagas formais em fevereiro

Mercado de trabalho

Dados do Caged divulgados na sexta-feira pelo Ministério do Trabalho mostram que o Rio Grande do Sul teve saldo de 30.693 postos de trabalho com carteira assinada em fevereiro. O resultado é fruto de 143.992 demissões e 174.685 admissões. Em igual período do ano passado, foram 25,3 mil vagas.

Indústria e o setor de serviços puxaram a criação de vagas no mês passado, com 16.013 vagas e 12.954, respectivamente. Em seguida estão comércio (2.521), construção (1.375) e agropecuária (-2.170).

No acumulado do ano, são 57.657 empregos formais, com destaque para indústria (25.193) e serviços (16.655). Agropecuária, com 12.912, fica em terceiro, seguido de construção (2.572) e comércio (352). No período de janeiro e fevereiro, o RS fica em segundo entre as unidades da federação, atrás somente de São Paulo.

No país, houve novo recorde no saldo positivo: 431.995 postos de trabalho. Trata-se de resultado mensal mais alto da série histórica atual do Caged, iniciada em janeiro de 2020. Em janeiro de 2025, haviam sido 144.086 vagas.

Ainda assim, conforme dados de outro levantamento, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados também na sexta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação no Brasil ficou em 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro.

O resultado fica 0,7 ponto percentual acima do registrado no trimestre móvel anterior, terminado em novembro de 2024 (6,1%). Segundo a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, a elevação da desocupação em relação ao trimestre móvel anterior é um comportamento comum nesta época do ano.

A pesquisa aponta ainda que o país alcançou recorde de trabalhadores com carteira. Eram 39,6 milhões, o maior volume da série histórica, iniciada em 2012.%. 



29 de Março de 2025
EM FOCO

EM FOCO

Políticas públicas afirmativas desenvolvidas nos últimos 20 anos ampliaram a diversidade entre estudantes de universidades federais. Porém, dificuldades financeiras e falta de pertencimento afastam muitos beneficiados da sala de aula

Um caminho tortuoso para conquistar o diploma - Isabella Sander

A cara das universidades federais mudou nos últimos 20 anos. Com a criação de políticas públicas que ampliaram a presença de pessoas de baixa renda, de pretos, pardos e indígenas e de moradores de outros Estados e países, as instituições ganharam diversidade, mas, com ela, também novos desafios. Estudantes relatam dificuldades financeiras, como pagar moradia e transporte, e emocionais, como saudade de casa e falta de pertencimento àquele espaço.

No início de 2024, Gabriel Cledson da Silva estava empolgado: depois de seis anos estudando, havia conseguido uma vaga em Medicina, e na prestigiada Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Potiguar, o jovem não titubeou e fez uma vaquinha para custear as viagens que precisaria fazer entre a capital do Rio Grande do Norte, Natal, e a do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Os empecilhos ao aterrissar em solo gaúcho, porém, foram maiores do que imaginava. Após um semestre, acabou voltando para casa.

O que me fez desistir não foi a faculdade, que é maravilhosa e me recebeu muito bem, mas é muito diferente morar em Porto Alegre, chegar em casa depois de um dia intenso de aulas e não ter o apoio familiar. Eu e muitos colegas tínhamos que chegar, fazer comida, lavar roupa - reconhece o jovem de 28 anos.

Exigências

Além do choque de realidade de ter de lidar com contas e atividades domésticas, a exigência do curso de Medicina dificultou a adaptação de Gabriel. Ele conta que havia dias em que tinha aula das 7h30min às 18h30min e, à noite, ainda precisava estudar em casa, para acompanhar o ritmo cobrado por alguns professores.

No último mês em Porto Alegre, ele conseguiu vaga na Casa do Estudante da UFRGS, o que facilitou muito a vida dele, que pagava o aluguel de um apartamento com outras três pessoas e ainda precisava pagar pelas refeições nos finais de semana. Mesmo assim, a saudade de casa e a falta de perspectiva de ter dinheiro para visitar a família com frequência o desestimularam.

Decisão difícil

Quando voltou para Natal em janeiro, de férias, Gabriel descobriu que uma faculdade privada havia disponibilizado matrículas em Medicina por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni). Resolveu tentar, meio de supetão, e passou. Assim, abandonou o curso na UFRGS e voltou para o Rio Grande do Norte.

- Foi muito difícil de tomar essa decisão, mas não estava conseguindo viver aquele momento: sentia que estava na UFRGS de corpo, mas de alma e espírito, não. Isso se refletia nas minhas notas, que não eram tão boas quanto gostaria. Aqui em Natal, voltei a sentir vontade de estudar em casa - comenta Gabriel.

Apesar de ter feito as pazes com a sua decisão, o potiguar sente que não foi por acaso que passou na UFRGS, e pretende voltar para Porto Alegre depois de formado, para fazer residência no Hospital de Clínicas. _

Desafios para a única indígena da turma

A existência de uma Casa do Estudante Indígena que recebesse a ela e a seu filho foi o que viabilizou o ingresso da caingangue Luciane Inácio, 29 anos, no curso de Educação Especial da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). A jovem foi aprovada em 2023 em processo seletivo para indígenas e quilombolas, depois de abandonar outra graduação que fez, em 2017, quando sua filha faleceu.

- Eu sou natural da terra indígena do Guarita, da cidade de Redentora. Vendo a necessidade que as crianças especiais da minha aldeia têm de um profissional formado nessa área, resolvi voltar a estudar - conta Luciane, que está no quinto semestre.

Dos 45 alunos de sua turma, é a única indígena. Ela já sentiu olhares, ouviu piadinhas e percebe que, até hoje, algumas pessoas evitam se aproximar. Mesmo assim, conseguiu fazer algumas amizades. A presença do filho, Lucas, em todas as aulas também é bem recebida. Crianças filhas de alunos são aceitas em todas as Casas do Estudante da UFSM. Luciane recebe um auxílio parental que usa para pagar o transporte de Lucas até a escola.

- Como mãe, acho que a gente deveria ter acesso a um auxílio até o aluno sair, pelo menos, do Ensino Fundamental. E, em questão de saúde mental, a gente passa por muitas coisas por aqui. Só não desisti porque tive acesso à CAEd (Coordenadoria de Ações Educacionais), que tem auxílio psicológico, e isso me ajuda a me acalmar - analisa.

Grávida novamente, o sonho de Luciane é dar uma vida melhor para todos os pequenos da terra indígena do Guarita. _

Rotina intensa

A estudante de Publicidade e Propaganda da UFRGS Mayra Ávila, 20 anos, trabalhava desde os 15, entre estágio e atividades autônomas, e precisou ajustar a vida para comportar as aulas em turno integral. A rotina é corrida - tem dias em que sai às 6h de Viamão, onde mora, e chega em casa às 23h. Aos finais de semana, faz freelances para bancar suas despesas.

- Minha maior preocupação sempre foi como eu iria me manter aqui dentro (da universidade) sem ter dinheiro, porque mais da metade do valor da bolsa, que eu agora consegui eu gasto com passagem. Com mais os tíquetes do RU, sobram R$ 200 para mim - diz a jovem, que está no segundo semestre.

Uma melhor organização dos horários das disciplinas, segundo Mayra, ajudaria os estudantes que trabalham a não atrasar cadeiras. Um auxílio-transporte mais alto também daria uma folga. _

Formatura atrasada

O estudante de Letras Wellington Porto, 26 anos, está desde 2018 na UFRGS. As aulas em turno integral do curso que frequenta versus a necessidade de, ao menos, atuar em bolsas de iniciação científica, para dar conta das despesas, lhe obrigaram a atrasar a formatura. O valor da bolsa é de R$ 700. Mais os auxílios passagem (R$ 240) e internet (R$ 100), ele soma em torno R$ 1 mil.

