sexta-feira, 25 de setembro de 2026

25 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Tudo é possível na disputa pelo Senado

Pouca coisa mudou na pesquisa Quaest para o Senado entre o levantamento de 24 de agosto e o divulgado nesta quinta-feira, a 10 dias da eleição. Manuela D?Ávila (PSOL) é a única entre os candidatos ao Senado em situação relativamente confortável, pela combinação entre primeiro e segundo votos. Mas nem ela pode ser considerada eleita, dada a proximidade entre os cinco primeiros candidatos e o elevado número de indecisos e de eleitores dispostos a votar branco ou nulo ou até não votar.

Com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, Manuela é o primeiro voto de 18% dos entrevistados e o segundo de 9%. Como são duas vagas, essa combinação de números expressa melhor a intenção de voto do que o percentual de 14%, resultado da soma dos dois votos, divididos por dois, para chegar a 100%.

Marcel van Hattem (Novo) tem 16% como primeiro voto e 6% como segundo, o que lhe dá uma média de 11%, tecnicamente empatado com Paulo Pimenta (PT) e Ubiratan Sanderson (PL), ambos com 10%. Germano Rigotto (MDB) tem 9% e está no jogo.

Indecisos e desencantados podem virar o jogo

O elevado percentual de indecisos, somado ao dos que pretendem votar branco ou nulo, ou não estão pensando em votar, torna impossível fazer qualquer previsão segura de resultado. Historicamente, quando há duas cadeiras em disputa, os eleitores deixam para definir o segundo voto nos últimos dias. Boa parte chega diante da urna sem saber que precisa escolher dois nomes e acaba anulando a segunda opção.

Na Quaest, 25% dos entrevistados ainda não escolheram o candidato para a primeira vaga e 36% não definiram o segundo voto. O ponto de interrogação supera todos os candidatos. Há ainda 8% que pensam em não ir às urnas ou votar nulo ou branco na primeira vaga. Na segunda, esse índice sobe para 13%.

Somando-se as duas vagas, os indecisos representam 30% dos eleitores e os desencantados, 11%, mesmo com a campanha nas ruas, nas redes, no rádio e TV. Em agosto, eram 37%, mais 14% que a todos rejeitam. _

Na corrida presidencial, Flávio e Lula estão empatados na margem de erro

Na simulação de primeiro turno no Rio Grande do Sul, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 35% das intenções de voto no primeiro turno e o presidente Lula (PT), 31%. Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, a situação se configura como de empate técnico. Flávio teria entre 32% e 38%. Lula, entre 28% e 34%.

Todos os demais candidatos juntos somam 10%, menos que os indecisos (16%) e pouco mais do que os 8% dispostos a votar nulo, branco ou não comparecer à sessão no dia 4.

No segundo turno, a vantagem de Flávio se amplia. Ele herda os votos de quase todos os candidatos e sobe para 46%, enquanto Lula passa de 31% para 35%.

Os indecisos no segundo turno são 7% e os que não pretendem votar ou pensam em anular ou digitar "branco" somam 12%. _

Leite é bem avaliado

A campanha de Gabriel Souza ajudou a melhorar a avaliação do governador Eduardo Leite. O índice de aprovação subiu de 42% para 52% em um mês e o de reprovação caiu de 45% para 38%. Já a aprovação do presidente Lula subiu de 38% para 40% e a desaprovação caiu de 55% para 54%. _

Indecisos embaralham eleição para governador

A pesquisa Quaest detectou um fenômeno incomum na eleição para governador do Rio Grande do Sul. Um quarto dos 900 entrevistados (25%) declarou ainda não saber em quem votar. Dos que já escolheram, 29% optaram por Luciano Zucco (PL) e 23% por Juliana Brizola (PDT). Gabriel Souza (MDB) foi mencionado por 10%. Há ainda 8% que não se empolgam com nenhum dos candidatos.

É curioso que, apesar da campanha intensa dos últimos 30 dias, todas as mudanças tenham ocorrido dentro da margem de erro de três pontos. Zucco subiu de 26% para 29%, Juliana se manteve em 23%, Gabriel passou de 9% para 10% e Marcelo Maranata (PSDB) passou de 2% para 3%.

No segundo turno, Zucco está à frente, mas 40% contra 34% de Juliana significa "empate no limite da margem de erro". No confronto direto com Gabriel, Zucco faz 42% e o vice-governador, 26%. Na disputa entre Juliana e Gabriel, ela tem 34% e ele, 27%.

A favor de Zucco pesa a baixa rejeição: 23% dos entrevistados disseram que conhecem o candidato do PL e não votariam nele. Já a rejeição de Juliana é de 35%, um ponto a menos do que os que a conhecem e votariam nela. Gabriel tem 20% de rejeição, ante 21% que o conhecem e votariam nele. _

Amizade com advogado pode ser pior do que voo no jatinho

Se não fossem os laços e os cifrões que unem Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, seria possível acreditar que ele não tivesse a mais remota ideia de que o Legacy no qual viajou com a família, de Fort Lauderdale para Brasília em janeiro de 2025, era compartilhado pelo "amigo legítimo" Willer Tomaz com outros dois sócios. E que o dono de um terço do jatinho era ninguém menos que Vorcaro.

É verdade que o mundo dos muito ricos - aqueles que podem comprar ou dividir um jatinho - é muito pequeno. E que se o avião está no nome de uma pessoa jurídica, como saber que o dono da empresa seja justamente aquele banqueiro para quem você ali adiante vai pedir dinheiro para financiar um filme sobre a vida de seu pai?

É possível que ter viajado no mesmo avião que oito meses depois levaria o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa para um compromisso no Rio de Janeiro seja um problema menor do que o álibi apresentado por Flávio para se defender.

Ocorre que Willer é investigado no escândalo do INSS por ligações com o senador Weverton Rocha, que aparece em fotos com ele e Flávio no mesmo safári. O advogado, que diz não conhecer Vorcaro, comprou do cunhado dele, Fabiano Zettel, um apartamento de luxo em uma das áreas mais nobres de São Paulo por R$ 2 milhões a menos do que pagara. Isso poucos dias antes de Zettel ser preso. _

POLÍTICA E PODER

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