quinta-feira, 17 de setembro de 2026

17 de Setembro de 2026
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Dino alertou para corrupção no sistema de Justiça

A autópsia das falas dos ministros na sessão de terça-feira no Supremo Tribunal Federal revelou bem mais do que uma disputa interna que partiu ao meio a Suprema Corte. Veio do ministro Flávio Dino uma das declarações mais graves, que exige aprofundamento por parte dos órgãos de investigação e ao menos alguma indignação da sociedade.

O que disse o ministro:

- Eu nunca vi tanta corrupção no sistema de Justiça do Brasil. Quero dizer que é o momento mais corrupto da história do Judiciário do Brasil. E digo com a autoridade de quem exerce a judicatura desde 1994. Infelizmente, o que prova que há erros. Porque se fala tanto de corrupção no Brasil, e a corrupção só aumenta. Na política também.

No plenário, ninguém rebateu, ninguém comentou, ninguém demonstrou indignação. Foi como se o ministro tivesse falado da beleza dos Lençóis Maranhenses ou do temporal que se armava do lado de fora do prédio do Supremo.

"Não existe venda de sentença sem advogado comprador"

O assunto em questão era um termo do juridiquês, a "avocatória", que vem a ser o ato de um ministro avocar para si a relatoria de determinado processo. Dino tinha entendido que Fachin avocara a relatoria dos casos Master e INSS, mas ele apenas os retirou temporariamente das mãos de André Mendonça, enquanto o plenário decide se o ministro cometeu ou não algum ilícito. Até lá, tudo fica congelado.

Em seguida, o ministro continuou:

- Nessa era de corrupção, temos que ser firmes nos termos da lei, no combate à corrupção. E o que ocorre? Se nós admitirmos a avocatória, vossa excelência e esse tribunal vão abrir uma avenida de corrupção, de comércio nos tribunais. Assim como há juízes ímprobos, há advogados ímprobos. Não existe venda de sentença sem um advogado comprando, não existe corrupção passiva sem corrupção ativa.

Esse trecho provocou uma nota de repúdio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que não gostou da menção aos profissionais que ela representa. _

O presidente da Ajuris, Daniel Neves Pereira, repudiou a fala de Dino. Disse que, "se há suspeitas a serem apuradas, elas dizem respeito a fatos e pessoas determinados e não autorizam extensão indiscriminada a toda a carreira".

Flávio e Lula comentam a crise do Supremo e trocam farpas

A crise no Supremo também foi assunto dos dois candidatos à Presidência melhor posicionados nas pesquisas de intenção de voto.

Ontem, durante comício em Recife, Pernambuco, o senador Flávio Bolsonaro (PL) classificou como "espetáculo de hipocrisia, de prepotência e de deboches" a sessão que analisaria a abertura de investigação sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes no caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

- Hoje, quem está votando em Lula, está votando em Alexandre de Moraes. Imagina o "padrão Lula" de indicação: mais quatro Alexandre de Moraes no STF ou mais quatro Flávio Dino no STF - disparou.

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), rebateu as críticas de Flávio. Lembrou que não foi responsável pela indicação de Moraes.

- Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte - enfatizou o petista durante participação no podcast Desce a Letra.

O petista ressaltou que não foi responsável pelas indicações de Nunes Marques e André Mendonça, escolhidos pelo seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro. _

E desde quando a máfia é exemplo de ética, ministro?

Passadas 24 horas de uma das sessões mais bizarras da história do Supremo Tribunal Federal, ainda se ouvem os ecos das frases pronunciadas pelo decano Gilmar Mendes para criticar a "investigação seletiva" do ministro André Mendonça, focada apenas em Alexandre de Moraes e sem aval do Ministério Público.

Gilmar acusou Mendonça de conduzir os processos do Banco Master com "inequívoco viés político", para favorecer um grupo (o bolsonarismo) e de maneira digna de máfia, covarde e vil.

- Já disse isso em outro momento: até a máfia tem ética. É preciso ter decência, não se comportar desta forma. Um tribunal que isso admite já não delibera com liberdade - vociferou.

O código de ética da máfia não pode ser exemplo para ninguém, menos ainda para um ministro do Supremo. Porque a "ética" da máfia não se resume à "omertà", o código de silêncio citado por Gilmar. Basta ver um ou dois filmes para saber como são tratados os inimigos. _

Zucco apresenta o Saúde Tá On

Preocupado com a demora nos atendimentos de saúde, que resulta em longas filas de espera por consultas, exames e cirurgias, o candidato a governador Luciano Zucco (PL) planeja usar a tecnologia em favor dos pacientes.

A partir do programa batizado de Saúde Tá On, Zucco promete reorganizar o atendimento, reduzir burocracias e aproximar o cidadão dos serviços de saúde.

O foco do programa é o uso da telemedicina para acelerar o atendimento e evitar deslocamentos de pacientes, a chamada ambulancioterapia. _

mirante

Vai dar ciumeira. Candidata a deputada estadual, a vereadora Nicole Weber Covatti, esposa do presidente do PP no RS, Covatti Filho, recebeu R$ 1.265.000,00 da direção nacional do partido. Guilherme Pasin, o deputado que mais ganhou recursos do PP, contabiliza R$ 1.196.002,64.

Sandro do Covatti, irmão da deputada Silvana Covatti, recebeu R$ 900 mil.

A direção nacional do PL investiu R$ 500 mil na campanha de Adri Cherini, esposa do presidente estadual do partido, Giovani Cherini.

POLÍTICA E PODER

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