Wellington também é coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que vem cobrando a instituição de que realize uma reforma curricular que adeque a universidade ao novo perfil de alunos surgido após as políticas afirmativas:

- Não dá mais para a UFRGS dizer que temos que nos adequar à universidade. A política de cotas apresentou uma outra perspectiva à qual a UFRGS tem que se adaptar.

A gestão atual do DCE defende que o orçamento da UFRGS seja discutido também com os estudantes, a fim de definir quais são as prioridades a serem atendidas. _

O que está sendo feito

No ano passado, uma lei instituiu a Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que prevê recursos federais para garantir a assistência em diferentes áreas: moradia, alimentação, transporte, atenção à saúde, inclusão digital, esporte, atendimento pré-escolar a dependentes, apoio pedagógico e atendimento especializado a estudantes com necessidades especiais.

UFRGS

Entre os benefícios para alunos com renda familiar de até um salário-mínimo, estão o auxílio para pagar a internet, acesso gratuito ao RU, subsídio que permite um custo por refeição nesses restaurantes de R$ 1,30, auxílio-transporte, auxílio-material didático, auxílio-parental para responsáveis legais por crianças de até cinco anos e 11 meses, o atendimento a alunos com necessidades especiais e um programa de saúde que oferece atendimento odontológico, atividades esportivas e apoio à saúde mental.

Há quatro residências estudantis para 300 alunos. Outros 100 estudantes recebem auxílio financeiro para pagar o aluguel.

Há serviço de acolhimento psicológico e ajuda financeira de R$ 250 para 214 estudantes fazerem terapia.

O valor investido em assistência estudantil ficou em R$ 38 milhões em 2024 - somando verba do Pnaes e da própria UFRGS.

Pietra Méndez, pró-reitora de Assuntos Estudantis da UFRGS, afirma que é preciso ampliar o orçamento federal para assistência estudantil. E a própria universidade precisa repensar suas políticas e currículos, diz ela.

UFPel

Na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), para estudantes de baixa renda também há acesso gratuito ao restaurante universitário (RU) e benefícios como auxílio-transporte, auxílio-deslocamento aos alunos que residem em cidade próximas, auxílio para alunos com filhos em idade pré-escolar, auxílio inclusão digital e auxílio moradia.

Uma iniciativa pioneira foi o Vou Mas Eu Volto, auxílio para alunos que vieram de outros Estados visitarem suas famílias. - O esforço desse auxílio foi completamente relacionado à questão da permanência, para entender que os estudantes que passam, às vezes, três anos sem ver suas famílias - relata Angélica Leitzke, coordenadora de Permanência da UFPel.

Dentro da Coordenação de Permanência, vinculada à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) da UFPel, foi criada uma equipe multidisciplinar, para pensar em formas de reter os alunos.

UFSM

Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Gisele Guimarães, pró-reitora de Assuntos Estudantis, destaca o compromisso da universidade com a permanência estudantil diante da crescente diversidade e vulnerabilidade socioeconômica de seu corpo discente.

Entre as iniciativas está o RU subsidiado e a moradia estudantil - a maior da América Latina, com 2,2 mil vagas. A instituição foi pioneira em moradia indígena e aceita crianças nas residências.

Há auxílios financeiros para transporte, formação e para pais de crianças, além de bolsas de apoio.

Na área de saúde mental, há serviços psicossociais e o Comitê de Saúde Mental (Cosame).

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) e a Casa Verônica oferecem acolhimentos para grupos específicos. Segundo a pró-reitora, a universidade busca fomentar a cultura de acolhimento e pertencimento.


29 de Março de 2025
informe especial - Rodrigo Lopes

O Brasil ficou "maior"

Não é exagero dizer que o Brasil ficou maior. Depois de sete anos, a Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC), das Nações Unidas, aprovou o pedido brasileiro para ter ampliada sua plataforma continental - a área de mar sobre a qual o Brasil dispõe de soberania nacional.

A ampliação vai além das 200 milhas náuticas (370 quilômetros) da Zona Econômica Exclusiva (ZEE), faixa de mar sobre a qual o país já tem direito de explorar. Trata-se de uma faixa de mar entre a foz do Rio Oiapoque (no Pará) e o litoral norte do Rio Grande do Norte.

Com a decisão da ONU, o Brasil passa, agora, a ter soberania sobre a Margem Equatorial, uma porção de água de 360 quilômetros quadrados, equivalente ao território da Alemanha.

A nova área não é a mesma que é alvo da insistência da Petrobras para conseguir licença para buscar petróleo. Apesar de também se tratar da Margem Equatorial, a região de interesse da petroleira está dentro do limite da ZEE brasileira.

Essa é, sem dúvidas, uma vitória da Marinha brasileira e do Itamaraty, que desde 2017 reivindicavam esse reconhecimento junto à ONU. É também uma conquista geopolítica e estratégica para o país. No entanto, como se sabe, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Que o Brasil saiba que, assim como outros bens globais, como a Floresta Amazônica, não é detentor do mar ou de seu subsolo. É guardião, zelador. 

Em meio a tensão, vice dos EUA chega na Groenlândia

Em meio à tensão entre os Estados Unidos e a Groenlândia - marcada pela ameaça de anexação ou compra da ilha pelo presidente americano Donald Trump -, o vice J.D. Vance desembarcou no território na sexta-feira.

O plano original da viagem incluía acompanhar uma corrida de trenós puxados por cães e realizar reuniões com o governo groenlandês. No entanto, após retaliações das autoridades locais, a agenda foi reduzida, limitando-se a uma visita à base militar dos EUA em Pituffik, no norte do Ártico.

O novo primeiro-ministro da Dinamarca - país responsável pela política externa e segurança da Groenlândia - classificou a visita como um ato de "falta de respeito" e pediu unidade diante da pressão externa.

A comitiva americana também incluiu a esposa de Vance, Usha, o conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz, e o secretário de Energia, Chris Wright. 

Entrevista Salus Loch - Jornalista, escritor e coordenador da Casa da Memória Unimed Federação/RS

"O silêncio permitiu que Auschwitz acontecesse"

Poucos brasileiros conhecem tão bem a história dos campos de concentração nazistas quanto o jornalista e escritor Salus Loch, coordenador da Casa da Memória Unimed Federação/RS. No próximo dia 9, ele fará palestra e lançará o e-book Liberação: Holocausto, 80 anos, obra que aborda os 80 anos da liberação de vários campos de concentração.

Como nasceu o interesse por estudar o Holocausto?

Visitei pela primeira vez Auschwitz em 2015, quando, pela revista Superinteressante, tinha a atribuição de fazer uma matéria e encontrar uma sobrevivente. A partir dali, não larguei mais. Fui pesquisando, estudando e me interessando cada vez mais. Em 2015, a neta de uma sobrevivente que mora aqui no Brasil leu a reportagem na Super e me procurou, sugerindo entrevista com sua avó, sobrevivente de Auschwitz. Nasceu o livro A Tenda Branca. Criei uma identidade muito grande com Guitta Wein, que, infelizmente, faleceu há dois anos. 

Não sou judeu, mas entendi que precisava contar essa história. Fui três vezes a Auschwitz, a segunda em 2020, quando fui o único jornalista brasileiro credenciado para cobrir o evento de 75 anos da liberação. E voltei agora, em 2025, também como o único jornalista brasileiro credenciado para cobrir os 80 anos. Nesse meio tempo, já conversei com mais de 20 sobreviventes do local apenas para ouvir suas histórias.

E a ideia dessa nova obra?

Estão sendo completados 80 anos da liberação da maioria dos campos. Aproveitando a data, em parceria com o Museu do Holocausto e a Casa da Memória, e a ISPO Pesquisa e Comunicação, nasceu o projeto Liberação, narrando como foi a libertação dos campos, de Auschwitz-Birkenau, Plaszow, Mauthausen, Terezin e Dachau. Ia lá, gravava, filmava, tudo. E o Museu do Holocausto editava dois minutinhos de vídeo e rodava nas redes sociais. Passava a mensagem, para que não se repita. Esse é o escopo do projeto. Nasceu das reportagens geradas a partir das visitas.

Depois de tantas visitas a campos de concentração, o que ainda te marca?

O primeiro ponto, que une todos, é a perspectiva da supremacia racial. A ideia dos nazistas de que eles eram poderosos, e aqueles que não eram alemães puros seriam considerados sub-humanos, e, por isso, não mereceriam sequer viver. Os campos de extermínio foram feitos para matar gente, campos de concentração eram para segregar aqueles que eram oposição, seja política ou racial. 

Essa lembrança do Holocausto é mais do que uma homenagem às vítimas. É um aviso sobre os horrores que nascem do ódio, da intolerância, da discriminação em um contexto no qual, hoje, se vê um mundo polarizado e alguns governantes entendendo que o país é só para os seus, tentando extirpar outros que não coadunam com suas ideias. Vemos o antissemitismo crescendo, especialmente a partir do ataque do Hamas e da resposta de Israel. Então, temos um contexto global para o qual esse passado tem muito a ensinar. Mas temo que não estejamos entendendo o que aconteceu, porque, daqui a pouco, pode acontecer de novo.

Estamos perdendo essa memória?

Alguns grupos fazem questão de deletá-la, inclusive. É um negacionismo pensado. Mas, quanto mais distante do fato, mais difícil de que ele esteja presente, porque os sobreviventes, daqui a 10 anos, não estarão mais vivos. Então, essa tarefa compete a nós, inclusive jornalistas, educadores, de que manter a memória viva.

Como foi a recordação dos 80 anos de libertação de Auschwitz?

Estava o Emmanuel Macron (presidente da França), o Volodimir Zelensky (da Ucrânia). Mas só falaram sobreviventes, o presidente do Congresso Judaico Mundial e o diretor do museu. Todos eles concordam com uma linha: o silêncio permitiu que Auschwitz acontecesse. Vamos continuar quietos diante do que está acontecendo hoje? É isso que move que a gente a continuar: alertar, observar, tentar educar. _

INFORME ESPECIAL

sexta-feira, 28 de março de 2025


28 de Março de 2025
CARPINEJAR

Jamais testemunhamos tantos crimes hediondos no Estado.

Não tem como não perceber que algo está fora da ordem. Paira uma atmosfera lúgubre e diabólica. As sombras devoram princípios básicos do caráter, como decência e honra.

É uma amiga que roubou um bebê do ventre. É uma esposa que envenenou a família inteira com bolo. É uma filha que incinerou o pai e a madrasta na churrasqueira. É um pai que jogou o filho de cinco anos de uma ponte para se vingar da ex-esposa. É outro pai que teria lançado seu carro em cima de um caminhão para matar seus gêmeos. É um comerciante que estuprou e manteve menina de nove anos no cativeiro. É um homem que deixou a ex-namorada morta na frente da casa dos pais dela.

São notícias trágicas engolindo as nossas lágrimas, furtando o nosso sorriso, tirando a nossa tranquilidade. Nunca escrevi tanto sobre maldades monstruosas e covardes. Já não sei se faço crônicas ou obituários.

Do lado estrutural e social, a profusão de aberrações vem aumentando pela cristalização da impunidade. Só no Brasil psicopatas têm esperança de voltar às ruas. Não serão postos na cadeira elétrica ou na prisão perpétua. Não temem o castigo. Não se amedrontam com julgamentos. O único risco a eles é o linchamento, a justiça pelas próprias mãos e os códigos extremistas da prisão.

Polícia prende, e logo estão soltos, recuperando a normalidade sob falsas prerrogativas, com saídas temporárias e um sexto da pena. A gravidade dos delitos não condiz com o tamanho das penas - sequer são cumpridas à risca. Parece que circula um consenso invisível de relaxamento das sentenças pela superlotação dos presídios. Isso não muda. Os direitos humanos seguem não valendo para as vítimas.

Do lado interno e psíquico, o enfraquecimento da família como instituição é um ponto em comum entre as histórias de horror. A família adoeceu como um todo pelas individualidades exacerbadas, não sendo capaz de constituir uma fortaleza moral diante das transformações tecnológicas.

Não há mais um projeto coletivo, um ideal de lar, abrindo espaço para obsessões românticas, casamentos tóxicos, excesso de telas, consumo desenfreado de pornografia, compulsão por jogos, menosprezo da terapia, descuido com a velhice dos pais, alienação parental, endeusamento do narcisismo como virtude numa sociedade competitiva, inexistência da memória da gratidão, distanciamento dos irmãos e sobrinhos na vida adulta.

Não sobra tempo para educar com disciplina, ou para dizer não. A carência de tempo gera um sim eterno. Trocou-se o rigor do amor pela bajulação. Trocou-se o sacrifício do amadurecimento pela permissividade. Trocou-se o aprendizado pelo entretenimento.

Desaparecem o contato presencial, o afeto construtivo, as fronteiras entre a fantasia e a realidade.

O costume da culpa é dar liberdade. Ou seja, você não ensina liberdade - para ela virar responsabilidade -, você dá liberdade, que é confundida com falta de limites.

As pessoas crescem hoje sem medo de nada, intoxicadas de virtualidade, longe das experiências e das sensações do mundo concreto. Sem entender que a carne dói. Sem entender o sofrimento. Sem a mínima noção de empatia. Sem se colocar no lugar do próximo. Sem arcar com as renúncias por suas escolhas. Tudo é possível, inclusive o inferno. 

CARPINEJAR

28 de Março de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Trump derruba ações nos EUA

A mais irracional tarifa anunciada por Donald Trump, sobre todos os carros feitos no Exterior, derrubou ações de empresas americanas e levou o dólar a novo recorde ontem. A onça-troy, medida básica do metal precioso, fechou em US$ 3.071,30, máxima histórica diária. Como se sabe, é um ativo para o qual os investidores correm quando avaliam que o risco subiu demais.

No Brasil, o dólar teve subida leve, de 0,38%, para R$ 5,754. Pouco perto do estrago nos EUA. O anúncio havia sido feito na quarta-feira, depois do fechamento do mercado financeiro, por isso o impacto ocorreu no dia seguinte.

As ações da indústria automobilística tiveram quedas só comparáveis às registradas em grandes crises: GM - a que mais importa peças do México - desabou 7,3%, Ford tombou 3,9%.

Apelo sem resultado

As montadoras americanas haviam apelado que Trump não avançasse nesse caminho, por temer represálias e porque quase a metade dos cerca de US$ 400 bilhões em "carros" que entram nos EUA são, na verdade, partes e peças usadas na indústria local.

Há crescente percepção de que decisões de Trump estão fazendo efeito contrário ao esperado. Em vez de tornar a "América grande outra vez", contribuem para encolher a chamada "riqueza disponível", que inclui os ganhos na bolsa.

O índice S&P 500 da bolsa de Nova York, o mais abrangente, tem queda acumulada perto de 10% desde a posse do novo governo.

Se quase todas as tarifas prejudicam tanto os países afetados quanto a economia americana, esta é a que mais provoca danos autoinfligidos. É tão ilógica e contraproducente que se discute, nos EUA, se foi anunciada para desviar a atenção da acusação de vazamento de informações de defesa, considerada a primeira crise séria da atual administração. _

R$ 180 milhões para data centers

Dona de projeto anunciado de R$ 3 bilhões na Região Metropolitana, a Scala vai investir R$ 180 milhões para comprar equipamentos e materiais para expansão de seus data centers.

A empresa já tem empreendimento em Porto Alegre e prevê construir outro em Eldorado do Sul, que seria o passo inicial para formação de uma "cidade de data centers", a Scala AI City. Os recursos vêm de crédito contratado por meio do programa Máquinas e Serviços do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

- O financiamento se somará aos mais de R$ 10 bilhões já investidos pela Scala, que continuarão crescendo e habilitando o futuro da tecnologia no país - detalha o CFO da Scala, Clayton Malheiros.

- O BNDES apoia a ampliação da oferta de data centers no Brasil, pois são importantes para o processamento, armazenamento, tratamento e distribuição de dados no ambiente digital - afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

A Scala também tem operações e projetos de data centers em Barueri, Campinas e Jundiaí (SP), Rio de Janeiro e Fortaleza.

A primeira fase do projeto no Estado inclui a construção de um empreendimento em Eldorado do Sul com capacidade para 54 megawatts e potencial de gerar cerca de 3 mil empregos - 2 mil nas obras e 1 mil na operação. _

Gerdau e seu "pré-South Summit"

No dia 8 de abril, véspera da abertura do South Summit Brazil 2025, a Gerdau fará a primeira edição do Gerdau Innovation Day.

O evento está previsto para ser realizado no Instituto Caldeira, em Porto Alegre.

Palestras e painéis vão reunir executivos da Gerdau e convidados externos para discussões sobre futuro, tecnologia, transformação digital e parcerias de marca, com programação das 14h às 19h.

Para participar, é preciso entrar no site do Gerdau Innovation Day, onde também está disponível a programação completa de painéis. As inscrições são gratuitas, mas há limite de vagas. _

Um Pacto

Alegre mais robusto com a institucionalização de sua estrutura

A 10ª Mesa do Pacto Alegre, reunião de todas as instituições representadas nesse movimento para transformar a Capital, trouxe ontem um novo desafio, o da institucionalização da estrutura. Veio com duas novas adesões de peso.

Foram anunciados o ingresso do empresário Jorge Gerdau Johannpeter ao conselho consultivo e a adesão da Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) para se somar a UFRGS, PUC-RS e Unisinos, que estão na raiz do Pacto Alegre com a Aliança para Inovação.

Segundo Jorge Audy, representante da PUC-RS na Aliança para Inovação, todas as ações do movimento ainda são executadas por meio das universidades, mas é hora de ter uma estrutura mais robusta. O Pacto Alegre foi criado em 26 de março de 2019. _

Entrevista

Antonio Lacerda

Diretor-geral de celulose no Brasil da CMPC

"Vamos repovoar, recuperar a flora do RS"

Será lançado hoje o projeto Reflora, para reconstruir uma das mais importantes riquezas do Estado: sua cobertura vegetal, que absorve não só gás carbônico mas também o excesso de umidade depois de chuva forte. Vítima das perdas por inundação, a CMPC tomou a iniciativa com governo do Estado, Universidade Federal de Viçosa e Embrapii.

? Como nasceu o Reflora?

É uma discussão de alguns meses. Com a enchente, várias áreas foram degradadas. Muitas árvores foram perdidas. Com o governo do Estado e a Universidade Federal de Viçosa (MG), vamos repovoar essas áreas com 30 espécies nativas e produzir 3 mil mudas. Como temos pressa, não será com sementes, mas por enxertia, técnica antiga mas muito eficaz.

Como será executado?

Vamos buscar material genético das árvores das áreas afetadas. Vamos fazer o enxerto nos nossos viveiros, para ter desenvolvimento rápido e replantar em várias áreas do RS. Serão beneficiados 250 mil hectares, porque 44% da área da CMPC é de florestas nativas. Vamos repovoar, recuperar a flora do Estado.

Qual será o investimento?

Cerca de R$ 7,5 milhões, com o governo do Estado, a Universidade Federal de Viçosa. Dá muito orgulho de fazer parte disso.

? Será só em áreas da CMPC?

A ideia é partir com 3 mil mudas nas áreas da CMPC atingidas pela enchente. O começo precisa de condições controladas. Depois, no segundo ou terceiro ano, podemos chegar a muito mais áreas do Estado. Depois, podemos ter uma multiplicação geométrica desse trabalho.

Em quanto tempo haverá árvores plantadas?

Em 12 meses. O primeiro trabalho é ir para as áreas e coletar material, depois levar para os viveiros. Em 10 meses, estaremos plantando. Em quatro ou cinco anos, essa primeira leva já vai produzir sementes.

A Universidade de Viçosa é referência na área?

Exatamente, na área de propagação de espécies vegetais, especialmente árvores para fins industriais. Mas o mais bacana é que eles vão transferir essa tecnologia para a Universidade de Santa Maria. A continuidade do projeto será com Santa Maria.

Por onde começa o projeto?

Guaíba, Barra do Ribeiro, Tapes, Rio Pardo, Butiá, Eldorado do Sul e Santa Maria. _

GPS DA ECONOMIA

28 de Março de 2025
EMPREENDEDORISMO

EMPREENDEDORISMO

Criado há seis anos, Pacto Alegre apresenta balanço de projetos para a cidade

Empreendedorismo

Movimento busca conectar empresários, universidades e gestão pública para atrair investimentos e inovação à Capital

A 10ª Mesa do Pacto Alegre trouxe ontem um balanço de ações que já saíram do papel graças à iniciativa, que completou seis anos na quarta-feira. O encontro do movimento ocorreu no prédio da Unisinos, na Capital.

O Pacto Alegre é uma articulação entre atores locais para a realização de projetos com amplo impacto para a cidade.

O objetivo da iniciativa é criar condições para que a Capital se transforme cada vez mais em um polo de inovação, atração de investimentos e empreendedorismo, por intermédio do compartilhamento de recursos e parcerias entre o poder público e a iniciativa privada.

Coordenador do Pacto, Luiz Carlos Pinto cita, entre os projetos, a criação da marca de Porto Alegre e o surgimento do Instituto Caldeira, espaço que reúne startups de segmentos como tecnologia, saúde e educação.

No encontro, foi anunciado o ingresso do empresário Jorge Gerdau Johannpeter no conselho consultivo e a adesão da Universidade Federal das Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) à iniciativa.

Inaugurado no ano de 2019 no 4º Distrito, o Caldeira passará por ampliação, com investimento de cerca de R$ 120 milhões. O espaço ocupará a antiga fábrica de tecidos Guahyba. Com isso, a área para atividades de empresas e instituições passará dos atuais 22 mil metros quadrados para 55 mil metros quadrados. A obra já foi iniciada. As primeiras empresas devem começar a operar no local já em 2025.

Investimentos

O novo espaço terá área para eventos com até 600 pessoas. Hoje, há 130 empresas trabalhando em escritórios do empreendimento. Para a nova estrutura, são feitas negociações com instituições financeiras, de ensino e empresas de tecnologia.

Além disso, cerca de 10 startups já reservaram espaços.

- Estamos concluindo o segundo ciclo do pacto, que foi de três anos cada. Hoje, mais de 50 pessoas participaram do encontro. Queremos fazer uma maior institucionalização do pacto. A chegada da UFCSPA vai somar muito - celebra Jorge Audy, um dos coordenadores e representante da PUC-RS na Aliança para Inovação.

O novo momento foi celebrado com uma reafirmação dos propósitos centrais do Pacto Alegre. Os pilares de educação, desenvolvimento econômico e ambiente favorável a negócios pretendem transformar a Capital em uma cidade alinhada aos novos parâmetros sociais e culturais do século 21.

Outro ponto destacado foi a atração do South Summit para Porto Alegre, que já está indo para a quarta edição, entre os dias 9 e 11 de abril. No Cais Mauá, palestrantes devem apresentar e debater soluções de ciência e tecnologia que podem auxiliar o enfrentamento aos novos tempos. O Grupo RBS marcará presença na quarta edição do South Summit como Strategic Media Partner. 


28 de Março de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Sudesul tem chances remotas de ser recriada

Desde que a Superintendência de Desenvolvimento do Sul (Sudesul) foi extinta, no início do governo Fernando Collor, incontáveis tentativas de ressurreição fracassaram. Agora, o governador Eduardo Leite vem conquistando aplausos sempre que cobra da União tratamento mais equilibrado para os problemas regionais e aponta os fundos constitucionais de outras regiões como concorrência desleal.

Parte da bancada gaúcha comprou a ideia, mas são remotas as chances de ressurgimento desse órgão para financiar o desenvolvimento de Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

O argumento de Leite é legítimo. Os Estados do Nordeste têm a Sudene, os do Norte, a Sudam e a Zona Franca de Manaus, e os do Centro-Oeste, a Sudeco. O Sudeste ganha royalties do petróleo ou do minério de ferro. E o Sul, considerado rico, tem bolsões de miséria, fica distante dos grandes centros consumidores e enfrenta dificuldades logísticas de infraestrutura.

Se é justo e legítimo, por que fracassaram as tentativas anteriores de recriar a Sudesul? Primeiro é preciso lembrar o contexto em que essas superintendências foram extintas e, depois, recriadas - as outras, no caso. A Sudesul nasceu em 1967, no governo Castello Branco, e foi extinta por Collor nos primeiros meses de governo, em meio a uma onda de diminuição do peso do Estado.

À época, houve reclamações aqui e ali, mas ninguém chorou por muito tempo, porque tinha se tornado um grande cabide de empregos. Tinha na folha de pagamento gente que nem aparecia para trabalhar. Pelo Estado espalhavam-se placas com seu logotipo em obras inacabadas.

Tentativas anteriores fracassaram

Collor e a então ministra Zélia Cardoso de Mello alegavam que a maior parte dos órgãos extintos estava dominada pela corrupção e simplesmente passaram o rodo. Como os brasileiros estavam mais preocupados com o confisco da poupança e com os sinais de que o governo não tinha norte, faltaram lágrimas para chorar o fim da Sudesul.

Com o impeachment de Collor, ocorreram movimentos para recriar a Sudesul, mas nenhum governo encampou. Fernando Henrique Cardoso extinguiu a Sudene e a Sudam usando o mesmo argumento da corrupção, mas elas foram recriadas mais tarde porque o Norte e o Nordeste precisavam de incentivo para atrair empresas.

O caso da instalação na Ford na Bahia ilustra bem essa situação. A empresa deixou o RS por divergências com o governo de Olívio Dutra mas, principalmente, porque a Bahia ofereceu incentivos por meio da Sudene. Pelo mesmo motivo, empresas calçadistas abandonaram os vales do Sinos e do Paranhana e migraram para o Ceará e outros Estados nordestinos.

É preciso acrescentar que o fracasso das iniciativas de recriar a Sudene também se deu por uma crescente perda de poder político pelo RS, que em todos os governos ocupou posições importantes no primeiro escalão e no Congresso e hoje não tem nenhum ministério, está fora da mesa diretora da Câmara e conquistou a presidência de apenas uma comissão, a de Cultura. _

Tributo a Eva Sopher na inauguração do Teatro Simões Lopes Neto

A inauguração do Teatro Simões Lopes Neto, ontem, reuniu a elite cultural do Rio Grande do Sul no complexo Multipalco, idealizado por Eva Sopher e executado ao longo dos últimos 22 anos. O governador Eduardo Leite cortou a fita ao lado da secretária da Cultura, Beatriz Araújo, do presidente da Fundação Theatro São Pedro, Antônio Hohlfeldt, sucessor de dona Eva, e das filhas dela, Ruth e Renata.

Dona Eva foi reverenciada nos discursos e nos comentários do público por sua dedicação à cultura do Rio Grande do Sul, primeiro na restauração do São Pedro e, depois, na concepção do Multipalco. Ela ia pessoalmente bater à porta dos empresários e pedir dinheiro para a obra.

Os ex-governadores Jair Soares (PP), Olívio Dutra (PT) e José Ivo Sartori (MDB) prestigiaram a inauguração.

O presidente do Banrisul, Fernando Lemos, e o ex-secretário da Cultura Roque Jacoby, aplaudiram a conclusão da obra, financiada em parte com recursos da Lei de Incentivo à Cultura. O Banrisul foi um dos principais investidores.

Até junho de 2026, o Simões Lopes Neto vai receber os espetáculos durante o período em que o São Pedro estará fechado para reformas. _

Governo gaúcho prepara viagem aos EUA em maio

Uma comitiva do governo gaúcho irá a Nova York entre os dias 12 e 15 de maio para participar da Brazil Week. A programação está sendo organizada pela Invest RS e pelas secretarias de Inovação, Ciência e Tecnologia e de Inclusão Digital e Apoio às Políticas de Equidade.

As secretárias Simone Stülp e Lisiane Lemos devem acompanhar o governador Eduardo Leite. Como a ideia é juntar promoção comercial e agendas sobre tecnologia e inovação, o secretário de Desenvolvimento, Ernani Polo, também deve integrar a missão. _

Nardes diz que coluna fez "ilação infundada"

Em resposta a nota de ontem, o ministro do TCU Augusto Nardes contestou a conclusão da coluna e disse que se trata de "ilação infundada". De acordo com a assessoria de Nardes, o áudio vazado em novembro de 2022 era "um diálogo privado entre amigos sobre o clima político e não tem relação com os eventos do início de 2023".

A coluna não se referiu ao 8 de Janeiro, mas à trama golpista que começou a ser julgada no Supremo Tribunal Federal.

Nardes alega que "nunca insinuou ou apoiou movimentos antidemocráticos" e que, à época, "repudiou veementemente qualquer incitação a ações que atentassem contra a democracia". _

Comitiva de prefeitos e vereadores vai a Brasília

Uma comitiva composta por cerca de 70 prefeitos, vereadores e secretários, representando 52 municípios gaúchos, passou os últimos dois dias em Brasília para pleitear recursos e investimentos no RS. Quem articulou a caravana por ministérios e gabinetes parlamentares foi o deputado estadual Adão Pretto (PT).

A comitiva passou por 11 ministérios, além do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A viagem começou a ser planejada em 2024. Segundo Adão, como a maior parte dos municípios é de pequeno porte, a união dos esforços na busca por investimentos aumenta as chances de prosperar. _

POLÍTICA E PODER


28 de Março de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Leite deveria usar verba da cheia para comprar avião?

O colega Jocimar Farina noticiou, em primeira mão, que o governo do Estado avalia a compra de um avião. Diferente dos modelos atuais, o Caravan e o King Air, a aeronave teria motor a jato, ou seja, mais rápida e com maior autonomia de voo.

A ideia é que o avião, seminovo, com valor estimado em R$ 95 milhões, não só auxilie no transporte do governador Eduardo Leite, mas, principalmente, atenda urgências, emergências, transporte de órgãos para transplantes e outras demandas específicas de segurança pública, defesa civil e saúde.

Há vários pontos aí. Um governo comprar um avião é sempre polêmico. Lembro da época que o presidente Lula, em 2005, no primeiro mandato, adquiriu o Airbus VC-1A, apelidado de "AeroLula", em substituição ao "Sucatão" (Boeing KC-137).

É um investimento elevado, sugere, no imaginário popular, gastança, levanta questionamentos sobre a real necessidade da aquisição e, principalmente, dúvidas sobre se não há outras reivindicações mais urgentes, como em saúde, educação e segurança pública.

Segundo, no caso específico do avião de Leite, a polêmica que começa a se formar é sobre a origem dos recursos para a compra do equipamento: o Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), criado no ano passado para reunir dinheiro destinado à reconstrução do Estado, após a enchente de maio.

Discussão é válida

Passados quase 11 meses da tragédia climática, em que as obras emergenciais parecem andar a passos lentos, a sensação é de que comprar um avião não deveria ser prioridade. O governo argumenta que esse tipo de compra está no escopo do plano para que o Estado se torne mais resiliente para encarar futuras tragédias. Vale lembrar que, no auge da enchente de maio, pessoas foram resgatadas na BR-287, à época isolada pelo desastre.

Equipar forças de segurança é investir em resposta rápida em caso de necessidade. Uma analogia possível - e também polêmica - diz respeito à proposta da oposição de usar recursos do fundo para a duplicação da RS-118, entre a Freeway, em Gravataí, e a RS-020, em Viamão, obra esperada há décadas e profundamente necessária para salvar vidas. Também não tem nada a ver com reconstrução, dirão alguns. Sim, mas a rodovia teve papel fundamental para garantir o acesso de Porto Alegre com a Região Metropolitana - e com o Brasil - na enchente e nos meses seguintes.

Agora, uma coisa é comprar avião, outra é garantir manutenção, que é cara. O RS tem várias carências, mas esperaremos que cada um dos problemas seja resolvido primeiro para que outros novos sejam atendidos? Talvez. É uma discussão que a sociedade gaúcha precisa fazer. _

O que motiva o interesse de Trump na Groenlândia

Desde dezembro de 2024, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem falado publicamente sobre seu interesse em anexar a Groenlândia. Nesta semana, o assunto voltou à tona com a programação de uma visita de autoridades americanas ao território.

Na quarta-feira, Trump afirmou que os EUA precisam da Groenlândia "para a segurança internacional". Mas o que está por trás da intenção do republicano?

A ilha, a maior do mundo, é um território autônomo da Dinamarca. Em 2019, no seu primeiro mandato, Trump já havia declarado que a compra ou anexação "seria um grande negócio imobiliário".

Apesar de 80% do território ser coberto por gelo, a Groenlândia tem grande potencial explorável, pois abriga uma das maiores reservas de minerais críticos do mundo - essenciais para energias renováveis e tecnologia - além de urânio, petróleo e gás.

Outro fator é a localização. A região tem se tornado um ponto de tensão global. Rússia e China têm aumentado a influência na área. O controle propiciaria aos EUA proteger rotas marítimas emergentes, como a Passagem Noroeste, que pode se tornar navegável diante do aquecimento global. Além da instalação de outra base militar mais ao norte do país, que seria vital para implantar sistemas de alerta de mísseis. E, principalmente, impedir que rivais estabelecessem bases na região.

Oposição

O governo groenlandês tem rejeitado as tentativas de Trump. O primeiro-ministro interino, Mute Egede, definiu a viagem da comitiva dos EUA como "altamente agressiva". O caso fez os americanos limitarem a visita à base militar. A Dinamarca, responsável pela defesa e política externa da Groenlândia, também já deixou claro que não negociará a soberania do território. _

Mais dinheiro e autonomia para as escolas municipais

Deve ser publicado hoje no Diário Oficial de Porto Alegre o decreto que cria o Programa de Autonomia Financeira das Escolas (Proafe). O objetivo é dar maior autonomia às direções escolares para o uso de recursos e ampliar o repasse direto às escolas, que será de R$ 17,5 milhões anuais. O novo instrumento substitui o antigo Plano de Aplicação de Recursos e valerá a partir de abril.

Segundo o secretário de Educação da Capital, Leonardo Pascoal, o programa prevê aumento médio de recursos destinados para todas as escolas municipais de 58%. _

Onde estão os minerais críticos no mundo?

Os minerais críticos, essenciais para energias renováveis e tecnologia, têm gerado no mundo, hoje, debates geopolíticos pelos interesses de grandes potências na exploração desses elementos.

A coluna reúne abaixo os principais países que contam com minerais críticos no planeta. Entre os itens: terras raras (REE), lítio, cobalto, nióbio, grafita, tungstênio, vanádio, platina, cobre e urânio. As fontes são: Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), International Energy Agency (IEA), Banco Mundial (BM), Agência Nacional de Mineração (ANM), World Nuclear Association, entre outros. _

Novas viaturas para a segurança

A Polícia Civil e a Brigada Militar estão recebendo ao menos 15 novas viaturas. As aquisições, por parte do Estado, foram viabilizadas por meio de doações articuladas pelo Instituto Cultural Floresta (ICF) junto a gigantes como Gerdau, Panvel, Zaffari, Oleoplan, Neugebauer, Pompeia, Renner, Drebes e Vibra.

O investimento é de aproximadamente R$ 10 milhões e os veículos serão utilizados em Patrulhas Especiais do Comando de Polícia de Choque e como viaturas volantes da Polícia Civil.

A mobilização é resultado do Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg), ideia surgida há exatos sete anos, quando, em 28 de março de 2018, ocorreu a primeira doação de 46 viaturas ao Estado. Desde a criação do Piseg, já foram destinados R$ 212 milhões às forças de segurança em 236 municípios gaúchos por meio de doações privadas. _

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 27 de março de 2025



27 de Março de 2025
OPINIÃO

Inovação como pilar de transformação social
Irmão Manuir Mentges - Reitor da PUCRS

Os novos tempos nos convocam a uma evolução constante, tanto em pensamento quanto em atitude. Em um mundo cada vez mais interconectado e dinâmico, o conhecimento não apenas reflete as transformações da sociedade, mas também é moldado por elas, em um processo coletivo muitas vezes imperceptível aos nossos olhos.

A Aliança para a Inovação e o Pacto Alegre são expressões concretas desse movimento. Fruto da colaboração entre PUCRS, UFRGS e Unisinos, essa iniciativa visa fortalecer um ecossistema mais acolhedor e propício para empreender, inovar e viver, promovendo oportunidades para formação e atração de talentos.

Mas a inovação vai além. Ela reafirma a verdadeira missão das universidades: impulsionar o desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural. Inovar não é apenas um meio de posicionar nossa região como referência global; é, sobretudo, uma ferramenta poderosa para gerar impacto social e econômico significativo, construindo um ambiente colaborativo, saudável e sustentável para todos.

Na PUCRS, a inovação e o empreendedorismo fazem parte do nosso DNA, impulsionando uma busca incessante por soluções para os desafios contemporâneos. O Tecnopuc, nosso parque científico e tecnológico, é um exemplo vivo desse compromisso e a realização de um grande sonho.

Ao fomentarmos a formação empreendedora, buscamos desenvolver alunos com criatividade, pensamento crítico e autonomia. A internacionalização e a articulação entre pesquisa e ensino também são pilares essenciais, viabilizando parcerias globais e experiências de mobilidade internacional que preparam nossos estudantes para um mundo cada vez mais interconectado.

Universidades inovadoras têm um compromisso inegociável com a formação de profissionais capazes de transformar a sociedade e construir um futuro mais justo, sustentável e próspero. Ousar o novo exige coragem, mas é plenamente possível quando há comprometimento e união de esforços. _

Evolução e renovação nas obras do Estado -
Izabel Matte Secretária de Obras Públicas do Estado

Qual a medida do tempo do crescimento? E quanto tempo transcorre até se conquistar segurança para redefinir processos? Essas perguntas são retóricas, mas ajudam a dimensionar o que representam e possibilitam os 135 anos da Secretaria de Obras Públicas (SOP), celebrados poucos dias atrás, em 21 de março.

Ela é uma das três primeiras pastas criadas pelo governo do Estado em 1890. Em sua trajetória longeva, recebeu diferentes denominações e funções. O que nunca mudou, tornando-se o seu principal propósito, é a responsabilidade pela construção e manutenção dos prédios do Estado.

Sua missão se concretiza hoje em duas frentes: prédios públicos e barragens. As demandas mais numerosas partem das 2,3 mil escolas e ainda há mais de mil outros prédios. Esses números seguirão crescendo a cada novo projeto concretizado para que o governo amplie e qualifique a sua atuação.

A outra frente trata da construção das barragens dos arroios Jaguari, em São Gabriel, e Taquarembó, em Dom Pedrito, empreitadas tão grandiosas que, quando concluídas, significarão um feito histórico.

Para dar conta disso tudo e ir além, em 2023 começamos a reestruturação da SOP. Aprimoramos a gestão, redefinimos processos e fluxos e aprofundamos a integração com secretarias e outros órgãos. Era o momento certo, pois o Estado retomava a capacidade de investir, a partir das reformas lideradas pelo governador Eduardo Leite em sua primeira administração.

Estamos redesenhando a SOP para que ela adquira mais agilidade e eficiência, e os resultados já aparecem. Em março de 2024, foi lançada a contratação simplificada, sistema que agiliza obras de recuperação da infraestrutura escolar. Isso provocou uma revolução. O tempo entre a solicitação da demanda e o início dos trabalhos caiu de cerca de mil dias em 2019 para aproximadamente 90 em 2024. Em 2025, esse sistema será aplicado nos outros prédios do Estado.

A secretaria protagoniza um processo ascendente em que três palavras se destacam: desafio, transformação e crescimento. Imbuídos dos seus significados, celebramos os 135 anos com evolução e renovação, pois a SOP está se reinventando para fazer muito mais história. _

Tulio Milman - PCN, o Partido de Coisa Nenhuma

Todos os domingos, almoço com meus pais e meus irmãos. É um ritual que resistiu ao tempo e à pressa. Nos últimos cinco finais de semana, um tema recorrente foi trazido à mesa pelo meu pai, Gildo, 93 anos: os partidos políticos no Brasil. Mais precisamente, o que sobrou deles.

O pai pesquisou, leu, anotou. Descobriu que existem hoje 29 partidos registrados oficialmente no Brasil. Mas, olhando de fora, quem consegue apontar o que cada um representa? O que os diferencia? Já houve um tempo em que os partidos eram porta-vozes de visões de mundo, projetos de sociedade, esperanças coletivas. Hoje, parecem versões ligeiramente diferentes do mesmo pragmatismo cansado. São estruturas que orbitam em torno de seus próprios interesses, desconectadas das ruas, das dores e dos sonhos.

Poucos dias atrás, fui convidado pelo Tribunal Regional Eleitoral para mediar um painel sobre abstenção, com representantes de partidos. A necessária ideia de aprofundar o tema, em um seminário, foi do presidente do tribunal, desembargador Voltaire de Lima Moraes. Quase todas as siglas ali representadas admitiram alguma responsabilidade pelo desinteresse crescente dos eleitores. Mas também se consideraram vítimas de um sistema que já não se sustenta, embora ainda não tenha surgido um substituto convincente.

A crise da democracia passa, necessariamente, pela crise dos partidos. Eles deixaram de ser pontes e viraram muros. Deixaram de ser casas e viraram balcões. A falsa sensação de autorrepresentação nas redes sociais - nas quais cada bolha parece conter o mundo - confundiu ainda mais tudo. Os partidos não entenderam que não bastava ter mais presença digital. Era preciso mudar também de linguagem, de forma e de conteúdo.

Não se trata de demonizá-los. Mas também não dá para absolvê-los. Se não se reinventarem, seguirão sendo, ao mesmo tempo, algozes e vítimas de um modelo que se exauriu - e cujo sucessor ainda está por nascer. _

OPINIÃO

27 de Março de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

O recado de dois ministros do STF: "Ditadura mata"

O resultado de cinco votos favoráveis e nenhum contrário para aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados era esperado. O que surpreendeu foram as palavras fortes usadas nos votos dos ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). "Ditadura mata" foi expressão usada tanto por Flávio Dino (na versão "golpe mata") quanto por Cármen Lúcia, que destacou:

Ditadura vive da morte, não apenas da sociedade, da democracia, mas de seres humanos de carne e osso.

A única ministra do STF ainda revelou um bastidor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no conturbado dezembro de 2022. Relatou que havia algo que muitos ainda não compreendiam e tomou uma decisão:

- A diplomação foi antecipada para o dia 12, porque o risco existia, e a responsabilidade exigia ação.

"Dever" em aceitar a denúncia

Ao falar do 8 de Janeiro, Cármen disse que não foi um acaso, mas resultado de um plano golpista elaborado havia mais tempo. Afirmou que era um "dever" aceitar a denúncia, porque os ministros são temporários, mas as instituições constituem o país:

- Nós somos passageiros, o Supremo é do Brasil.

Para que isso seja percebido por mais brasileiros, seria importante levar em conta a ponderação do colega Luiz Fux, que defendeu a necessidade de definir penas com "humildade judicial". Pode ser útil em meio à polarização e à desinformação.

Cármen Lúcia afirmou que, daqui para a frente, será preciso individualizar a participação de cada réu na tentativa de ruptura institucional:

- O que é preciso é desenrolar do dia 8 para trás, para chegarmos a esta máquina que tentou desmontar a democracia. Porque isso é fato.

Tanto é fato que a maioria dos advogados de defesa nem tentou contestar o plano de golpe, apenas a participação de seus clientes - e em um caso, a contribuição de um não acusado até agora. Ao tentar se defender, o ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a confessar, questionando se "trabalhar com dispositivo constitucional é sinal de golpe". Ou seja disse que tentou, sim, uma saída supostamente institucional para contrariar a vontade das urnas. _

Esperança de ficar fora das tarifas recíprocas

É um exercício de risco acompanhar as idas e vindas da tática comercial de Donald Trump. Tudo pode mudar no minuto seguinte. A perspectiva do dia, ontem, era benigna para o Brasil: as tais "tarifas recíprocas" se limitariam a países que têm barreiras não tarifárias e grandes superávits comerciais com os EUA.

O Brasil tem até um pequeno déficit nas relações comerciais, ou seja, compra mais do que vende aos americanos. E isso ocorre de forma constante há ao menos uma década.

Portanto, não haveria justificativa, desse ponto de vista, para novos obstáculos, especialmente em um momento em que a produção brasileira de ovos socorre os americanos. Mas a lógica, como se sabe, não mora na Casa Branca.

A expectativa é de que as maiores vítimas das "tarifas recíprocas" sejam Japão, União Europeia, México e Vietnã, com o quarto maior superávit na balança comercial, ou seja, vende aos EUA US$ 122 bilhões a mais do que compra.

No gráfico estão "os 15 sujos", simpático nome que o United States Trade Representative (USTR, principal órgão de comércio exterior do país) deu aos que têm os maiores superávits entre exportações e importações. O Brasil, claro, nem aparece.

Como economistas americanos e brasileiros já cansaram de explicar, em muitos casos esse superávit é resultado mais de decisões de empresas americanas do que da competência nacional. O principal responsável é o outsourcing, ou seja, o deslocamento da produção para terceiros países.

Susto nos mercados

No caso do Vietnã, houve forte "exportação da produção" de tecnologia da informação - daí a necessidade de não subestimar -, que deve somar só neste ano cerca de US$ 700 milhões, com crescimento anual estimado em 16%.

Mas se o dia havia começado com perspectiva benigna, ao menos para o Brasil, a expectativa da aplicação de alíquota de 25% sobre todo e qualquer veículo importado nos EUA contaminou os mercados ontem.

O dólar teve alta de 0,42%, para R$ 5,733, ainda antes da confirmação, que veio depois do fechamento do mercado. Segundo Trump, a tarifa entra em vigor em 2 de abril.

As montadoras americanas pediram que ele não adotasse essa medida, que deve ter represálias. As perdas nas bolsas se aprofundaram: o índice S&P 500 caiu 1,1% e a Nasdaq recuou 1,8%. _

Bancos podem passar a controlar a Braskem

À venda desde 2018, a Braskem pode se tornar uma empresa controlada por bancos, principais credores de sua maior acionista, a Novonor (ex-Odebrecht). Dona da maior parte do polo petroquímico do Estado, a companhia pode ser gerida por uma empresa que já foi dona de uma unidade independente, a Polo Films, hoje parte da Innova.

Conforme informações do jornal Valor Econômico, os principais credores da Novonor teriam cansado de esperar uma "solução de mercado" - venda, com pagamento da dívida. Agora, Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES estariam dispostos a assumir o controle da Braskem ao lado da Petrobras, segunda maior acionista.

As participações conjuntas formariam um fundo de investimento em participações (FIP), que seria gerido pela Geribá Investimentos, que comprou a fabricante de material para embalagens Polo Films da Unigel em 2018 e a vendeu à Innova no ano passado.

Os cinco bancos têm ações da Braskem que foram dadas em garantia pela Novonor de uma dívida hoje estimada em R$ 15 bilhões. Teriam decidido converter esses papéis de preferenciais em ordinários, ou seja, obter com isso direito sobre as decisões da companhia.

Caso o processo avance, dividiriam o controle com a Petrobras. Segundo o Valor, já estariam negociando com a estatal um novo acordo de acionistas para a petroquímica. Não está claro se a Novonor ainda teria alguma participação nessa nova configuração.

A Petrobras enviou nota oficial sobre o assunto, na qual afirma ter feito due dilligence (espécie de auditoria aprofundada, realizada antes de fechamento de negócios) na Braskem "para eventual exercício de tag along ou direito de preferência na hipótese de alienação das ações detidas pela Novonor" e "segue estudando alternativas". A estatal não negou a tentativa dos bancos. _

GPS DA ECONOMIA

27 de Março de 2025
ACERTO DE CONTAS- Giane Guerra

Quase 3 mil gaúchos já tomaram novo consignado

Gaúchos já tomaram R$ 23 milhões em empréstimos no novo crédito consignado para trabalhadores CLT, ou seja, com carteira assinada. O levantamento foi enviado à coluna pelo Ministério do Trabalho. A linha foi lançada pelo governo federal na última sexta-feira, com desconto na folha de pagamento e com a torcida (mas sem garantia) de que a taxa de juro vá cair.

No total, foram firmados 2.976 contratos até terça-feira. Com isso, o valor médio de cada empréstimo fica em R$ 7.715, mas o mínimo e o máximo devem ter uma diferença significativa a depender da avaliação de crédito do tomador feita pela instituição financeira. Em média, cada operação tem 23 parcelas, de R$ 339,76 cada, ou seja, mais de 20% de um salário mínimo.

No ranking nacional, o Rio Grande do Sul fica em quarto lugar na busca pela nova modalidade de crédito consignado. Está atrás de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Na sequência, após os gaúchos, aparecem os trabalhadores do Paraná, da Bahia e do Ceará.

No país, os empréstimos já superam R$ 551,5 milhões. São 89.338 contratos, com valor médio de R$ 6.173,93 por trabalhador. A parcela média ficou em R$ 319,13, com prazo médio de 19 meses.

Até o momento, foram registradas 9.959.841 solicitações de crédito e 71.567.632 simulações. No Brasil, mais de 47 milhões de trabalhadores são assalariados, e 68 milhões possuem a Carteira de Trabalho Digital.

Atenção

Ainda não se sabe se o programa vai ajudar o trabalhador a trocar uma dívida mais cara por uma barata ou vai ampliar o já alto endividamento das famílias, que provoca inadimplência recorde. Por enquanto, é possível tomar o crédito apenas pela plataforma da Carteira Digital de Trabalho.

É indicado esperar 24 horas para os bancos apresentarem suas propostas de juro e, então, escolher a mais atrativa. A lei coloca em 35% o máximo que a prestação pode comprometer da renda do empregado.

Lembre-se de que, em caso de demissão, parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a verba rescisória ficam comprometidos para pagar a dívida. _

Se for adiantado

A antecipação do 13º salário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) somaria R$ 827,3 milhões em pagamentos a aposentados e pensionistas de Porto Alegre.

O cálculo é do economista do Sindicato dos Lojistas da Capital (Sindilojas POA), Rodrigo de Assis. Segundo o levantamento, são 388,8 mil beneficiários com direito ao salário extra. O valor médio pago é de R$ 2.127,94, lembrando que há uma divisão em duas parcelas.

- Apenas beneficiários de aposentadorias, pensões e auxílios elegíveis recebem o 13º salário, ou seja, 70%. Benefícios assistenciais não - detalha o economista.

Antecipar novamente o 13º está sendo avaliado pelo governo federal. No ano passado, o pagamento começou em abril. _

Redução de ISS

Para atrair novos negócios, a prefeitura de Alvorada enviará à Câmara de Vereadores projeto de lei para reduzir o Imposto Sobre Serviços (ISS) de 4% e 3% para 2% para 82 atividades econômicas. Ao mesmo tempo, é construído projeto de atualização do Código Tributário Municipal de 2012, para desburocratizar e renegociar dívidas. Por fim, há plano de melhoria de infraestrutura de energia e internet no distrito industrial, diz a prefeitura. _

Emprego no outdoor

Com o número recorde de pessoas com trabalho no RS, empresas precisam ser criativas para preencher vagas. Uma delas é o Grupo Minuano, de Lindolfo Collor, no Vale do Sinos, que já tem 1,5 mil funcionários e está com 85 vagas abertas para o curtume e a fábrica de estofados.

Para atrair candidatos, instalou outdoors e até busdoors (adesivos nas traseiras dos ônibus), destacando benefícios dos funcionários. De data de pagamento antecipada a quiropraxia. O primeiro item, aliás, é horário reduzido de trabalho na sexta-feira.

- A concorrência para atrair interessados aumentou muito nos últimos tempos, tanto de outras empresas quanto do próprio governo - aponta a executiva de Desenvolvimento Organizacional Bárbara Enzweiler, referindo-se a benefícios sociais como o Bolsa Família.

A estratégia mais "agressiva" de recrutamento começou há dois anos e tem trazido resultados. A empresa recebe 180 contatos por semana e já preencheu 180 vagas desde que começou 2025.

- Aceitamos pessoas de um raio de 40 quilômetros. Também participamos de feirões, já contratamos carros de som e usamos muito Facebook e Instagram, porque o público que miramos não está no LinkedIn - complementa o gerente de Recursos Humanos, Danilo Carvalho da Costa.

Destacar benefícios também busca diminuir a rotatividade na empresa, que tem 52 anos. A média de permanência dos funcionários é de cinco anos, mas há alguns com mais de 40, diz Bárbara.

Interessados podem entrar em contato pelos números WhatsApp (51) 98011-1446 e (51) 98040-1615. _

ACERTO DE CONTAS